Entre retratos históricos, caricaturas e décadas de dedicação ao desenho, Onofre Varela abriu as portas ao público para mostrar uma dimensão artística que muitos desconheciam. Conhecido sobretudo pelos cartoons e caricaturas publicados ao longo de décadas na imprensa portuguesa, o artista explicou que o humor político sempre foi uma parte essencial do seu trabalho, mas nunca a única.
“Sou conhecido principalmente pelas caricaturas e os cartoons. Mas faço mais do que isso”, afirmou durante a conversa com O Cidadão, recordando um percurso iniciado ainda na infância e desenvolvido mais tarde em gráficas e agências de publicidade, onde trabalhou como criativo.
Com 80 anos de vida e mais de quatro décadas de presença reconhecida nos jornais, Onofre Varela explicou que grande parte do público acabou por associar o seu nome exclusivamente ao humor gráfico. Ainda assim, sublinhou que o desenho sempre esteve presente em múltiplas formas da sua carreira artística. “Sempre com uma forte componente política, porque senão não tem interesse”, referiu, justificando a linha crítica que marcou grande parte da sua obra publicada.
A exposição apresentada reúne retratos, caricaturas, recortes de jornais e livros escritos pelo próprio autor, numa tentativa de revelar ao público um lado menos visível do seu percurso. Entre os trabalhos em destaque encontram-se dezenas de retratos históricos realizados para a coleção História de Portugal, publicada pelo Jornal de Notícias e dirigida por José Hermano Saraiva.
Segundo o artista, o projeto exigiu um esforço intenso: “Fiz 650 retratos. Estive um ano inteiro a fazer bonecos. Já transpirava bonecos por todos os poros do corpo”, recordou com humor.
O nome da exposição, Rosto e Riso, nasce precisamente dessa dualidade artística. “Rostos, porque são os retratos. Riso, porque são as caricaturas”, explicou.
A mostra decorre no âmbito das comemorações dos 121 anos da associação anfitriã, o Clube Gondomarense, espaço que convidou o artista a integrar as celebrações com esta retrospetiva da sua obra.
A entrevista terminou num ambiente descontraído e de reconhecimento mútuo, celebrando não apenas o percurso de um caricaturista, mas também a dedicação de um homem que fez do desenho uma linguagem permanente de observação crítica, memória e expressão cultural.
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