Sintra | Operadores turísticos avançam com providência cautelar contra restrições

Cerca de 50 condutores de veículos de animação turística, entre jipes, 'tuk-tuk' e carros adaptados concentraram-se hoje junto à Câmara de Sintra para contestar as restrições à circulação destas viaturas

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Cerca de 50 condutores de veículos de animação turística, entre jipes, ‘tuk-tuk’ e carros adaptados concentraram-se hoje junto à Câmara de Sintra para contestar as restrições à circulação destas viaturas, anunciando que vão avançar com uma providência cautelar.

Esta ação de protesto, promovida pela Associação Nacional de Condutores de Animação Turística (ANCAT), é a segunda que acontece na vila de Sintra, desde que entraram em vigor, a 01 de abril, as alterações às regras de estacionamento.

Nós queremos diálogo e encontrar soluções em conjunto. Parece que a única entidade oficial com quem não existe diálogo é mesmo a Câmara Municipal [de Sintra]“, afirmou à Lusa Inês Henriques, secretária da ANCAT.

A dirigente criticou o aumento das taxas de estacionamento para operadores turísticos e o encerramento de vias de acesso a monumentos como a Quinta da Regaleira, Monserrate e Seteais, considerando que as medidas visam atribuir exclusividade de circulação turística a uma única operadora de transporte coletivo.

Segundo Inês Henrique, a associação apresentou participações junto da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Judiciária e vai avançar com uma providência cautelar para contestar as restrições.

Também outros operadores turísticos, ouvidos pela Lusa, manifestaram o seu descontentamento e apreensão relativamente ao futuro do turismo em Sintra e da atividade de animação.

Estamos completamente sem informação nenhuma quanto ao futuro do nosso trabalho aqui em Sintra. Não consigo compreender é que as normas não sejam claras e que uma forma de trabalho que é feita há anos em Sintra, de repente, seja alterada“, lamentou Alexandra Madeira, guia turística há 12 anos na região de Lisboa.

Segundo a profissional, as restrições impostas pela autarquia colocam em causa compromissos assumidos com clientes, agências e parceiros, bem como investimentos realizados na manutenção de viaturas e seguros, referindo ter cerca de 50 marcações até outubro cuja realização está agora em dúvida.

Tem que haver uma forma de trabalho legal e organizada. O que não se compreende é que retirem o trabalho a toda uma classe de um momento para o outro“, sustentou.

Também presente no protesto, o animador turístico Vítor Santos considerou que as medidas podem “afetar radicalmente” centenas de empresas e milhares de trabalhadores dependentes do setor.

O monopólio acabará com a atividade turística. Sintra não pode ser de uma empresa privada. Tem de continuar a ser de todas as empresas que aqui operam“, afirmou.

O operador alertou para o impacto das restrições sobre residentes, alegando que algumas vias tradicionalmente utilizadas pela população local estão agora condicionadas.

Há muitos turistas que vêm a Sintra não para um monopólio de um autocarro, mas sim para terem a experiência de uma visita guiada. A experiência não só de Sintra e dos seus monumentos históricos, mas também da natureza e da sua costa“, sublinhou.

Os manifestantes garantiram que privilegiam o diálogo institucional, mas admitem novas ações de protesto caso não sejam recebidos pela autarquia.

Contactada pela Lusa para comentar este protesto dos operadores de animação turística, fonte da Câmara Municipal de Sintra disse apenas que as regras “são para cumprir“.

A Câmara de Sintra coloca a defesa dos Sintrenses, de quem aqui trabalha e visita acima de tudo. Há regras e elas são para cumprir“, afirmou fonte oficial do executivo municipal liderado pelo social-democrata Marco Almeida.

As alterações, aprovadas pela Câmara Municipal de Sintra em 10 de março, acabaram com as zonas de estacionamento exclusivo destinadas aos veículos de animação turística de até nove lugares e com o regime associado de sinalização e condicionamento do estacionamento.

Em contrapartida, a empresa municipal responsável pelo estacionamento no concelho de Sintra (EMES), no distrito de Lisboa, compromete-se a disponibilizar aos operadores que atuam na vila, no âmbito do Registo Nacional dos Agentes de Animação Turística (RNAAT), avenças mensais de 100 euros, permitindo a utilização de todas as zonas de estacionamento de duração limitada e do parque de estacionamento João de Deus.

A ANCAT denuncia a contraproposta com o que considera ser a extorsão dos condutores de animação turística em relação aos demais comerciantes de Sintra

OC/MP

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