
Começou bem cedo a festa dos portistas. Com muita crença na equipa, os adeptos do clube da Invicta começaram a chegar ao Dragão à hora de almoço para um encontro …. à hora do jantar.
O empate do Benfica em Famalicão exponenciou a “fé portista”. Afinal, bastava o empate. Ou seja, se acabasse como começara, o FC Porto seria campeão.
Mas a equipa portista não gosta de empates. Nem dos que são suficientes para chegar ao título.

Ganhar. O FC Porto queia ganhar. Os cerca de 50 mil adeptos presentes queriam ganhar e “empurraram” a equipa para a vitória.
Mas só aos 40 minutos, Bednarek, de cabeça, após canto na direita, cobrado por Gabri Veiga, fez o primeiro golo e deu início aos festejos que foram madrugada dentro.
Farioli não poupou nem acrescentou. A equipa habitual e os suplentes também. A prova de que o foco continuava centrado nas vitórias, apesar do envolvimento festivo e do ambiente ao redor.
Em tempo de decisões, os “azuis e brancos”, fartos de contas, atiraram a calculadora fora e fizeram o que tinham de fazer – vencer o Alverca. E, assim, sagraram-se campeões quando ainda faltam duas jornadas para o final do campeonato. Depois de três anos de seca, aí está o FC Porto no topo do futebol português, numa época em que comandaram de princípio a fim.

A equipa ribatejana não foi ao Dragão para participar na festa. Apesar de ocupar uma posição tranquila na tabela – e talvez por isso – os pupilos de Custódio Castro apresentaram-se com vontade de conquistar os pontos e dispostos e adiar a festa portuense.
O Alverca éuma equipa forte, bem organizada, não admira pois o lugar que ocupa na tabela. Tudo fez para desfeitear os locais. Na segunda parte. teve várias aproximações muito perigosas à área do FC Porto, valendo em duas delas, Diogo Costa com grandes defesas. Lincoln, Chiquinho e Figueiredo foram os mais incoformados no lado ribatejano.
O jogo não foi um primor de qualidade. Londe disso. Na primeira parte o FC Porto entrou bem, mas foi “gelando” o jogo, à medida que o tempo escoava. Depois do golo de Bedanarek, os jogadores de Farioli, procuraram mais uma gestão eficiente do resultado do que ampliá-lo.
Na segunda parte a qualidade do futebol não melhorou, mas as bancadas do Dragão estavam pouco preocupadas. Queriam chegar rapidamente ao minuto 90 para irem festejar. Já pouco importava se o FC Porto jogava bem ou mal. E os jogadores “azuis e brancos” iam sentindo o mesmo – pressa de acabar o jogo.

E com o resultado de 1-0 estava encontrado o campeão 2025/2026. É a 31ª vez que o FC Porto conquista o título maior do futebol português. Um título justo. Tão justo quanto desejado pelos portistas, depois de uma série de acontecimentos tristes (morte de Pinto da Costa e de Jorge Costa) e alguma instabilidade após a eleição de André Villas-Boas para a presidência do clube.
Francesco Farioli ultrapassa, assim, o “fantasma Ajax” e ajuda o FC Porto a recuperar, após uma época desastrosa.
Bednarek foi o melhor em campo. Defendeu bem, construiu, destruiu e… marcou o tão desejado golo da vitória.
Declarações
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Muitas emoções”

“Há muitas emoções, ainda. Tenho de me aperceber, porque estava muito focado no jogo. Vocês viram como foi o jogo. Acho que o Jorge Costa nos ajudou, com algumas defesas. É muito emocional, para todos. Para este grupo, para quem trabalha no clube, para o presidente, para Jorge Costa e para todos estes adeptos, depois de tantos anos sem título…
Sobre a festa: Não pensei na festa, não planeei nada. O meu objetivo era tentar trazer toda a energia para preparar a equipa até aonde ela tinha de ir, e conseguimos. Vamos ter tempo para digerir estas emoções.
Durante a temporada, tivemos muitos momentos diferentes. Hoje, era sobre passar a meta. Temos de celebrar, finalmente, em frente dos nossos adeptos. Não era possível ser melhor.
Sobre o mérito próprio: Aceitar a proposta do presidente no início da época. Isto foi a única coisa que fiz.
Sobre o trauma com o Ajax: Disse-o ontem, sou a mesma pessoa. Isto é futebol, vamos celebrar. Acho que o merecemos.
Sobre Jorge Costa: A nossa força toda a época. O Jorge, uma das últimas coisas que nos disse, foi que tínhamos equipa outra vez. Demos tudo o que podíamos, ele lá de cima também nos ajudou, em muitas pequenas coisas. Aquelas defesas em cima da linha têm dedo do Jorge. Esteve connosco várias vezes. Infelizmente, não fisicamente, mas nas nossas mentes e almas”.
Jan Bednarek (jogador do FC Porto): “Grande temporada”

“É fantástico, dá para ver no estádio que todos estão felizes. Ganhámos, podemos celebrar, espero uma grande festa hoje.
Grande temporada, com muitas emoções. O momento que tivemos há minutos foi único, especial, e amei ver isso.
Acho que é parte do jogo. Todos fomos líderes no campo, a lutar pela equipa e pelos adeptos. Continuamos juntos e, no final do dia, conseguimos. Estou muito feliz.
Sobre Jorge Costa: Foi uma das primeiras pessoas que trabalhou comigo e é especial poder devolver algo aos portistas.”
Custódio (treinador do Alverca):
“Ainda faltam duas jornadas. Viemos para tentar lutar pelo jogo, ser competitivos. Taticamente tínhamos de ser fortes, tecnicamente também. Tentámos tudo para que o resultado fosse diferente.
Parabéns ao FC Porto, é um justo vencedor. É uma grande equipa, um grande treinador. São justíssimos campeões. São uma equipa muito forte, em todos os momentos, merecedor do título.
Trabalharemos até ao último dia da época, como sempre. O objetivo agora é descansar um pouco e depois vencer o Estoril Praia. Mas com muita ambição”.
Figueiredo (jogador do Alverca):
“Parabéns ao FC Porto pelo campeonato. Viemos impor o nosso ritmo de jogo e dar o nosso melhor, desfrutar da partida. Fizemos uma boa partida, tivemos chances para golo. Era só aproveitar os detalhes. Jogámos com uma equipa muito boa, por isso é campeã.
A nossa mente está agora no próximo jogo, no Estoril Praia. No Brasil, joguei no Vasco e há muitos jogos com esta atmosfera. Deixa-nos mais preparados.
Muito profissionalismo. Esta atmosfera é para darmos o nosso melhor e desfrutarmos. A equipa deu o seu melhor, empenhou-se. Estamos a fazer uma época muito boa, consistente”.
Ficha do Jogo
Estádio do Dragão, no Porto.
FC Porto – Alverca, 1-0.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores:
1-0, Jan Bednarek, 41 minutos.
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior (Varela, 46), Zaidu (Martim Fernandes, 46), Pablo Rosario, Gabri Veiga (Seko Fofana, 74), Victor Froholdt, Pepê (Rodrigo Mora, 86), Deniz Gül e Pietuszewski (Borja Sainz, 63).
Suplentes: Cláudio Ramos, Martim Fernandes, Thiago Silva, Varela, Seko Fofana, Rodrigo Mora, Borja Sainz, William Gomes e Terem Moffi.
Treinador: Francesco Farioli.
Alverca: Matheus Mendes, Neves (Diogo Spencer, 90), Sergi Gómez, Bastien Meupiyou, Nabil Touaizi, Lincoln, Rhaldney (Zakaria Kessary, 89), Isaac James, Figueiredo (Davy Gui, 77), Sandro Lima (Cédric Nuozzi, 90) e Chiquinho (Marezi, 77).
Suplentes: Mateus, Diogo Spencer, Steven Baseya, Vasco Moreira, Zakaria Kessary, Davy Gui, Stéphane Diarra, Marezi e Cédric Nuozzi.)
Treinador: Custódio Castro.
Árbitro: David Rafael Silva (AF Porto).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Chiquinho (38), Kiwior (38), Neves (52), Sndro Lima (74) e Figueiredo (77).
Assistência: 49.561 espetadores.
NR : Ao longo da semana, O Cidadão irá mostrar as fotos da festa portista, bem como uma análise ao percurso da equipa até ao título.
Jornalista














