O Atentado

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Ouçam bem. Ouçam porque eu quero, posso e mando. Ainda ontem despedi mais um director que não concordou comigo. A coisa é assim: vocês vão preparar tudo ao minuto, nada pode falhar. Estão a ouvir bem? Eu ando preocupado com a minha credibilidade e andam por aí uns humoristas a dizer que a minha mulher pode ficar viúva e uns patetas de uns jornalistas a criticarem-me. Vou fazer de conta que mudei de atitude e vou convidar os jornalistas correspondentes do palácio para um jantar de gala. Ouçam bem. O jantar não será no palácio, mas num hotel. Já dei ordens ao director do hotel para retirar as cameras de vigilância das escadas interiores e não ter seguranças nenhuns nas traseiras. Vocês consultam a lista dos psicopatas que nas redes sociais vociferam ódio contra mim. Escolhem um dos que tenham a mente mais afectada e convencem-no que tem de ir na noite do jantar com os jornalistas dar uns tiros para o ar perto da entrada da sala de jantar e ensinam o gajo a ir pelas escadas interiores.


Ei, tu aí! Se não estás atento ao que eu digo mando-te já prender. É preciso ouvirem-me bem. Tudo tem que ser feito de modo que dê a entender que é mais um atentado contra mim, para poder receber mensagens de todo o mundo a mostrar que estão solidários comigo. Estou num dilema com a porcaria da guerra que arranjei e tenho de aumentar a minha base de apoio. Só vocês, que são os meus homens de mão e, por isso, vos dou a ganhar milhões, é que podem preparar o atentado sem haver atentado nenhum. Eu já avisei a minha mulher para estar calma e no momento que o gajo dê os tiros, ela enfia-se para baixo da mesa e a mim levam-me para fora da sala para dar o ar de que fui salvo de mais uma tentativa igual aquela que eu inventei do tiro na orelha. Portanto, acho que me fiz entender. Vocês começam já hoje a trabalhar porque o jantar é para a semana e eu quero que todos os jornalistas no jantar apanhem um susto. Temos de dar a entende que é uma realidade existirem psicopatas que me odeiam e querem evitar que a Mérdica seja grande.


Tudo correu às mil maravilhas. Um doido completamente com a lavagem ao cérebro foi convencido que era preciso tentar matar o boss e ir ao hotel dar uns tiros. Assim aconteceu e o psicopata depois de correr por ali fora junto à sala de jantar do hotel atirou à maluca uns disparos inofensivos de uma arma caricata e a tropa entrou pela sala a dentro porque já estava tudo preparado para o espectáculo. Os jornalistas apanharam um cagaço que até tiveram de mudar de cuecas. Atiraram-se para baixo das mesas, mas nada acontecia, tudo estava a acontecer como planeado e a fotografia do psicopata foi logo enviada para todo o mundo deitado no chão algemado. O boss, na maior, todo lampeiro veio falar aos jornalistas uns minutos depois e enfiou aos presentes um barrete maior que os barretes que se vendiam na cabana dos Parodiantes de Lisboa, em Salvaterra de Magos…

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