O Porto é diferente

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Um amigo chinês de longa data residente em Macau veio até Portugal de férias. Bem, férias para um chinês são sempre uma forma de negócio ou de futuro investimento. O cidadão milionário, fez-se acompanhar do seu secretário versus guarda-costas, que fala um pouco de português.

Mantivemos um encontro em Lisboa e onde o meu amigo salientou que talvez viesse a investir em Portugal. Perguntei-lhe se conhecia o norte de Portugal, a cidade do Porto e o Douro. Não fazia a mínima ideia do que se tratava. Como já o professor José Hermano Saraiva dizia nas suas crónicas televisivas que “o portuense é o homem mais delicado”, recomendei ao meu amigo chinês que fosse ver o Porto. Meteu-se no avião com o seu acompanhante e instalaram-se num dos melhores hotéis da cidade invicta. Do aeroporto para o hotel foram conduzidos por um motorista de um táxi Mercedes, homem de extrema cordialidade e educação. O chinês gostou da atitude de o motorista nem o deixar tocar nas malas e pediu-lhe o número de telefone, para o caso de querer dar uma voltas pelo Porto.

O turista oriental e o seu secretário depois de um lauto pequeno-almoço, com um dia lindo de sol, ligou ao motorista de táxi que num ápice apareceu à porta do hotel. O secretário no seu mediano português disse ao motorista que queriam ver coisas bonitas do Porto.

Foram levados à Torre dos Clérigos, passaram duas pontes, ficaram a conhecer Serralves, admirara um empreendimento imobiliário de luxo que está situado com vista para o rio, foram levados até Matosinhos onde sentados numa mesa ao ar livre tinham ao seu lado uma grelha maravilhosa de carvão onde almoçaram um peixe grelhado divinal, foram levados a Vila Nova de Gaia e ficaram deslumbrados com as caves de vinhos. A cidade do Porto tinha deslumbrado um homem que já correu mundo e tem investimentos desde Miami ao Dubai. No Douro, o milionário chinês visitou três quintas com vista para a falésia e com as vinhas até à margem do rio. Ao despedir-se no aeroporto do motorista salientou-lhe que voltaria, que o taxista haveria de voltar a trabalhar para ele e deu-lhe uma gorjeta de mil euros. Como devem imaginar, o motorista ia desmaiando…

O meu amigo chinês regressou a Lisboa e voltámos a sentarmo-nos à mesa. A conversa foi o Porto. O homem estava louco. Disse-me que nos próximos cinco anos só iria viajar para o Porto. Porquê, perguntei. Porque o turista a quem recomendei que fosse conhecer o Porto transmitiu-me que iria – só – adquirir um hotel perto de Santa Catarina, dois andares de luxo no empreendimento imobiliário que viu com vista para o rio, uma quinta no Douro avaliada em 14 milhões de euros, uma vivenda na Foz e um Rolls-Royce que seria conduzido pelo taxista anfitrião portuense. Na verdade, o Porto é diferente…

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