Liga Portugal | SC Braga, 1 – FC Porto, 2 – Classe e músculo na reviravolta portista

Grande jogo. Duas grandes equipas. Excelentes treinadores e jogadores. E só um "grande" FC Porto, nesta fase do campeonato, conseguiria virar o resultado, frente a um Braga de qualidade. A vitória por 2-1 é merecida pela forma como Farioli soube "ler" o jogo e os jogadores "entenderam" a imporância que poderão ter estes 3 pontos. Apesar de jogar muito bem, o Braga foi incapaz de ultrapassar com sucesso a linha defensiva portista, que continua a ser o grande esteio dos "Dragões".

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O FC Porto mostrou,ontem, em Braga, que não tem medo de arriscar. porque se não o fizer, seguramente não será campeão. E esse é o desígnio do clube nesta época.

Gul tenta fugir a defesas bracarenses. Foto de GONÇALO BRAVO

E a vitória de ontem em Braga, não foi uma vitória qualquer. Em primeiro lugar, defrontou uma grande equipa, muito bem orientada tecnicamente. Depois, era o último adversário do “top 4”. A sete jornadas do fim, com o risco de poder ficar com om Sporting a 1 ponto, sair do Minho com 3 pontos pode até ser a chave para o título. E os jogadores perceberam – os festejos no final são elucidativos -, deixaram a “pele” em campo e lutaram até ao úlimo minuto como se este fosse o jogo das suas vidas.

Mas do outro lado, a jogar em casa, estava o sensacional Sporting de Braga que ainda há poucos dias tinha “aviado” o Ferencvaros e seguido, o rumo certo, na Liga Europa. Nesse dia, foi a equipa bracarense a virar um resultado negativo que trazia da Hungria.

O FC Porto foi uma equipa muito ofensiva. Fopto de GONÇALO BRAVO

Guerreiros

São conhecidos por “Guerreiros Minho”. E ontem fizeram jus ao apodo. O Braga soube fazer um jogo inteligente na primeira parte e mais incisivo, com maiores riscos, na segunda. Percebe-se o “dedo” de Carlos Vicens, o treinador, ou não tenha sido adjunto de Guardiola. Na “pedreira” mora uma equipa forte, unida, bem organizada. Os resultados na Liga Europa não sairam de rifas, mas fruto da organização e trabalho da equipa.

O jogo até nem começou muiro bem para a equipa da “casa”. A pressão alta dos portistas estava a causar incómodos. Aos 7 minutos já o FC Porto tinha criado duas perigosas ocasiões de golo. A primeira por Alan Varela e a segunda por Pietuszewski.

Ricardo Horta, Froholdt e João Moutinho foram figuras centrais do jogo. Foto de GONÇALO BRAVO

Aos 14 mintos, altura em que o Braga conseguiu “desamarrar-se”, Zalazar – a grande figura da equipa – furou o meio campo portista, em velocidae e com a abola no pé, serviu Pau Victor (mais à frente, voltou a desperdiçar um lance perigoso) que atirou ao lado. Refira-se que Zalazar, João Moutinho dão ao meio campo qualidade e classe futebolística. Depois, mais à frente, surge a categoria de Ricardo Horta que continua a ser  decisivo no ataque e bem merece nova chamada à seleção.

Dragão Musculado

Francesco Farioli montou a equipa para marcar cedo. Os primeiros 15 minutos  foram de “sufoco” para o Braga. E o golo esteve muito perto de acontecer – Varela, Pietuszewski, Froholdt e Gabri Veiga atiraram bolas que passram muito perto dos postes da baliza de Hornicek.

O Braga reagiu à passagem do quarto de hora, equilibrou a partida, e o juogou passou a ser muito dividido, bem jogado, mas com poucas oportunidades de golo. Neste particular, foi o FC Porto quem esteve mais perto da baliza minhota. Mas o nulo ao intevalo, aceitava-se.

A maior emoção ficava reservada para o período complementar. E foi coisa que não faltou.

O SC Braga entrou melhor e a jogar mais perto da baliza de Diogo Costa. Não surpreende, pois, que o primeiro golo tenha sido do Braga e nos minutos inicias da segunda parte. No jogo do “puxas tu, puxo eu”, na seguência de um canto, Niakaté foi mais esperto do que Gabri Veiga, aproveitou o puxão para cair e António Nobre, sem dúvidas, assinalou a grande penalidade. Que foi superiormente concretizada por Zalazar. E o Braga fica, bem cedo, a vencer.

Froholdt tenta libertar-se da marcação “arsenalista”. Foto de GONÇALO BRAVO

Estava Zalazar a preparar-se para “bater o lance e já Falioli tinha na linha lateral, para entrarem, Moffi e William Gomes. Coube a este último aos 59 minutos um remate que raspou na baliza de dos minhotos. Estava feito o aviso. Mas Faroli queria, naturalmente, muito mais. Par isso, deu músculo ao meio campo com a entrada de Pablo Rosário e Fofana. E um Dragão musculado tornou-se muito perigoso.

Reviravolta

A reviravolta no marcador não surgiu por acaso. Mas na sequência de melhor fuitebol, mais ataque e mais força na zona central do terreno. Aos 69 minutos, William Gomes empatou, surgindo ao segundo poste para encostar, depois do cruzamento milimétrico de Pietuszewski. Porém, o lance tem como protagonistas, também, Froholdt e Kiwior. Foi o “central” quem fez um excelente passse de rotura que deixou a defesa do Braga fora do lance.

William GOmes acaba de marcar o primeiro golo do FC Porto e deu início à reviravolta. Foto de GONÇALO BRAVO

Carlos Vicens não estava “a dormir”. Sentindo a pressão dos “Dragões”, retirou os “amarelados” David Rodrigues e Niakaté, entrando Gabri Martinez – para dar “mais trabalho” a Martim Fernandes e Moscardo, para o centro da defesa.

Enquanto Farioli acertava, em cheio, nas laterações, o técnico bracarense não foi tão feliz. E aos 80 minutos, Fofana, depois de um canto, ficou sem marcação e “bombardeu” a baliza de Hornicec, sem qualquer hipótese de defesa, colocando o FC Porto em vantagem, depois de excelente reviravolta.

O Braga, naturalmente, reagiu, mas já faltavam a força e o discernimento. E do meio campo portista sairiam, ainda, três jogadas muito perigosas, protagonizadas por Fofana, Rosário e Froholdt.

O FC Porto este, pois, perto do terceiro golo, mas não seria justa a diferença de golos. O 2-1 adequa-se ao que aconteceu na partida.

No Braga, Zalazar, Ricardo Hora e João Moutinho, foram os melhores. no FC Porto, o destaque vai para Martim Fernandes, Froholdt e Fofana.

Fofana e Zalazar desentenderam-se no segundo golo, o que valeu um cartão amarelo ao jogador portista. Foto de GONÇALO BRAVO

Árbitragem

Neste particular, vários são os lances que geram discórdia – a falta sobre Gul quando ia a isolar-se, a alegada agressão de David Rodrigues a Pietuszewski e a grande penalidade que colocou o Braga em vantagem. Nenhum desses lances parece claro e óbvio para mostrar vermelho a jogadores do Braga e a marcação da grande penalidade parece excessivo. Veremos se, a partir de agora, são punidas as dezenas de puxões que acontecem na marcação de cantos. 

Os “catedráticos” do apito vão ter uma semana entretida a falar destes lances e deixamos para eles os “veredictos” . António Nobre, em jogo tão exigente e emotivo, acabou por fazer uma arbitragem regular.

Declarações

Carlos Vicens (treinador do Sporting de Braga): “A vencer por 1-0, não recuámos.”

Carlos Vicens ( Treinador do SC Braga)- Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Foi uma partida difícil. Íamos defrontar uma equipa que seria agressiva, muito fortes nas segundas bolas. Custou-nos ter o controlo do jogo, sobretudo na primeira parte. Na segunda parte, pouco a pouco, tomámos conta do jogo e fizemos o 1-0 de penálti.

O jogo mudou um pouco após o golo, mas sofremos numa jogada de profundidade. Custa perder o jogo num lance de bola parada. São detalhes que fazem a diferença, quando as diferenças entre as equipas são tão curtas. Temos muitos jogos difíceis e importantes nos próximos tempos. Temos de estar atentos aos detalhes para conseguir os resultados que queremos.

O jogo da primeira volta foi parecido a este. Fomos incapazes de defender uma jogada na área que já conhecíamos. Sabíamos que o Porto tenta isso [a profundidade]. A vencer por 1-0, não recuámos. Quisemos manter-nos agressivos na pressão. Quanto ao golo de bola parada, temos de dar passos em frente na defesa desses lances

Nunca saberemos se faria sentido jogar com uma defesa mais recuada. Quanto mais longe estamos da nossa baliza, mais confortáveis nos sentimos. Não vamos mudar a nossa forma de encarar os jogos por causa da forma como os outros jogos. Hoje criámos dificuldades ao FC Porto. Faltou sermos melhores nos detalhes.

O Porto sabe como explorar a profundidade após ganhar a segunda bola. Contrariámos o FC Porto na maioria do encontro e criámos-lhes mais dificuldades do que a maioria dos adversários.

Estamos a competir para ganhar todos os jogos . Vamos preparar bem a equipa para se apresentar forte no Moreirense”.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Os jogadores saídos do banco entraram muito bem.”

Farioli, treinador do FC Porto, . Foto de GONÇALO BRAVO

“Foi um jogo muito bom, com vários momentos. Houve muita intensidade, e estivemos muito bem com bola. Criámos muito junto à área contrária, frente a uma equipa muito boa e bem orientada. Nos últimos 10 minutos da primeira parte, fomos um pouco abaixo, mas não consentimos oportunidades.

Na segunda parte, sofremos um golo, mas a reação foi excelente. Os jogadores saídos do banco entraram muito bem. Nesta noite, pelo menos por um par de horas, merecemos celebrar, porque fizemos um excelente jogo e conseguimos um grande resultado.

Temos sete jogos para jogar. A minha celebração foi demasiado efusiva, mas merecemos ganhar. Agora, este jogo acabou. Vamos ter alguns jogadores nas seleções. Quando toda a gente estiver de volta, vamos preparar da melhor forma possível o embate com o Famalicão ,para a 28.ª jornada, que é uma das equipas em melhor forma no campeonato.

Não foi aberta uma ‘autoestrada’ para o título. Batemos o Sporting de Braga por duas vezes. É uma equipa que respeito muito. Todos os jogos contêm dificuldades. Vamos ter jogos difíceis fora de casa. Temos jogos para as competições europeias e a segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, com o Sporting. Vamos passo a passo.

Fomos punidos com um penálti que, pelo que vi no relvado e depois nas imagens, fiquei com a impressão que já houve penáltis assim por marcar a nosso favor. Houve um lance parecido com o Deniz Gul no jogo com o Benfica [2-2, na 25.ª jornada]. Não me parece que o contacto tenha sido suficiente para grande penalidade.

É muito bom ter duas semanas de interrupção com a oportunidade de trabalhar com sentimentos positivos. Os jogadores que vão permanecer no Olival nestas vão trabalhar arduamente, à procura de melhorarem constantemente.

O Fofana está connosco por empréstimo. Está muito ligado à equipa, seja a jogar de início, seja quando tem de entrar. Os reforços têm-nos ajudado a subir de nível, tecnicamente e fisicamente, e a superar dificuldades”.

Ficha

 Estádio Municipal de Braga.

Sporting de Braga – FC Porto, 1-2.

Ao intervalo: 0-0.

1-0, Zalazar, 54 minutos (grande penalidade).

1-1, William Gomes, 69.

1-2, Fofana, 80.

Sporting de Braga: Hornicek, Lagerbielke, Niakaté (Moscardo, 63), Arrey-Mbi, Victor Gómez (Dorgeles, 86), Grillitsch, João Moutinho (Gorby, 86), Diego Rodrigues (Gabri Martínez, 63), Zalazar, Ricardo Horta e Pau Víctor (Fran Navarro, 86).

Suplentes: Tiago Sá, Paulo Oliveira, Lelo, Moscardo, Gorby, Tiknaz, Dorgeles, Gabri Martínez e Fran Navarro.

Treinador: Carlos Vicens.

 FC Porto: Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior, Zaidu, Alan Varela (Pablo Rosario, 67), Froholdt, Gabri Veiga (Fofana, 67), Pepê (William Gomes, 55), Pietuszewski (Borja Sainz, 78) e Deniz Gul (Terem Moffi, 55).

Suplentes: Cláudio Ramos, Alberto Costa, Thiago Silva, Francisco Moura, Pablo Rosario, Fofana, William Gomes, Borja Sainz e Terem Moffi.

Treinador: Francesco Farioli.

Árbitro: António Nobre (Associação de Futebol de Leiria).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Lagerbielke (15), Alan Varela (30), Niakaté (34), Gabri Veiga (51), Zalazar (54), Pablo Rosario (73), Terem Moffi (74), Fofana (80) e Gorby (90+6).

Assistência: 25.611 espetadores.

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Gonçalo Bravo (Fotos)

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