Na resposta enviada à nossa redação, a direção da APEL refuta as alegações de falta de transparência e defende que “os critérios de participação são públicos”, sublinhando que o Regulamento da Feira do Livro é divulgado com antecedência e que todos os participantes que o solicitem recebem esclarecimentos sobre as decisões relativas às suas candidaturas.
Capacidade limitada: “Atingimos o limite em 2024”
A APEL justifica ainda que, devido às características físicas do Parque Eduardo VII, o recinto da Feira atingiu em 2024 a capacidade máxima de 350 pavilhões, número que não poderá crescer sem comprometer fatores como circulação de visitantes, segurança e conforto.
Segundo a associação, esta limitação obriga a que cada edição tenha um número muito reduzido de lugares disponíveis para novas entradas.
Para a distribuição de pavilhões, a organização afirma recorrer a um modelo “sucessivamente aperfeiçoado”, baseado em critérios quantitativos e qualitativos, entre os quais:
dados de mercado disponíveis;
número de referências ativas;
ações de promoção do livro e de incentivo à leitura (durante e fora da Feira);
diversidade e dimensão dos catálogos;
predominância do livro em língua portuguesa publicado em Portugal;
grau de consolidação dos projetos;
histórico de participação e cumprimento das regras.
A APEL enfatiza que procura assegurar “proporcionalidade, equidade, pluralidade e diversidade” entre os participantes.
Novas editoras independentes entrarão em 2026
Apesar de não comentar casos específicos, a associação confirma que, na edição deste ano, está prevista a entrada de novas editoras independentes, reiterando que a integração de novos projetos é prioridade sempre que há disponibilidade de pavilhões e que os candidatos cumpram os critérios definidos.
Razões para rejeição de candidaturas
A APEL esclarece igualmente os motivos que podem levar à recusa de participação na Feira, entre os quais:
presença direta ou indireta de pagamentos por parte de autores como contrapartida para inclusão das obras no pavilhão ou realização de eventos;
incumprimento de normas em edições anteriores, incluindo ocupação indevida de espaços comuns;
presença de oferta centrada em produtos que não livros;
incumprimento reiterado de prazos de pagamento.
A organização garante que qualquer participante que o solicite pode conhecer as razões da decisão relativa ao seu pedido.
Melhorias no recinto e evolução da Feira
A APEL recorda também que, nos últimos anos, a Feira tem sido alvo de melhorias estruturais devido ao forte crescimento do número de visitantes — que, no espaço de uma década, mais do que duplicou.
Entre as mudanças implementadas desde 2014, a associação destaca:
aumento das zonas de descanso e de sombra;
duplicação da dimensão do auditório;
reforço dos espaços de programação cultural;
crescimento do número de instalações sanitárias (de 2 para 5);
manutenção da proporção de equipamentos de restauração, apesar do aumento de público.
Segundo a APEL, estas transformações procuram garantir que o evento continue a oferecer “uma experiência equilibrada e sustentável” tanto para leitores como para agentes do setor.
APEL lamenta criação de “informações que colocam em causa a integridade do processo”.
No final da nota enviada ao O Cidadão, a direção da associação lamenta que tenham surgido na esfera pública informações que, na sua perspetiva, “colocam em causa a integridade do processo de organização da Feira do Livro de Lisboa”.
A APEL afirma que a sua atuação se pauta — e continuará a pautar — “pelo rigor, transparência e abertura ao diálogo”, assegurando que qualquer candidato tem direito a conhecer os fundamentos da decisão sobre a sua participação.
Professor, Poeta e Formador














