APEL rejeita acusações de exclusão de editoras da Feira do Livro de Lisboa

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) respondeu ao pedido de esclarecimentos feito por O Cidadão na sequência da notícia publicada a 1 de março de 2026, onde duas editoras sediadas em Ansião denunciaram ter ficado de fora da edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, alegadamente por falta de espaço e por critérios pouco claros.

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Na resposta enviada à nossa redação, a direção da APEL refuta as alegações de falta de transparência e defende que “os critérios de participação são públicos”, sublinhando que o Regulamento da Feira do Livro é divulgado com antecedência e que todos os participantes que o solicitem recebem esclarecimentos sobre as decisões relativas às suas candidaturas.

Capacidade limitada:Atingimos o limite em 2024”

A APEL justifica ainda que, devido às características físicas do Parque Eduardo VII, o recinto da Feira atingiu em 2024 a capacidade máxima de 350 pavilhões, número que não poderá crescer sem comprometer fatores como circulação de visitantes, segurança e conforto.
Segundo a associação, esta limitação obriga a que cada edição tenha um número muito reduzido de lugares disponíveis para novas entradas.

Para a distribuição de pavilhões, a organização afirma recorrer a um modelo “sucessivamente aperfeiçoado”, baseado em critérios quantitativos e qualitativos, entre os quais:

dados de mercado disponíveis;

número de referências ativas;

ações de promoção do livro e de incentivo à leitura (durante e fora da Feira);

diversidade e dimensão dos catálogos;

predominância do livro em língua portuguesa publicado em Portugal;

grau de consolidação dos projetos;

histórico de participação e cumprimento das regras.

A APEL enfatiza que procura assegurar “proporcionalidade, equidade, pluralidade e diversidade” entre os participantes.

Novas editoras independentes entrarão em 2026

Apesar de não comentar casos específicos, a associação confirma que, na edição deste ano, está prevista a entrada de novas editoras independentes, reiterando que a integração de novos projetos é prioridade sempre que há disponibilidade de pavilhões e que os candidatos cumpram os critérios definidos.

Razões para rejeição de candidaturas

A APEL esclarece igualmente os motivos que podem levar à recusa de participação na Feira, entre os quais:

presença direta ou indireta de pagamentos por parte de autores como contrapartida para inclusão das obras no pavilhão ou realização de eventos;

incumprimento de normas em edições anteriores, incluindo ocupação indevida de espaços comuns;

presença de oferta centrada em produtos que não livros;

incumprimento reiterado de prazos de pagamento.

A organização garante que qualquer participante que o solicite pode conhecer as razões da decisão relativa ao seu pedido.

Melhorias no recinto e evolução da Feira

A APEL recorda também que, nos últimos anos, a Feira tem sido alvo de melhorias estruturais devido ao forte crescimento do número de visitantes — que, no espaço de uma década, mais do que duplicou.

Entre as mudanças implementadas desde 2014, a associação destaca:

aumento das zonas de descanso e de sombra;

duplicação da dimensão do auditório;

reforço dos espaços de programação cultural;

crescimento do número de instalações sanitárias (de 2 para 5);

manutenção da proporção de equipamentos de restauração, apesar do aumento de público.

Segundo a APEL, estas transformações procuram garantir que o evento continue a oferecer “uma experiência equilibrada e sustentável” tanto para leitores como para agentes do setor.

APEL lamenta criação de “informações que colocam em causa a integridade do processo”.

No final da nota enviada ao O Cidadão, a direção da associação lamenta que tenham surgido na esfera pública informações que, na sua perspetiva, “colocam em causa a integridade do processo de organização da Feira do Livro de Lisboa”.

A APEL afirma que a sua atuação se pauta — e continuará a pautar — “pelo rigor, transparência e abertura ao diálogo”, assegurando que qualquer candidato tem direito a conhecer os fundamentos da decisão sobre a sua participação.


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