Autárquicas 2025 – PSD reconquista Porto e reforça Lisboa

O PSD venceu as eleições autárquicas de 2025. Os sociais-democratas conquistaram mais 22 câmaras e os socialistas perderam 22. Sozinho ou coligado, o partido liderado por Luís Montenegro venceu nos principais municípios do país: Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Sintra e Cascais.

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Os portugueses deram luz verde ao PSD e mostraram um cartão vermelho ao PS nas eleições autárquicas deste domingo. Os sociais-democratas conquistaram mais 22 câmaras e os socialistas perderam 22. Sozinho ou coligado, o partido liderado por Luís Montenegro venceu nos principais municípios do país: Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Sintra e Cascais. Já o PS ganhou cinco capitais de distrito, enquanto o PCP e o BE foram francamente derrotados. O Chega ficou ficou longe das suas expetativas, mas ganhou três câmaras: 

O PSD conseguiu 136 câmaras, o que lhe permitirá voltar a liderar a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), que tinha perdido em 2013.

Os sociais-democratas voltaram a ser “o maior partido no poder local, com mais votos, mais mandatos, mais presidentes de Junta e de Câmara, estando em condições de liderar a associação de municípios e de freguesias”, afirmou Luís Montenegro, no seu discurso de vitória junto a Pedro Duarte que reconquistou a Câmara do Porto para o PSD.

Eu não vou dizer que é um resultado histórico, mas é extraordinariamente relevante”, disse, pedindo à comunicação social uma “análise objetiva da performance eleitoral do PSD” desde que assumiu a liderança do partido em 2022.

Luís Montenegro. Foto: ESTELA SILVA/LUSA

De resto, os sociais-democratas lideram atualmente as duas Regiões Autónomas e são também o maior partido na Assembleia da República.

Isso dá-nos uma grande responsabilidade, a responsabilidade de não falhar, a responsabilidade de traduzir em decisões concretas, em objetivos e em resultados, aquilo que é a confiança que recebemos do povo”, afirmou, assegurando que não irá desperdiçar “a expressão de um caminho de estabilidade, de confiança”.

Montenegro admitiu que o PSD teve “algumas surpresas menos agradáveis”, considerando que “faz parte das noites eleitorais das eleições autárquicas”, sem concretizar, mas numa noite em que o partido perdeu bastiões como Viseu ou Bragança, e capitais de distrito como Coimbra e Faro.

Vitória no Porto sofrida mas apaixonada

A vitória de Pedro Duarte na Câmara do Porto foi “sofrida, trabalhosa, de convicção e de paixão“, afirmou o presidente do PSD, Luís Montenegro, na sede de campanha do candidato, onde se dirigiu depois de ter passado a noite das eleições na distrital do Porto.

Luís Montenegro considerou que o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares será “seguramente uma inspiração para a região” porque vai ser “uma boa demonstração do sentido de modernidade, de equilíbrio, de coesão e de espírito transformador“.

No seu discurso de vitória, Pedro Duarte saudou “esta nossa maravilhosa cidade que hoje deu mais uma prova da sua grandiosidade e mostrou de forma tão sábia o que quer para o futuro”.

Pedro Duarte. Foto: FERNANDO VELUDO/LUSA

Esta foi uma candidatura especial, difícil, em que optamos por fazer diferente, sempre pela positiva. Rejeitamos o politicamente correto, as críticas, sempre próximos das pessoas. Foi uma campanha arriscada mas conseguimos”, regozijou-se.

Em democracia ganha-se com aqueles que ganham e com aqueles que não conseguiram ficar em primeiro lugar”, disse  Pedro Duarte.

Pedro Duarte venceu a presidência da Câmara do Porto, por uma margem de cerca de 1.700 votos. Manuel Pizarro, candidato do PS derrotado.

Por sua vez, no discurso de derrota, o socialista Manuel Pizarro fez questão de sublinhar que o PS “duplicou o número de vereadores”, de três para seis – “os mesmos dos que venceram”. Ou seja, também Pedro Duarte e a sua lista do PSD/CDS terá seis vereadores no executivo comunitário. 

Cá estaremos para assumir responsabilidades, para trabalhar por todos“, frisou Manuel Pizarro. O PS conseguiu eleger ainda “um conjunto vasto de eleitos nos outros órgãos” do concelho: duas juntas de freguesia – a do centro histórico e da Campanhã.

Menezes regressa para recolocar Gaia na frente

Do outro lado do rio Douro, Luís Filipe Menezes volta à Câmara de Vila Nova de Gaia com 46,4 por cento dos votos, doze anos depois de a ter liderado.

O social-democrata prometeu que “vai liderar para todos” e anunciou a intenção de realizar auditorias à governação socialista dos últimos 12 anos.

Luís Filipe Menezes. Foto: JOSÉ COELHO/LUSA

Menezes, que presidiu à Câmara de Gaia entre 1997 e 2013, e concorreu novamente pelo PSD/CDS-PP/IL, mostrou-se emocionado à chegada a um restaurante em Francelos, onde se reuniu a comitiva da sua candidatura. “Estou muito feliz, muito feliz”, disse, sorridente, sendo rapidamente rodeado por apoiantes que gritavam “presidente, presidente”.

O antigo líder social-democrata prometeu “muito trabalho e uma liderança que vai procurar trazer o mesmo progresso de anteriormente, para todos, tanto para quem votou em nós como para quem não votou”. Sobre as auditorias, Menezes adiantou que pretende apresentar um retrato detalhado dos últimos 12 anos do município, abrangendo todas as áreas da gestão.

O candidato celebrou também uma vitória simbólica na freguesia de Oliveira do Douro, terreno tradicionalmente socialista, outrora presidido pelo ex-autarca de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, que se retirou por perda de mandato: “Ganhámos em Oliveira do Douro. Ganhámos pela primeira vez em 50 anos”, afirmou.

O seu opositor, candidato pelo PS, João Paulo Correia, assumiu a derrota nestas eleições, mas anunciou que se inicia um “novo ciclo” para a recandidatura daqui a quatro anos.

Fui o primeiro responsável pelas escolhas. Sou, portanto, o primeiro e único responsável por este resultado eleitoral. Acredito que este resultado não é um fim. É o princípio de um ciclo que em vez de começar no poder, começará na oposição e essa é a principal mensagem que gostaria de vos transmitir. É que hoje não encerramos um ciclo, não colocamos um ponto final. Hoje iniciamos um ciclo, que por conta do resultado não começa no poder, na governação, começará na oposição“, declarou João Paulo Correia.

Lisboetas querem mais Moedas

Os lisboetas escolheram a continuidade do projeto iniciado em 2021 e reforçaram a liderança de Carlos Moedas na Câmara Municipal, em nome da “estabilidade na pluralidade desta cidade“, disse o candidato reconduzido.

O cabeça de lista da coligação “Por ti, Lisboa” afirmou que a sua candidatura conseguiu oito mandatos, mais um do que em 2021, mas ficando aquém de conseguir uma maioria absoluta, o que exigiria nove dos 17 eleitos no executivo municipal.

Carlos Moedas. Foto: LUSA

Os lisboetas foram claros. Os resultados destas eleições foram claros. Tivemos mais 30 mil votos do que da última vez. […] É absolutamente extraordinário. Ganhámos as eleições, ganhámos, reforçámos a nossa votação e os lisboetas no fundo disseram com clareza que querem mais Moedas“, declarou o autarca do PSD, referindo que neste segundo mandato terá “maior capacidade” para trabalhar.

Na sua perspetiva, os lisboetas pediram “mais firmeza” para continuar a fazer mais habitação, a cuidar dos idosos, mais segurança, a transformar o espaço público, a trazer os jovens para os bairros históricos e a apostar na inovação e na cultura.

Que façamos ainda mais aquilo com que sempre sonhámos e que por razões de governabilidade não conseguimos fazer tudo no primeiro mandato. Agora sim, agora sim, vamos conseguir“, sublinhou, perante as centenas de apoiantes.

A adversária socialista de Carlos Moedas, Alexandra Leitão, assumiu a derrota e afirmou que não se arrepende de ter feito uma “convergência bonita“, considerando que “este caminho valeu a pena, por si só, pelo bem e pelo serviço publico“.

Prometo uma oposição rigorosa, firme e positiva, com as nossas ideias do que consideramos ser o melhor para a cidade“, realçou a candidata.

No discurso de derrota, a socialista referiu várias vezes a palavra “convergência” para se referir à coligação que liderou e que contou também com o Livre o Bloco de Esquerda e o PAN – e do qual o PCP não fez parte.

Chega não atingiu todos os seus objetivos mas ganhou três câmaras

André Ventura reconhece que os resultados autárquicos ficaram aquém do esperado, especialmente em concelhos onde o Chega foi o mais votado nas eleições legislativas. Contudo, venceu as suas três primeiras autarquias: Albufeira, Entroncamento e São Vicente.

André Ventura. Foto: Direitos Reservados

É simbólico que essa primeira vitória autárquica tenha sido com maioria absoluta, com grande simbolismo da luta contra a corrupção”, garantiu.

André Ventura disse ainda que o seu partido vai “trabalhar para que estas grandes vitórias se traduzam em mais câmaras, mais assembleias e mais deputados de freguesia”. E acrescentou: “Hoje demos esse primeiro passo, mas ainda estamos longe. Este partido luta para vencer – hoje não vencemos mas vamos lutar para vencer”.

OC/, com Jorge Mota, António Proença e Alberto Jorge Santos

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