Alimentação e fertilidade debatidas em Lisboa

O evento “Fertilidade sem Tabus”, realizado em Lisboa, destacou a alimentação como fator essencial na saúde reprodutiva. Especialistas apontaram a inflamação, o intestino, os défices nutricionais e o sono como elementos-chave para homens e mulheres que procuram engravidar.

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A alimentação pode ser uma das principais aliadas ou inimigas da fertilidade, conforme foi debatido no evento “Fertilidade sem Tabus”, promovido em Lisboa pelo ginecologista-obstetra Miguel Raimundo, especialista em medicina de reprodução. A iniciativa procurou abrir espaço para uma abordagem mais informada e integrativa sobre os fatores que afetam a conceção, envolvendo não só a saúde da mulher, mas também a do homem.

A sessão contou com a participação da nutricionista Virgínia Marques, especialista em nutrição na fertilidade e gravidez, que sublinhou a importância da alimentação diária na saúde dos óvulos. “A qualidade dos óvulos não é um acaso. Ela é construída todos os dias, através das escolhas que fazemos, especialmente à mesa”

Virgínia Marques alertou ainda para a necessidade de incluir o homem na equação da fertilidade. “Um embrião é 50% óvulo e 50% espermatozoide”, realçando que os hábitos e saúde do parceiro também influenciam a taxa de sucesso na conceção. “A fertilidade não é sorte nem acaso, é o reflexo diário das escolhas que fazemos pelo nosso corpo, principalmente na alimentação. Cuidar do que comemos é cuidar da vida que queremos criar”.

Segundo a organização, a saúde intestinal foi também destacada como determinante para o equilíbrio hormonal e redução da inflamação sistémica. Uma microbiota equilibrada favorece a absorção de nutrientes e o sistema imunitário.

Foi igualmente apontado que décifits de nutrientes essenciais – como ácido fólico, vitamina D, vitamina E, zinco e selénio – comprometem a qualidade celular e o ambiente uterino. De acordo com Miguel Raimundo, a inflamação silenciosa interfere com o equilíbrio hormonal, a implantação embrionária e a qualidade do esperma. “A alimentação anti-inflamatória, rica em gorduras boas (ómega 3), frutas, vegetais e pobre em açúcares refinados e alimentos processados, é fundamental para combater este problema”.

O mesmo especialista reforçou que nutrientes específicos, combinados com um estilo de vida saudável, contribuem para a regulação hormonal. Além disso, o sono adequado desempenha um papel relevante na reparação celular, produção de melatonina e regulação do ciclo menstrual, tendo também impacto na qualidade do esperma.

Durante o evento foi realizada uma demonstração culinária, onde se apresentaram refeições simples e cientificamente fundamentadas, com o objetivo de descomplicar a alimentação e torná-la uma ferramenta eficaz no processo de conceção.

OC/RPC

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