
“Quem Cuida do Jardim” é uma distopia sobre os últimos dias da humanidade, tal qual a conhecemos. Confrontadas com o medo e as contradições da prática, quatro sobreviventes erram à porta da extinção completa, em busca de “ideias para salvar uma coisa que já nem sequer existe”.
Mapeia-se a “história escrita pelos vencedores” às avessas. Escrutina-se com avidez e sarcasmo os “prefácios, posfácios e intermédios” do arquivo da humanidade. “Mas porque é que repetiram sempre a mesma coisa?”
Nessa viagem pelos caminhos-de-ferro da memória colecionam centelhas de esperança nas primeiras formas de comunitarismo, nas sociedades matriarcais, nas mulheres recolectoras sabedoras das plantas, nos povos originários dos quatro cantos do mundo, nas sacerdotisas, naqueles que vivem da terra e a amam, nas bruxas, bichas, lésbicas e trans obliteradas. Elas digeriram e regurgitaram teorias sobre a evolução das espécies, a libertação, o apoio mútuo, sobre o fim da propriedade e do estado, sobre a ética do cuidado. Elas apontaram as falhas, os padrões e discutiram os prós e contras. Elas sabiam tanto e no entanto…

A memória também é um “perigo real”, faz-nos demorar “a decidir virar costas”, pesa-nos uma “nostalgia do passado”. “Não reparamos e repetimos. Reparamos e repetimos”. Talvez seja tarde, entranhou-se-nos nos ossos. “A humanidade existe há um quarto de segundo” e, estimado público, tem sido uma praga.
A Terra e o grande ciclo da vida que ela mantém aceso, como um anel em chamas na noite escura, não precisam de nós para nada. Pode ser o nosso fim absoluto. Pode ser o momento inaugural de uma nova forma de estar no mundo. É preciso continuar a experimentar. E de que matéria é feita essa vontade de (des)continuar?
Alice Azevedo, Bruno Huca, Carla Bolito e Diogo Freitas fazem o papel de sobreviventes ao colapso. Incluído, também, um novo ser humano, consequência de projeto laboratorial, destinado a repovoar a terra e desenhado geneticamente, segundo uma ética do cuidado.
Depois da estreia em Vila Nova de Famalicão e de uma passagem por Loulé, o espetáculo chega finalmente ao Porto e a Lisboa, no Teatro Helena Sá e Costa, a 8 e 9 de Março, e no CAL – Centro de Artes de Lisboa, de 14 a 25 de Maio, respectivamente.
Vai ser apresentada no Ponto C ( Penafiel), nos dias 6 e 7 de Junho e no Teatro Cine (Torres Vedras) a 14 de Junho.
Os bilhetes custam 10€ (7€ para menores de 30 anos, maiores de 65, pessoas portadoras de deficiência e profissionais das artes do espectáculo). À venda na BOL e nos locais de apresentação.

Quem Cuida do Jardim – Ficha Artística
Criação: Cristina Carvalhal
Com: Alice Azevedo, Bruno Huca, Carla Bolito, Diogo Freitas
Assistência de direcção: Nuno Pinheiro
Espaço cénico e Figurinos: Nuno Carinhas
Desenho de luz: Pedro Abreu
Sonoplastia e música original: Sérgio Delgado
Aderecista: Mapa Constança Rosado
Consultoria artística: David dos Santos
Fotografia cartaz: Estelle Valente
Fotografia de cena: José Caldeira
Trailer: Tomás Monteiro
Folha de sala: Cristina Roldão
Assessoria de imprensa: this is ground control
Produção executiva: Beatriz Cuba
Gestão financeira e administrativa: Ana Pereira
Co-produção: Causas Comuns, Momento – Artistas independentes, Casa das Artes de
Famalicão, Cineteatro Louletano
Apoio: Pólo Cultural das Gaivotas, Câmara Municipal de Lisboa
Agradecimentos: Aida Carvalhal
A Causas Comuns é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal – Ministério
da Cultura / Direcção Geral das Artes e é membro da Performart – Associação para as
Artes Performativas em Portugal.
A Momento – Artistas Independentes é uma estrutura financiada pelo Município de Vila
Nova de Famalicão.

SINOPSE
Quando a humanidade entrou em extinção, estava em curso um projeto laboratorial de criação de uma nova espécie de ser humano, destinada a repovoar a terra e desenhada geneticamente sob uma ética do cuidado. Quatro
sobreviventes, entre os quais um exemplar desta nova espécie, tentam agora «reparar» o mundo de forma a viverem o melhor possível. Ou sonham com isso.
Em 2008, Cristina Carvalhal dirigiu Cândido ou o Optimismo, uma adaptação da obra de Voltaire, que no final nos deixa uma enigmática sugestão:
«devemos cuidar do nosso jardim». É desse enigma que surge este espetáculo. A partir de uma pesquisa sobre o percurso das sociedades pré-históricas até à atualidade, com especial enfoque na Europa, procuramos refletir sobre alguns dogmas que enformam o nosso pensamento quando nos questionamos sobre a forma como vivemos. Dito de outra forma, como impedir a destruição de pessoas, ecossistemas e saberes, imposta por modelos organizacionais que insistimos em perpetuar?
“Pode ser o nosso fim absoluto. Pode ser o momento inaugural de uma nova forma de estar no mundo. É preciso continuar a experimentar.”

A Companhia CAUSAS COMUNS
Fundada por Cristina Carvalhal em 2004, a estrutura de produção Causas Comuns assume esta designação desde 2011 por melhor traduzir o carácter móvel que a caracteriza, onde os seus colaboradores procuram reunir “a equipa ideal” para cada projecto.
Com apresentações em países tão díspares como Finlândia, Chile, México, Inglaterra, Brasil e Bélgica, além de Portugal, procura juntar nas suas equipas profissionais de reconhecido mérito e artistas emergentes, com o intuito de «contaminar» gerações, oferecendo inovação, coerência e qualidade.
Aliada a outras instituições, promove o contacto regular do público com obras clássicas e contemporâneas de teatro, fomentando boas práticas de acessibilidade física, social e económica, e privilegiando a itinerância como forma de contribuir para a diversidade e a descentralização da oferta cultural.
A Causas Comuns é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal – Ministério da Cultura / Direção Geral das Artes e é membro da Performart – Associação para as Artes Performativas em Portugal.
A Momento – Artistas Independentes é uma estrutura financiada pelo Município de Vila Nova de Famalicão.
OC/AJS







