
Hoje, o que vos quero deixar aqui, é uma curiosidade sobre uma figura incontornável. Um homem que marcou gerações; ainda hoje é referenciado como um dos melhores jogadores da história de Portugal e um dos grandes nomes do futebol.
Acho que se não dissesse mais nada, chegaríamos rapidamente ao seu nome. É mesmo esse, Eusébio da Silva Ferreira.
Já muito se escreveu sobre o “Pantera Negra” ou “King” – apelido que lhe assenta na perfeição e eu não tenho a hombridade de o fazer.
Conto-vos apenas um pequeno evento do qual fui testemunha.
O “Pantera Negra” na época (1976/1977) veio jogar para Sport Clube Beira-Mar – Aveiro e não tenho dúvidas que foi um marco para a história do clube. Não era o Eusébio de outras glórias, mas era um símbolo nacional e isso não é coisa pouca.
Um destes dias, a minha memória reencontrou-se com aquela noite fria de janeiro. Tínhamos acabado de entrar no ano de 1977 e talvez ainda permanecesse em nós, algum brilho das festividades. Reinava na casa um calor amigo e cúmplice.
Nessa noite fria de janeiro, Eusébio festejou o seu aniversário em casa dos meus pais: os seus 35 anos. Era uma terça feira e, depois do treino desse dia, no Estádio Mário Duarte, houve festa em casa do Arlindo.
O meu pai, que trabalhava diariamente com o plantel e sempre muito solícito, não deixou passar a data e, vai daí, preparámos uma surpresa: “tu fazes um bolo!”
E fiz o bolo de aniversário para o Eusébio e naquela noite fria de janeiro, brilharam 35 velas.
Brilharam todos os olhos que ali estavam: a família da casa e outros jogadores.
Uma salva de palmas para o “Rei”!
Não lhe ensinei a fazer bolos, mas ele ensinou-me a fazer as melhores gambas fritas que comi até hoje.
Eu era uma miúda tímida e ele era uma estrela, estávamos ali no fogão à conversa. Recordo-lhe um sorriso de menino, aberto e terno e uma enorme simpatia e humildade.
A história é feita destes homens.
Ah, usou muito gindungo nas gambas. Uma chama viva na noite fria daquele 25 de janeiro de 1977.
Nada que não se resolvesse com um bom tinto lá de casa ou terá sido branco… a minha memória não chega a tanto.
Esta não é sequer uma história, porque a sua história é contada em livros, documentários e filmes; o que aqui deixo é apenas o exemplo do homem que nunca esqueceu as suas origens.
Talvez alguns dos jogadores que estiveram nessa noite a cantar os parabéns ao Eusébio, ainda se recordem dessa noite fria de janeiro.
Essa noite foi mote para muitos serões com o meu pai. Quantas vezes a repetiu aos seus dois netos, tantas… até que eles também a tornassem sua.
Acho que essa noite foi uma bandeira de Paz.
Quis a vida que partisse numa fria madrugada de domingo, 5 de janeiro de 2014, a poucos dias de completar 72 anos de idade.
Professora e Escritora














