No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência que hoje se comemora, O Cidadão visitou uma venda de Natal dinamizada pela Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo – APPDA Norte, em plena Avenida da República, em Vila Nova de Gaia.

O espaço expõe um vasto conjunto de peças doadas por sócios da instituição e também por pessoas anónimas que, com o mesmo espírito de partilha, se associam a esta causa contribuindo no apoio às pessoas com autismo, de todos os grupos etários e suas famílias.
O convite para visitar o espaço é direcionado a toda a comunidade. Os visitantes têm a oportunidade de apreciar várias peças expostas com carinho e prontas a serem vendidas a preços tão simbólicos que … parece impossível!


Para além de vários trabalhos elaborados pelos utentes da APPDA, o espaço expõe pinturas a óleo, tapeçarias manuais, livros e histórias infantis, brinquedos, peças de louça antigas e modernas, crochets, lãs, roupas, entre outras.


O Autismo
A Associação Americana de Psiquiatria define a Perturbação do Espectro do Autismo como uma “síndrome neuro-comportamental com origem em perturbações do sistema nervoso central que afeta o desenvolvimento típico da criança. Os sintomas surgem nos primeiros três anos de vida e incluem três grandes domínios de perturbação: social, comportamental e comunicacional” (in, American Psychiatric Association, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 2013).
O Autismo já foi considerado raro, pode ler-se num flyer distribuído na referida venda de Natal. Contudo, estudos epistemológicos já demonstraram que o autismo afeta cerca de 1 em cada 100 pessoas.
Em Portugal, existe apenas um estudo realizado por Guiomar Oliveira, que data de 2005, que aponta para uma prevalência estimada de cerca de 1 em cada 1000 crianças em idade escolar.
Os principais sinais de Autismo são: déficits de comunicação social e interação social; padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades; nalguns casos, dificuldades sensoriais, como aumento ou redução da sensibilidade à luz, som, cor, cheiro, paladar e tato.

APPDA-Norte
A impossibilidade de as pessoas com Perturbações do Espectro Autista poderem, historicamente, integrar-se no sistema, quer pelos graves problemas de comportamento que manifestam, quer pelo desfasamento do programa escolar relativamente às necessidades e incapacidades que apresentam, desencadeou a criação de uma estrutura que lhes desse resposta de um modo integral.
A própria APPDA conta a história no seu site. Em 1971 foi criada em Lisboa, por um grupo de pais e técnicos, a Associação Portuguesa para Proteção às Crianças Autistas (APPCA), que começou o seu trabalho com um Centro de Dia. Em 1982, um grupo de pais e amigos no Norte de Portugal, lançaram-se na tarefa da criação de uma delegação.
A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia cedeu o terreno em que foi implantado um pavilhão pré-fabricado, os Rotary Club de Gaia e os Lions Clube de Gaia ofereceram o equipamento e a Fundação Calouste Gulbenkian subsidiou o meio de transporte.
O Centro Regional de Segurança Social do Porto apoiou a iniciativa e, no dia 27 de janeiro de 1984, foi estabelecido um protocolo de cooperação para o funcionamento do Centro de Dia do Monte da Virgem, apoiando então 10 crianças.
Posteriormente, esta associação passou a ser designada como Associação Portuguesa para Proteção aos Deficientes Autistas (APPDA).
Em 1996, no âmbito de uma candidatura ao PIDDAC, começou a construção de um edifício de raiz em terreno próprio. Neste edifício estão hoje instalados um centro de Atividades Ocupacionais (com capacidade para 30 utentes) e um Lar Residencial (com capacidade para 20 utentes).
Já em 2002 e pela cisão da Associação Portuguesa para a Proteção aos Deficientes Autistas, a Delegação Regional autonomizou-se passando a funcionar como APPDA Norte – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, à qual foi reconhecida a utilidade pública.
Atualmente, a APPDA-Norte oferece os seguintes serviços: Centro de Estudos de Apoio à Criança e à Família (CEACF); Centro Local de Intervenção no Desenvolvimento (CliD); Grupos para Autonomia e Socialização em Contexto (GASC); Centro de Atividades Ocupacionais (CAO); Lar Residencial
A celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência visa promover os direitos e bem-estar das pessoas com deficiência, na sociedade e a sua participação nos vários domínios social, cultural, económico e político.
Maria Paulo (texto e fotos)
Jornalista free-lancer







