Um em cada cinco alunos têm explicações privadas – Indica estudo da Fundação “La Caixa”

A despesa média mensal por aluno é de 126,4 € por mês, num mercado total de 300 milhões de euros por ano. Nas famílias com rendimentos mais elevados, 1 em cada 4 alunos tem explicações e a despesa com explicações é cerca de 30% mais elevada do que entre as famílias que têm situação financeira menos confortável. O estudo “O mercado das explicações na Península Ibérica”, do Observatório Social da Fundação ”la Caixa”, sugere assim que este reforço escolar pode contribuir para o agravamento das desigualdades educativas.

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Segundo o estudo O mercado de explicações na Península Ibérica, desenvolvido no âmbito do Observatório Social da Fundação ”la Caixa”, 20% dos estudantes entre os seis e os dezoito anos em Portugal frequentam explicações fora do sistema educativo formal. Em termos absolutos, a análise estima que cerca de 200 mil estudantes em Portugal recebem apoio educativo privado. Do ponto de vista económico, o estudo indica que o mercado de explicações em Portugal movimenta mais de 30 milhões de euros por mês, o que corresponde a cerca de 300 milhões de euros por ano. Uma grande proporção desta despesa é feita no âmbito da economia informal, já que apenas 58% das pessoas indicam que os serviços são faturados.

Portugal em comparação com Espanha

Menor frequência, maior custo: Em Portugal, 1 em cada 5 alunos frequenta explicações, face a 1 em cada 4 em Espanha. No entanto, as famílias portuguesas gastam, em média, cerca de mais 30 euros por mês por aluno (126,4 € em Portugal vs. 97 € em Espanha).

Maior aposta em acompanhamento individual: As sessões de explicações individuais são significativamente mais comuns em Portugal (41,8%) do que em Espanha (25,3%), o que ajuda a explicar o maior custo médio suportado pelas famílias portuguesas.

Desigualdade económica mais acentuada em Portugal: As famílias portuguesas em situação económica confortável gastam, em média, mais 28% em explicações do que aquelas com dificuldades financeiras, enquanto em Espanha essa diferença é de 18%, indicando um impacto mais forte do rendimento no acesso a este tipo de apoio educativo em Portugal.

Motivações distintas: Em Portugal, a preparação para exames é uma das principais razões para recorrer a explicações (31,3%), enquanto em Espanha essa motivação é residual (5,3%), sendo mais frequente a procura por apoio educativo genérico.

Em conjunto, estes dados mostram que, apesar de uma taxa de frequência ligeiramente menor, o recurso às explicações em Portugal é mais intensivo e financeiramente mais exigente do que em Espanha, com implicações claras ao nível da equidade educativa.

A investigação tem por objetivo compreender como as famílias complementam a educação formal com aulas adicionais, bem como analisar as características deste reforço educativo. O estudo foi elaborado por Bruno P. Carvalho, Pedro Freitas, Susana Peralta, Francisco M. Pereira, Juan Carlos Rodríguez e Mercedes Esteban Villar. Em Portugal, os dados foram recolhidos através de um inquérito online realizado em 2024, numa amostra representativa de 2400 agregados familiares, e documentam que cerca de 235.000 agregados familiares recorrem a este tipo de serviço, abrangendo mais de 269.000 alunos.

Quanto gastam as famílias por região

O estudo evidencia diferenças relevantes no recurso a explicações a nível territorial. As regiões do Algarve e Alentejo destacam-se pela elevada proporção de famílias que recorrem a explicações. O Algarve é a região do país com a despesa em explicações por agregado mais elevada (144 €), contrastando com o Alentejo onde a despesa é a mais baixa (105 €).

Explicações como fator de desigualdade

O estudo revela a existência de disparidades significativas, tanto na decisão de frequência de explicações como no montante gasto, em função do poder de compra das famílias. Os agregados familiares que declaram uma situação financeira mais confortável gastam, em média, mais cerca de 30% em explicações do que aqueles que manifestam dificuldades em chegar ao fim do mês. Do mesmo modo, a proporção de estudantes que frequentam explicações aumenta com a melhoria da situação económica, passando de 17,9% entre os agregados familiares em situação de maior fragilidade financeira para 25,9% entre aqueles que declaram com uma condição económica confortável.

Apesar do peso financeiro associado a este tipo de apoio, os dados mostram que o recurso às explicações é transversal a diferentes níveis de rendimento, o que implica que o custo de oportunidade para manter este investimento educativo é proporcionalmente mais elevado para as famílias de menores rendimentos. Esta pressão financeira sobre os agregados de baixos rendimentos pode estar associada a uma redução de outras despesas essenciais.

Direitos Reservados


Retrato do mercado de explicações em Portugal

O estudo debruça-se também sobre as características das sessões de explicações, mostrando, por exemplo, que a sua prevalência varia de forma significativa consoante o nível de ensino. A incidência atinge o seu valor máximo no ensino secundário, onde um em cada três alunos (33%) em Portugal beneficia deste apoio. Segundo os autores, a maior frequência de explicações no ensino secundário está associada ao peso dos exames nacionais, que têm implicações decisivas no acesso ao ensino superior e condicionam fortemente as decisões das famílias.

O inquérito mostra também que as disciplinas com maior procura de explicações são a matemática, que ocupa a primeira posição (69,8%), seguida do português (45,8%), do inglês (19,8%) e da física/química (11,5%). A maioria das sessões decorre em centros de explicações (51,8%) e, em menor proporção, no domicílio do aluno (9,6%). O formato predominante é o de aulas em grupo, que representam cerca de 50% dos casos, enquanto as aulas individuais correspondem a 41,8%.

Direitos Reservados

Apesar do tempo médio semanal dedicado às explicações ser praticamente idêntico em Portugal e em Espanha, as famílias portuguesas gastam, em média, mais cerca de 30 euros por mês e por aluno. Este facto resulta da maior prevalência de aulas individuais e de uma aposta mais intensiva em acompanhamento personalizado, mas também se traduz numa maior pressão financeira sobre os orçamentos familiares em Portugal.


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