O Porto rendeu-se a um dos espetáculos mais aguardados do ano. No âmbito da celebração dos seus 40 anos de carreira, a mítica banda provou que o seu legado permanece tão atual como nos anos 80.
A Sala Suggia, na Casa da Música, não foi apenas uma sala de concertos, foi o cenário perfeito para uma viagem épica. Quando os primeiros acordes da gaita de foles e o pulsar cadenciado das percussões ecoaram, ficou claro que a noite não seria apenas de nostalgia, mas de celebração de uma sonoridade que definiu o pop-rock português.
Ao equilibrar a precisão eletrónica com a alma orgânica da tradição, os Sétima Legião provaram que a sua música não envelhece, apenas ganha patine, criando uma atmosfera simultaneamente fria e envolvente que reafirma o seu génio criativo em pleno 2026.
Os Momentos Altos
O concerto foi estruturado como uma cronologia emocional da banda:
Abertura Solene: O grupo entrou em palco sob fortes aplausos, atacando o repertório com a sobriedade e a elegânciaque lhes são características.
O “Hino”: Como seria de esperar, o momento de maior comunhão aconteceu com “Sete Mares”. A plateia, que se manteve em respeitoso silêncio durante as peças mais instrumentais, explodiu num coro uníssono.
Viagem ao “Porto”: Houve uma carga emocional extra pelo facto de estarem na Invicta, cidade que sempre acolheu com fervor a mistura de música eletrónica, pós-punk e folclore da banda.
Som e Legado
A excelência acústica da Casa da Música revelou-se a aliada fiel para desvendar a complexidade das composições do grupo. Entre o timbre inconfundível da voz de Pedro Oliveira e a mestria de Rodrigo Leão nos teclados e sintetizadores, o público foi recordado da razão pela qual os Sétima Legião são considerados um pioneiro do “Som de Portugal”.
Se em estúdio a música dos Sétima Legião se revela uma arquitetura detalhada, ao vivo transforma-se em pura emoção, através de um concerto sóbrio e sem artifícios desnecessários, onde a sonoridade se sobrepôs a qualquer efeito visual. No final, ficou a certeza de que a “Legião” continua a marchar com a mesma firmeza de outrora, provando que a sua obra é intemporal e não conhece prazo de validade.
Este concerto marca um dos pontos altos da programação cultural da cidade neste início de 2026, reafirmando a Casa da Música como o palco privilegiado para os grandes regressos da música nacional.
O espetáculo contou com a assinatura da UGURU. A promotora confirmou, com este evento, a sua aposta contínua na qualidade e na diversidade artística que tem caracterizado a sua programação.
Fotógrafo/Editor/Engenheiro Eletrotécnico







