As agências noticiosas Associated Press (AP) e Reuters e a estação televisiva do Qatar Al Jazeera confirmaram hoje a morte de trabalhadores ou colaboradores nos ataques israelitas ao hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza.
De acordo com os dados, 19 pessoas morreram neste ataque de Israel ao hospital de Nasser, cinco dos quais jornalistas que trabalhavam para os media internacionais.
São eles: Hossam Al Masri (repórter de imagem da Reuters), Mohamed Salama (repórter de imagem da Al Jazeera), Mariam Abu Dagga (repórter da AP) e Moaz Abu Taha (que, segundo o governo de Gaza, era repórter da estação norte-americana NBC, embora a estação ainda não se tenha pronunciado sobre o assunto). Um quinto jornalista, Ahmed Abu Aziz, morreu também, depois de ter sido transferido para o hospital com ferimentos graves. Trabalhava para a Quds News Network, uma agência que conta com voluntários em toda a Palestina.
O local atacado pelo ‘drone’ israelita, o pouso da escada de incêndio no último andar do Hospital Nasser, era frequentemente usado por jornalistas dos media internacionais para filmagens e transmissões ao vivo devido à vista de Khan Yunis a leste e às boas conexões de energia e Internet.
Israel lamenta
O exército israelita lamentou “qualquer dano a pessoas não envolvidas” com grupos extremistas palestinianos no duplo ataque ao hospital de Khan Younis.
O ataque desta manhã consistiu em dois impactos aéreos, o primeiro dos quais matou o câmara de imagem da Reuters, que trabalhava na escada. Colegas jornalistas e socorristas correram para socorrê-lo quando foram atingidos por um segundo impacto.
Num comunicado sobre o ataque, a Reuters confirmou que Hossam Al Masri morreu no primeiro ataque contra o hospital, enquanto o fotógrafo Hatem Khales, também seu colaborador, ficou ferido no segundo.
A agência britânica acrescentou que Al Masri estava encarregado da gravação ao vivo do hospital e observou que a transmissão do vídeo foi interrompida pelo ataque inicial de ‘drones’ israelitas.
A Al Jazeera também confirmou a morte de Mohamed Salama, enquanto a agência de notícias norte-americana AP expressou consternação e tristeza com a morte de Mariam Dagga, que visitava o hospital regularmente para as suas coberturas.
A AP destaca, entre os trabalhos mais recentes de Dagga, reportagens sobre crianças famintas e desnutridas em Gaza.
“Estamos a fazer todo o possível para manter os nossos jornalistas seguros em Gaza, enquanto eles continuam a fornecer informações cruciais em primeira mão em condições difíceis e perigosas”, acrescentou a AP.
De acordo com o governo de Gaza, 244 jornalistas e ‘influencers’ foram mortos em Gaza desde o início da ofensiva israelita em outubro de 2023, um número que o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, em inglês) estima em 192 repórteres.
Esta organização americana afirma que a ofensiva israelita na Faixa de Gaza tornou-se numa das guerras mais mortais para jornalistas em décadas, desde seu início em outubro de 2023.
As forças israelitas “lamentam qualquer dano a indivíduos não envolvidos e não atacam jornalistas enquanto tal”, disse o comando militar num comunicado citado pela agência de notícias EFE.
O exército confirmou o ataque de hoje “na zona do Hospital Nasser, em Khan Younis”, no sul da Faixa de Gaza, sem especificar o motivo.
Ao longo da guerra em Gaza, Israel matou dezenas de jornalistas, trabalhadores humanitários e pessoal médico, que costuma acusar de serem membros do grupo extremista Hamas ou de representarem algum tipo de ameaça para as tropas.
A Reuters informou que a transmissão ao vivo do hospital operada por Al-Masri foi interrompida repentinamente no momento do primeiro ataque.
Após o bombardeamento, outros jornalistas e socorristas correram para o ajudar, quando aconteceu o segundo impacto, de acordo com imagens transmitidas em direto pelo canal egípcio Al Ghad.
“O primeiro ataque teve como alvo o quarto andar do complexo médico Nasser, seguido de um segundo ataque, enquanto ambulâncias chegavam para resgatar os feridos e mortos”, afirmou o Ministério da Saúde de Gaza em comunicado.
O ataque também matou um estudante de Medicina, um funcionário de segurança do hospital e um socorrista da Defesa Civil de Gaza, disseram as autoridades locais.
Anteriormente, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e organização a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) tinham registado cerca de 200 jornalistas mortos desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
Na sequência do ataque de hoje, o diretor-geral da RSF, Thibaut Bruttin, exigiu o “fim da impunidade” de Israel.
“Até onde irão as forças armadas israelitas na ação de eliminação progressiva da informação em Gaza? Até quando desafiarão o direito internacional humanitário?“, indignou-se Bruttin num comunicado citado pela EFE.
O Hospital Nasser é uma das últimas instituições de saúde ainda parcialmente funcionais na Faixa de Gaza.
OC/AJS/Agências







