Felizmente tenho algumas dezenas de canais televisivos para poder ter alternativas.
É que, acabada a campanha eleitoral para as autarquias, ainda zoam nos ouvidos barbaridades aberratórias ou passagem de atestados de demência aos mais distraídos. Não gosto e pronto.
Depois, contas feitas, adoro ouvir os contorcionistas verbais, a converter estrondosas derrotas em vitórias.
De facto, de 3 para trinta só vai um zero, que, mesmo à direita pode valer pouco, conforme as virgulas, mas o Gonçalo Capitão com os seus fetiches musicais, e melhor que ninguém, conhecedor do “tutti fruti”, pode brincar com esses algarismos, e proporcionar titeradas no parlamento.
Quando a política está intragável, faço “zapping”. Corro vários canais e vejo-os todos a falar do Mourinho, do Benfica e suas eleições . Que vontade de atirar um paralelo ao ecrã. Que grande injecção! Mas porque é que fico assim? Não tenho que ficar, mas custa-me aceitar que a economia portuguesa respire odores vermelhos ou “encarnados”, cor inventada num qualquer talho da capital.
Disse-o o Mexia, numa altura em que, como sempre, andava descompensado ou com uma quebra de inteligência – “Para bem da economia portuguesa é bom que o Benfica seja campeão!” – Disse.
Esta gente não tem noção dos estratos sociais que Portugal tem
nem das dificuldades que tantas famílias passam para sobreviver.
O CAOS EM PORTUGAL
Um dia, Fernando Melo , ex-presidente da CM Valongo, recentemente falecido, contou que, em África, onde serviu como militar-médico, foi ao mato para assistir a um parto de risco. Quando lá chegou, a senhora já tinha posto o bebé no mundo, mas aquela família beijou-o de agradecimento por um parto que ele não fez. Isto em África.
Como se Portugal fosse um país africano nos anos sessenta, na zona de Lisboa os bebés estão a nascer dentro das ambulâncias nas bermas das estradas, porque o SNS está ao gosto da ministra. O INEM está doente, a justiça à velocidade da lesma, os sistemas nos aeroportos estão…. não estão, sequer. A segurança está miserável. A PSP abre concursos para 600 candidatos a agentes, aparecem 300! Não chegam para os numerus clausus. Este país está com tantas falhas e o povo só vê futebol.
A burca, legalizações de estrangeiros, atribuição de nacionalidade, de momento, serve sim para distrair os portugueses dos grandes problemas existentes.
Jornalista







