Origem simbólica do ovo
Antes do Cristianismo, o ovo já era um símbolo de vida nova, fertilidade e renascimento em várias culturas, especialmente na primavera. Com o tempo, o Cristianismo adotou o ovo como símbolo da ressurreição de Jesus, representando o túmulo selado que, ao ser “aberto”, revelou a nova vida (a ressurreição).
Tradições cristãs
Durante a Quaresma (os 40 dias antes da Páscoa), os cristãos antigos evitavam comer carne, laticínios e ovos. No Domingo de Páscoa, o jejum era quebrado — e os ovos, que haviam sido guardados, eram cozidos, decorados e oferecidos como presente.
Do ovo verdadeiro ao ovo de chocolate
A tradição de decorar ovos de galinha evoluiu para ovos feitos de açúcar ou chocolate, a partir do século XVIII, especialmente na Europa. Os franceses e os alemães foram pioneiros em moldar ovos de chocolate. Com o avanço da indústria do chocolate no século XIX, os ovos tornaram-se mais populares e acessíveis.
Tradição moderna e comercial
Hoje, o ovo de chocolate é também uma forma de celebração comercial da Páscoa, especialmente entre crianças. Ele mantém o simbolismo da vida nova, mas com um toque doce e moderno.
Origem do coelho como símbolo
O coelho (ou lebre) sempre foi associado à fertilidade e renovação da vida, por ser um animal que se reproduz com grande rapidez — algo que se relaciona com a chegada da primavera no hemisfério norte.
Esses símbolos eram comuns em festas pagãs da fertilidade, como as celebrações à deusa germânica Eostre (ou Ostara), que simbolizava o renascimento e a primavera — e que, curiosamente, deu origem ao nome “Easter” em inglês.
Adaptação cristã
Com o avanço do Cristianismo, muitos símbolos pagãos foram incorporados às festas cristãs. O coelho foi integrado como um símbolo de vida nova, combinando com o espírito da Ressurreição de Jesus celebrada na Páscoa.
Coelho que traz ovos?
A tradição do coelho que traz ovos coloridos surgiu na Alemanha, no século XVII. Lá, as crianças faziam “ninhos” para o coelho da Páscoa deixar os ovos. Imigrantes alemães levaram essa tradição para os Estados Unidos, onde ela se espalhou rapidamente. A ideia evoluiu: dos ovos de galinha decorados para os ovos de chocolate que o coelho “traz”, como uma espécie de “Pai Natal da primavera”.
Tradição moderna
Hoje, o coelho da Páscoa é uma figura central nas comemorações, especialmente para as crianças, e é usado em decorações, campanhas publicitárias e histórias infantis — sempre associado à alegria, renovação e doçura da Páscoa.
Diferentes coelhos com diferentes conceitos e em diferentes continentes…
China
Símbolo: Coelho da Lua (兔子, Tùzi)
Significado: Associado à lua, à longevidade e à medicina.
Lenda famosa: O Coelho de Jade, que vive na lua e prepara o elixir da imortalidade. Ele é companheiro da deusa Chang’e.
Zodíaco chinês: Um dos 12 animais. Pessoas nascidas no ano do Coelho são vistas como gentis, calmas e sensíveis.
Japão
Símbolo: Também associado à lua.
Cultura popular: Diz-se que há um coelho amassando arroz (mochi) na lua — tradição que veio da China.
Caráter: Representa inocência, graça e agilidade.
Alemanha
Símbolo: Osterhase (Coelho da Páscoa)
Significado: Fertilidade e renascimento.
Origem: A tradição do coelho da Páscoa teria começado na Alemanha, onde crianças faziam ninhos para que o coelho deixasse ovos coloridos.
Estados Unidos
Símbolo: Easter Bunny (coelho da Páscoa)
Significado: Semelhante à Alemanha — fertilidade e alegria da primavera.
Cultura pop: O coelho é também presente em muitos desenhos animados (como o Pernalonga) e livros infantis.
Brasil
Símbolo: Coelho da Páscoa
Significado: Assim como na tradição cristã ocidental, ele representa a fertilidade e a renovação da vida.
Cultura popular: É figura marcante nas comemorações da Páscoa com ovos de chocolate.
México e povos indígenas
Mitologia Asteca: O deus da lua Metztli às vezes é associado a um coelho.
Lenda: Um coelho foi lançado à lua por um deus (Quetzalcóatl), ficando sua forma gravada na superfície lunar — explicação mitológica para as manchas da lua.
Culturas indígenas norte-americanas
Símbolo: O coelho pode ser um trapaceiro (trickster), como nas lendas dos Cree ou Ojibwa.
Características: Inteligente, astuto e por vezes brincalhão ou desafiador das regras.
E as amêndoas?
A amêndoa, por ser um fruto com semente, está ligada à vida nova, fertilidade e renascimento — tudo a ver com o espírito da Páscoa, que celebra a ressurreição de Cristo. É também um dos primeiros frutos a florescer na primavera, o que reforça essa ligação à renovação da natureza.Em Portugal, especialmente no Norte, é tradicional os rapazes oferecerem amêndoas às raparigas por quem estão interessados na altura da Páscoa — e elas retribuíam, ou não, dependendo da resposta ao “cortejo”. As amêndoas, além do sabor doce, também eram vistas como um gesto de carinho e desejo de boa sorte.
Influência da doçaria conventual
A produção de amêndoas cobertas com açúcar (as clássicas amêndoas cobertas, brancas ou coloridas) tem raízes em receitas conventuais portuguesas e espanholas. Os doces conventuais usavam muitas amêndoas, e com o tempo passaram a ser associados a festas religiosas.
Herança mediterrânica
Em países como Grécia e Itália, amêndoas doces são comuns em celebrações religiosas (casamentos, batizados e Páscoa), representando pureza, esperança e prosperidade. Em Itália, há o “ovo de Páscoa de amêndoa” (colomba pasquale), que é um bolo com amêndoas no topo, em forma de pomba.
Ligação judaica?
Durante o Pessach (a Páscoa judaica), também há uso de frutos secos e sementes, como parte do simbolismo da libertação e da renovação. Embora não esteja diretamente ligada às amêndoas em si, há uma conexão cultural entre as celebrações da primavera e os alimentos simbólicos.
Músico/Colaborador







