O Mar enrola no Ferro e a minha iniciação sexual… – Por António Ferro

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O Mar enrola no Ferro
Ninguém ouve o que ele diz
Bate na areia e desmaia
Porque quer ver o Ferro Feliz!


Durante sete anos vivi na Afurada, com a praia de rio a cinco minutos da minha casa e a praia de mar a dez. Quantas vezes fui à praia?… Três ou quatro vezes, provavelmente!

Agora que vivo em Campanhã, vou quase todos os dias a Espinho ou à Póvoa de Varzim! São duas praias sem pedras e com uma temperatura de água, mais ao menos razoável, atendendo à temperatura das praias do norte…

Confesso que o meu relacionamento com a praia, na minha adolescência, não foi o melhor…

Seguia a minha mãe e algumas vezes a minha avó que, curiosamente, usou o fato de banho antes da minha mãe, e a praia era sempre a mesma, a Parede! Um verdadeiro “retiro” para a terceira e algumas vezes, a quarta idade…Diziam que fazia muito bem aos ossos, por causa do iodo… Mas o meu problema não era o iodo ou a falta dele, o meu problema que se iniciou na adolescência e foi até à idade adulta, eram as mamas!

Como era gordinho, tinha o peito com um saliência, mais do estilo feminino…

E a frase mais ouvida nessa altura, foi: – Porque não usas soutien?

Só consegui ultrapassar este problema, quando acompanhei uma cantora “lesbo”
e ela me confidenciou que uma amiga dela, do mesmo “clube”, gostaria de estar com um homem, embora colocasse algumas exigências…Apreciou e elogiou as minhas mamas e mais um trauma ultrapassado…

Por volta dos meus treze anos, estava a dar os primeiros passos na intelectualidade pois já lia Wilhelm Reich (Escuta Zé Ninguém), um dos discípulos de Freud que mais tarde se insurgiu contra o seu mestre…Na altura já atuava no conjunto que tocava aos domingos nas Oficinas de S. José (Campo de Ourique – Lisboa). Como as meninas ainda eram virgens (penso eu…), foi fácil cativá-las para os meus conhecimentos sobre orgasmos…Como eu ainda era virgem, quando chegava a altura de deixar os beijos para trás, é que era pior, eu não continuava, desistia!…

Mantive-me virgem até aos dezoito anos, idade em que tinha forçosamente que deixar do ser! Fui pelo método antigo – “ir às putas.

Escolhi erradamente o Bairro Alto!

Depois de deambular pelas ruas, escolhi uma e do acordo monetário aceite por mim, segui atrás dela até ao quarto insípido e desconfortável…

Ela tirou as calças, manteve a camisola de gola alta branca e acendeu um cigarro.

Despacha-te filho tenho mais que fazer…

Na altura interroguei-me: – O que uma prostituta teria assim de tão importante, além de ser prostituta (machista!)…

Como a minha reação de encalistração, bisonharia e timidez foi tão grande, que o membro se escondeu ainda mais nas calças despidas…

Eu continuava intrêmulo e inativo, ouvi a frase que me acompanhou e me aprazou por largos anos.

Se não tens tesão, mata-te!

Tirei a virgindade com a minha primeira mulher e de uma forma, eu diria, um pouco hiperbólica e abusiva! Pois queria experimentar na mesma noite, todas as práticas e posições que eu vira na pornografia, de quem já era cliente há muito tempo…

Depois nasceu o nosso filho e questiono? – Porque será que a atividade sexual de um casal, se altera, com o nascimento de um filho…Começam as dores de cabeça, a mulher torna-se mais fria, muito mais desinteressada no sexo! (nem todas, claro!)

Na minha atividade de músico, algumas vezes chegava tarde, ou nem chegava… Foi uma altura em que o Hot Club, serviu de desculpa para muitos dos meus atrasos… Como vivíamos do outro lado do rio Tejo e os barcos tinham hora de encerrar, resultava na perfeição. Fui engatado por uma ninfomaníaca, vou evitar entrar em mais detalhes, pois esses é que são escandalosos e imorais…

Depois surgiu a “vingança”!!!…Como já tinha tesão, fui às putas e experimentei pela primeira vez os “shemales” e gostei! O homem, nunca me atraiu sexualmente…

O vício da pornografia manteve-se até alguns anos atrás…E como é difícil perder este vício…Nem sabem como (?)…É um vício isolado e, estranhamente, muito pouco abordado, mas ele está lá! No outro dia li um livro sobre vícios…Fiquei espantado quando referiram que qualquer vício tem um prazo de noventa dias e que só depois, e sem termos recaídas é que podemos dizer que estamos curados!

E o vício da pornografia, é um vício sem assessoramento e arrimo, talvez por aviltamento e constrangimento de quem o pratica. Conhecem alguma associação intitulada “Pornográficos Anónimos”?…

Mas os “Alcoólicos Anónimos” existem!…

Entretanto, passaram muitos anos e muitas vivências…Seis mulheres e quatro amantes! Chega?

Estou solteiro há algum tempo e nunca fui tão feliz na minha vida!

Nunca ouvi tanta música, nunca escrevi e li tanto, e nunca me senti tão liberto e livre, na minha vida! Será um bom presságio para um pré-reformado!

Para o próximo ano e X meses, decerto até lá, os meses vão crescer…Entrarei finalmente, na melhor fase da minha vida!

Deixei de ouvir os telefonemas:

Onde estás? Estou a ouvir uma voz de uma mulher!

O leite, aposto que já te tinha esquecido…

Por onde andas? E o jantar…

Agora sim! vou para onde quero, quando quero, à hora que quero e ninguém vai voltar a intimidar ou decretar em mim…

Com o cartão verde da CP, já fui a Braga, Lagos, Guimarães, Marco de Canaveses, Coimbra e Leiria. Escolho sempre o domingo, o dia mais angustiante da semana para mim. Lembram-me os almoços obrigatórios, em casa dos sogros e dos pais, lembro-me também, dos almoços solitários na Golegã…

Sr. António, vem almoçar sozinho?…

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