O jornalismo é uma das profissões no mundo mais dignas e beneméritas. O profissional dá tudo pelos outros. Quem opta por ser jornalista tem de se compenetrar de algo quase único no mundo laboral. Que tem de ser sério e nunca será rico.
O jornalismo é uma das mais destacadas formas de adrenalina pura. O seu sistema nervoso está sempre no limite e, não é por acaso, que não temos muitas notícias de jornalistas que cheguem aos 90 anos. O jornalista que vive o ambiente frenético de uma redação, que atende 20 chamadas por turno, que realiza reportagens com perigosidade física, que entrevista um desalojado de um bairro de lata ou um ministro, que reporta uma guerra em pleno teatro bélico entre dois países, que é louvado pelo diretor, é um jornalista feliz. Conhecemos muitos camaradas que realizámos reportagens onde a polícia de choque nos deu forte e feio e levámos o trabalho para a redação com uma felicidade indiscritível.
Hoje em dia, os cursos superiores de jornalismo dão a ideia ao profissional que tudo sabem. Não sabem nada. Só a tarimba da redação, da rua, do confronto, da procura da verdade, da investigação com base em fontes credíveis, das lágrimas que correm pela face quando não se conseguiu saber o que se pretendia e vai-se pela rua cabisbaixo e tem de se entrar para um bar. A aprendizagem está aí. O jornalista mulher ou homem tem de procurar o convívio. Caso contrário, terá de procurar outra profissão. Um arrogante, introvertido ou “doutor” não serve para servir o jornalismo com ética, cordialidade, verdade e coragem. O convívio com os mais diferentes estratos sociais é fundamental para que um jornalista possa sempre apresentar um trabalho do agrado do seu leitor.
Contudo, o jornalista tem sempre de ter em mente que o tempo não pára e que a sua profissão a grande velocidade em muito pouco tempo passa para o passo de tartaruga. E aí, a sua existência passou a ser com o computador. Começa a sentir o chamado jornalismo solitário. Um tempo onde pensa três vezes antes de escrever o que deseja. Passa a dedicar-se a enviar uns artigos par jornais ou revistas. Acabam as viagens de trabalho. Começa a solidão a transmitir vivamente todo um passado. E muitos jornalistas optam por editarem livros. Fazem bem. A sua experiência de vida e de profissão inserem centenas de estórias que não devem ficar na gaveta cerebral.
Apenas há um “crime” que é cometido ao jornalista solitário: os seus conhecimentos de décadas, de história, de política, de ética, de seriedade, deviam ser chamados às redações dos jornais onde estão os jovens jornalistas e serem convidados a palestrar sobre todo e qualquer assunto que pudesse aumentar o conhecimento do jovem jornalista.
Um conselho final a quantos optaram por adquirir a Carteira Profissional: nunca tenham medo de ninguém, lutem sempre pela verdade, nunca se deixem vender por qualquer caixa de chocolates e nunca se coloquem atrás da polícia de choque, mas sim sempre ao lado do povo.

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