O fascismo desconhecido

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Em Portugal vivem-se momentos políticos de pura perturbação. Já nem a casa da democracia é respeitada. Mais parece a tasca do ti Manel, ali perto da Ribeira no Porto.

A democracia ultrapassou os 50 anos de existência. Só os mais velhos se recordam do que se passou anteriormente no nosso país. E esses velhos deviam ser subsidiados para se deslocarem pelos estabelecimentos de ensino testemunhando o que foi uma ditadura de mais de 40 anos. Os velhos tinham de explicar ao jovens que se estivessem a conversar numa esquina mais de três pessoas que a polícia política, levava-os presos. Tinham de explicar que no café existiam uns “bufos” que ouviam as conversas e que depois toda a família dos clientes viria a sofrer consequências. Tinham de explicar que não existia liberdade de informação, muito menos liberdade para ofender um professor, que os presos políticos depois de passarem anos nas prisões eram deportados para o Tarrafal ou para Timor. Tinham de comunicar o que era a censura e que não poderiam estar a ler 90 por cento das notícias que agora leem em O Cidadão. Tinham de explicar que pagaram dinheiro para que os seus filhos fugissem para França, a fim de não serem mandados para uma guerra colonial, onde foram mortos milhares de jovens iguais aos que andam agora por aí a apregoar que um líder de um partido racista e xenófobo é o maior. Que a gritar e a insultar é que é o caminho para o tal fascismo desconhecido.

Inacreditavelmente, homens de bem que aprovaram a Constituição e que foram convidados pela Assembleia da República a estar presentes na cerimónia comemorativa dos 50 anos da existência da Constituição, foram insultados e vilipendiados, sendo obrigados a abandonar chocados, as bancadas do Parlamento. Quase que não se acredita que

passados 50 anos se pretenda alterar, de forma fascizante, a Constituição e a lei da nacionalidade. Uma maioria democrática não pode assistir de ânimo leve ao incremento de teses neofascistas que se apregoam como tentativa de mudança de regime e que incluem a expulsão de imigrantes que estão a depositar milhões de euros na Segurança Social. Os democratas se não forem firmes na luta pela liberdade, podem crer que a irão perder daqui a uns anos, caso vençam os gritos, os impropérios, a demagogia e o populismo.

Por ora, a maioria ainda se vai rindo dos palhaços no circo político, mas não pensem que o riso é eterno. Se neste circo político onde o palhaço-rico já dá bofetadas no palhaço-pobre, imaginem só o que será quando o circo terminar porque os palhaços-pobre já estarão todos entre as grades…

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