Montijo cancela Carnaval por razões financeiras e de planeamento

O vice-presidente do Município do Montijo explicou que a autarquia "enfrenta problemas estruturais prioritários, nomeadamente nas áreas da educação, da higiene urbana, da manutenção das estradas e de outros serviços essenciais à qualidade de vida dos munícipes”. Perante este contexto, afirmou que “os recursos financeiros disponíveis devem ser aplicados de forma responsável e orientados para responder a essas necessidades concretas”.

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O vice-presidente da Câmara Municipal do Montijo, Ilídio Massacote, responsável pelo pelouro da Cultura, comunicou a decisão do executivo municipal de não realizar o Carnaval no presente ano.

De acordo com o vice-presidente, trata-se de uma decisão assente em “critérios de responsabilidade, rigor e respeito pelo interesse público”. Ilídio Massacote sublinhou, na última reunião camarária, que “não existe tempo útil para preparar o Carnaval com a qualidade, dignidade e dimensão que um evento desta natureza exige e que o Montijo merece”.

Carnaval (arquivo 2017). Foto: site CM Montijo

O responsável explicou ainda que “uma realização apressada comprometeria a organização, a segurança, a qualidade artística e o impacto junto da comunidade”, o que, acrescentou, “não se coaduna com os padrões de exigência que este executivo assume”.

Em segundo lugar, a decisão resulta de uma opção clara por uma gestão rigorosa dos recursos públicos. Nesse sentido, o autarca destacou que “o Município do Montijo enfrenta problemas estruturais prioritários, nomeadamente nas áreas da educação, da higiene urbana, da manutenção das estradas e de outros serviços essenciais à qualidade de vida dos munícipes”. Perante este contexto, afirmou que “os recursos financeiros disponíveis devem ser aplicados de forma responsável e orientados para responder a essas necessidades concretas”.

Carnaval (arquivo 2017). Foto: site CM Montijo

O vice-presidente recordou ainda que “no ano anterior, a realização do Carnaval representou um encargo de cerca de 191 mil euros para o erário público” e considerou que esse investimento “revelou uma falta de planeamento gritante”. Referiu que “ao cair uns pingos de chuva, os carros não puderam sair porque o risco para os figurantes e para o público não estava acautelado, quando o mais normal, em fevereiro, é chover em Portugal e no Montijo”. Acrescentou ainda que “não foi reposto o corso no fim de semana seguinte, nem nos seguintes, e os carros ficaram ao ar livre, sujeitos às intempéries”, concluindo que “os 191 mil euros dos impostos dos montijenses foram deitados fora, sem razão”.

Ilídio Massacote fez questão de afirmar de forma clara que “esta decisão não representa um afastamento da cultura nem das tradições populares do Montijo”. Pelo contrário, garantiu que “este executivo assume o compromisso de trabalhar de forma planeada, participada e responsável para que, em 2027, o município possa voltar a organizar um Carnaval que honre verdadeiramente o Montijo, com qualidade, sustentabilidade financeira, envolvimento das coletividades e orgulho para todos os montijenses”.

Em conclusão, o autarca sublinhou que “esta é uma decisão política assente na priorização, no rigor financeiro e numa visão de médio prazo, colocando as necessidades fundamentais do concelho no presente, sem abdicar da ambição cultural para o futuro”.

Após a declaração, esclareceu ainda que “esta decisão foi comunicada às associações parceiras em anteriores edições do Carnaval e noutras festividades, em reunião, e é agora apresentada oficialmente em reunião de Câmara, perante o executivo que nos merece o respeito institucional”.

OC/MP

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