Liga Portugal | FC Porto, 2- Famalicão, 2 – Portistas tremem e minhotos aproveitam

Estamos plenamente de acordo com Farioli , "O FC Porto esteve abaixo do seu padrão e não merecia ganhar." Mas também com Hugo Oliveira , "Fizemos um grande jogo de futebol." O somatório destas duas predisposições deu empate. Um empate justo  que penaliza mais os portistas, deixam a concorrência próxima. Quanto ao Famalicão, continua com o Braga na mira e a crença de que chegar ao quarto lugar é possível.

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O Famalicão apresentou-se no Dragão disposto a disputar os pontos com o FC Porto. Sem receios e com muita coragem. E ontem, para os dragões conseguirem fazer frente e levar de vencida os minhotos, teriam de fazer um grande jogo. O que não aconteceu.

O momento em que Fofana marca um grande golo. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

E a apresentação de intenções por parte da equipa famalicense foi logo aos 3 minutos. Valeu ao FC Porto uma grande defesa de Diogo Costa, a remate de Gustavo Sá, depois de um bom trabalho na ala por parte de Sorriso.

O jogo foi emocionate, sempre muito disputado. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Mas não ficaram por aqui as ofensivas perigosos dos minhotos- Gustavo Sá ( por duas vezes) e Elisor fizeram a defesa portista tremer – o que não é muito comum.

Só à passagem da meia hora  é que Moffi criou oportunidade para os locais. Que iam tendo a posse da bola, mas sem grande velocidade e baixa pressão. Uma equipa pouco intensa que cometia erros; o adversário aproveitava para lançar contra-ataques.

Mora (FC Porto), Gustavo Sá e Amorim (Famalicão) em duelo intenso no meio campo. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

As peças do “motor”

Costuma dizer-se, alguém inventou, mas desconheço o autor, que o meio-campo é o motor da equipa. O Luís Freitas Lobo até costuma chamar-lhe a “casa das máquinas”. Estamos de acordo com ambas as definições. E neste particular, o FC Porto costuma ter um “miolo” muito forte, recuperador de bolas, intenso, pressionante e pouco errático. Varela, Froholdt e Mora, habitualmente, “carburam” muito bem. Ontem, nem por isso. Como qualquer motor, se uma das peças que o constituem falha, o “todo” também falha. Rodrigo Mora, lesionado, deixou o jogo aos 43 minutos e Froholdt esteve irreconhecível – não na entrega ao jogo, mas na eficácia. Lento, pouco pressionante e a perder muitas bolas. E quando um jogador como ele está “em baixo”, a equipa ressente-se. Ou não tenha sido ele, em muitos jogos, o elemento mais relevante.

Zaidu em fuga à defesa do Famalicão. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

O centro da defesa também vacilava. Kiwior e Bednarek davam mostras de algum cansaço e cometiam lapsos de posicioamento. Zaidu, “amarelado” muito cedo, saiu ao intervalo. Alberto Costa, além de um golo de belo efeito, esteve muito longe do que costuma fazer.

Na frente, sem “municiamento”, Moffi, Pepê ou Pietuszewski não podiam brilhar. 

O FC Porto não “funcionou”. Referimo-nos ao FC Porto a que estamos habituados a ver jogar. E não foi por falta de vontade dos seus jogadores. Foi por estarem, globalmente, em má condição física. A que não será alheia a ida às seleções, tendo alguns jogado os 90 minutos há, apenas, 3 dias.

Famalicão agiganta-se

O FC Famalicão já nos mostrou esta época, em diversos jogos, que é uma equipa forte, muito bem organizada e com jofgadores que conseguem criar desequilíbrios. Cresce quando o adversário  encolhe. Rodrigo Pinheiro marcou o golo da vitória aos 99 minutos, na última jogada do encontro. Mas não foi fruto do acaso. Hugo Oliveira, o “mister” dos minhotos, aprecebendo-se de que o FC Porto estava apenas a defender-se, à espera que o jogo acabasse, mandou a sua equipa subir.  “Exigiu” que todos subissem. E acabou por ser um defesa – Rodrigo Pinheiro – a marcar o golo do empate.

Portista Kiwior ataca a bola nas alturas. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Gustavo Sá (como é que ainda não está numa equipa de topo?) é o “maestro” da orquestra minhota. Mas tem, à sua volta, excelentes executantes – Gil Dias, Elisor e Sorriso. Dois “carregadores de piano” muito eficazes – Van de Looi e Amorim. E uma defesa com centrais fortes, nomeadamente, De Haas; os dois laterais são muito ofensivos – Rafa e Rodrigo Pinheiro. 

Hugo Oliveira mexeu na equipa e acertou. Nem sempre acontece, mas os jogadores que entraram, integraram-se muito bem na dinâmica da equipa e ajudaram ao “pressing” final.

Fofana

Seko Fofana entrou aos 44 minutos para render o lesionado Rodrigo Mora. E se havia na equipa portista quem não merecesse perder o jogo era ele. Não só pelo golo que marcou aos 91 mintos e que pôs a equipa em vantagem, mas também pela intensida e força que trouxe à equipa. Costuma ser um jogador decisisvo. E ontem também podia ter sido. Marcou um golo de grande qualidade. Entrou pela esquerda, fintou dois jogadores do Famalicão e atirou, cruzado, para o segundo poste da baliza de Carevic. Um grande golo.

Fofana foi dos melhores em campo. Foto dde ANTÓNIO PROENÇA

Fofana é daqueles jogadores (a par com Pablo Rosário) que são de uma utilidade imprescindível em qualquer equipa. Jogam, fazem jogar, transmitem energia quando a equipa está abúlica e contagiam (no bom sentido) os espetadores.

Não é qualquer equipa que consegue quebrar a vantagem do FC Porto. O Famalicão fê-lo por duas vezes. E teve mérito. Não foi por acaso.

Sorriso a apontar o primeiro golo do Famalicão. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

O FC Porto parece-nos ter sido “vítima” das seleções. Não é normal ver jogadores essenciais à equipa render tão pouco no jogo. E não podemos esquecer de que os “dragões” têm 7 jogos em abril, e qual deles o mais difícil! Pode ser, pois, abril, a decidir o  campeonato, a Taça e a LIga Europa para o clube da cidade Invicta. Na quinta-feira próxima recebem o Nothingham Forest. 

Adivinhe onde está a bola? No fundo da baliza do Famalicão, após golo de Alberto Costa. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

O árbitro procurou ser discreto. Como não agradou a “gregos e troianos”, deixamos essa discussão para os “especialistas” e habituais comentadores do “frame a frame”.

Declarações

Francesco Farioli (treinador do FC Porto):“Não merecíamos ganhar”

Francesco Farioli. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Jogámos abaixo do nosso nível. Não conseguimos apresentar o rendimento que deveríamos. A primeira parte foi muito difícil, com muitos erros e sem o ritmo que queríamos. A exibição desta noite não foi boa.

Ainda assim, conseguimos alguns momentos e estivemos perto de ganhar, mas a verdade é que ficámos aquém dos nossos padrões.

Depois das paragens internacionais é sempre complicado. Pode ser uma questão física, mental… não sei ao certo. Falámos muito, nestes dias, sobre a importância de nos reconectarmos rapidamente, mas hoje não conseguimos estar ao nível que precisávamos.

Fomos demasiado passivos. Faltou-nos velocidade, agressividade e qualidade na construção. Isso levou a uma exibição abaixo do nosso nível.

Quero ser honesto: hoje não merecíamos ganhar. Claro que às vezes é bom conseguir resultados mesmo sem jogar bem, e tivemos essa possibilidade, mas não fomos capazes de o fazer.

O Rodrigo Mora sentiu dores na outra perna. Ainda não temos uma avaliação completa, vamos perceber melhor a situação hoje, domingo”.

 

Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):“Estou orgulhoso”

Hugo Oliveira, treinador do Famalicão. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Foi uma Páscoa que vai deixar muitas memórias para os adeptos do Famalicão, e é para isso que nós trabalhamos. Os resultados acabam por ser menos importantes do que a coragem, os caminhos e a personalidade que demonstrámos hoje.

Jogámos contra um adversário fortíssimo, líder do campeonato, uma equipa com muito poder e que vinha num momento importante. Ainda assim, fizemos um grande jogo de futebol. Entrámos fortes, podíamos ter marcado cedo, criámos mais oportunidades do que o adversário.

Sabíamos que, contra o FC Porto, íamos passar por momentos de maior dificuldade, momentos em que teríamos de baixar linhas, mas os jogadores tiveram um comportamento exemplar. Foi um jogo muito intenso, com grande exigência tática.

Acima de tudo, o orgulho está em sermos fiéis à nossa identidade. Não fugimos dela, seja em que estádio for. Hoje viveu-se um ambiente fantástico, de jogo grande, entre duas boas equipas.

Os jogadores crescem, evoluem, e hoje era fundamental interpretar bem o jogo, sobretudo sem bola, perceber os caminhos do FC Porto, quando pressionar e quando não pressionar. Essa nuance era fundamental.

Ao mesmo tempo, isso não podia afetar a nossa personalidade com bola. Somos uma equipa que constrói com o guarda-redes, que joga com 11, e isso cria dificuldades aos adversários. Tenho orgulho na forma como os jogadores estiveram no jogo.

Agora, o futebol também tem de dar algo de volta. E a nós tem de dar pontos. Quem trabalha, cresce e evolui acaba por ser recompensado — e acredito que isso vai acontecer.

Não pensamos no quinto lugar. Pensamos apenas no próximo jogo. Desde o início da época que a nossa forma de estar é essa: jogar para ganhar o jogo seguinte”.

Ficha

Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Famalicão, 2-2.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores:

1-0, Alberto Costa, 35 minutos.

1-1, Sorriso, 54.

2-1, Seko Fofana, 90+1.

2-2, Rodrigo Pinheiro, 90+9.

 FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Jakub Kiwior, Jan Bednarek, Zaidu Sanusi (Martim Fernandes, 46), Alan Varela, Victor Froholdt, Rodrigo Mora (Seko Fofana, 44), Pepê (Borja Sainz, 74), Terem Moffi (Deniz Gül, 60) e Oskar Pietuszewski (William Gomes, 46).

 Suplentes: Cláudio Ramos, Thiago Silva, William Gomes, Pablo Rosario, Borja Sainz, Deniz Gül, Seko Fofana, Martim Fernandes e Francisco Moura).

Treinador: Francesco Farioli.

 Famalicão: Lazar Carevic, Rodrigo Pinheiro, Justin de Haas, Ibrahima Ba, Rafa Soares, Mathias de Amorim (Marcos Peña, 61), Tom van de Looi, Gil Dias, Gustavo Sá (Pedro Santos, 79), Sorriso (Roméo Beney, 90) e Simon Elisor.

Suplentes: Ivan Zlobin, Gustavo Garcia, Léo Realpe, Marcos Peña, Umar Abubakar, Roméo Beney, Pedro Bondo, Antoine Joujou e Pedro Santos).

Treinador: Hugo Oliveira.

Árbitro: Sérgio Guelho (AF Guarda).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Zaidu Sanusi (21), Tom van de Looi (45+2), Jan Bednarek (69), Alan Varela (70), Rafa Soares (90+5), Alberto Costa (90+6) e Justin de Haas (90+6).

Assistência: 46.762 espetadores.

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e António Proença (Fotos)

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