O jogo começou ontem, quando, em Braga, o Sporting deixou dois pontos. A partir daí, FC Porto e Benfica, pegaram na calculadora e perceberam o que seu jogo, hoje, poderia dar.
Se o FC Porto vencesse, fugiria na classificação, e deixava os “encarnados” muito longe da luta pelo 1º lugar.

O Benfica percebeu as contas. E vai daí, imprimiu ao jogo um ritmo frenético, tentando encostar o FC Porto às cordas desde muito cedo. Rafa, Prestianni e Schjelderup – principalmente o primeiro – davam ao meio campo dos lisboetas uma velocidade estonteante. Porém, com pouco critério no momento de decidir.
Os “Dragões” entravam iguais a si próprios – fortes e muito bem organizadas defensivamente e rápidos a sair para o ataque. E dominaram os primeiros 45 minutos,marcando dois golos, tecnicamente muito bem executados. O primeiro por Froholdt e o segundo por Pietuszewski, que fez de Otamendi “gato sapato” – o que não é fácil – e disparou para a fundo da baliza de Trubin.
Com dois golos na bagagem, merecidos, os portistas geriam a partida a nseu bel-prazer. E punham um Benfica frenético a correr atrás do prejuízo, mas com pouca clarividência.
Este resultado permitia ao “onze” de Farioli iniciar a segunda parte mais tranquilo do que o seu adversário. Até porque, na primeira, todas as estatísticas demostravam a sua superioridade – mais remates, mais enquadrados e mais posse.
Mas o futebol, todos sabemos, pode mudar a qualquer momento. E um golo, mexe “nas cabeças” dos jogadores e altera, à vezes mais, do que as substituições promovidas pelo treinadores.

A segunda parte começou na mesma toada. Um Benfica veloz, mais ainda e um FC Porto tranquilo. Temendo surpresas desagradáveis, Farioli retirou os dois jogadores “amarelados” ( Gabri Veiga e Pepê), e fez entrar Fofana e William Gomes. E a equipa mudou. O meio campo passou a recuar mais. Saiu ainda Martin Fernandes, substiuído por Francisco Moura. A equipa não melhorou, antes pelo contrário. Passou a “tremer” com os ataques benfiquistas, o que não acontecera no período inicial da partida. Aguentaram até ao 70 minutos, quando Schjelderup fez o primeiro golo do Benfica, após remate de Lukebakio ao poste.
Há jogos em que as substituições resultam na perfeição, outras vezes contibuem para o descalabro. E isto já aconteceu a todos os técncicos de todas as equipas.
Neste, foi José Mourinho quem acertou. Lukebakio, Ivanovic e Barreiro (renderam Rafa, Barrenechea e Prestianni) e ambos os golos passarm pelos seus pés. Aliás, Barreiro marcou o segundo.
Percebeu-se a intenção do treinador do FC Porto, mas o coletivo começou a acusar desgaste físico e as entradas não trouxeram o aporte energético que pretendiria.

Com a saída de Martim Fernandes – fez um grande jogo! – a ala direita do ataque benfiquista passou a ser um território adequado a raides perigosíssimos. Se o “miolo” esteve sempre bem protegido, os corredores, nem por isso.
No minuto 96, próximo do apito final, há um lance em que o Benfica pede penalti por derrube de Diogo Costa a Pavlidis. Poderá ter havido, mas no meomento exatamente anterior, Barreiro empurrou Froholdt e foi essa jogada que João Pinheiro sancionou. Portanto, quando a bola chega a Diogo Costa e Pavlidis, o jogo já estava parado.
Para Mourinho, as substituições funcionaram na perfeição.
Lukebakio e Schjelderup foram os melhores no Benfica e Froholdt e Pietuszewski, os melhores dos “Dragões”.
Com este resultado, os portistas mantém a liderança com 4 pontos de vantagem; quanto ao Benfica, está morder os calcanhares ao Sporting e este campeonato vai ter ainda muita animação atá ao fim.

O árbitro João Pinheiro não está isento de erros, mas teve uma atuação regular, pois não teve influência na decisão da partida.
Declarações
José Mourinho (treinador do Benfica):“Péssima primeira parte”

“Não vi o último lance, já não estava no banco, não tive ocasião de ver na televisão e não quero cometer o mesmo erro da semana passada, de pedir penálti e depois não era. Quanto à minha expulsão, o árbitro diz que me expulsou porque rematei uma bola contra o banco do FC Porto, o que é falso. Já o fiz muitas vezes aqui na Luz, festejar um golo a chutar uma bola para a bancada. Depois, o elemento do banco do FC Porto que também foi expulso (Lucho González) e no túnel chamou-me 50 vezes de traidor, gostava que me explicasse porquê. Uma coisa são os insultos dos adeptos, é futebol, são os mesmos que se ajoelhavam aos meus pés, agora insultam-me, não há problema. Mas um colega de profissão chamar-me traidor, de quê? Não gostei. E o quarto árbitro fez um trabalho péssimo durante todo o jogo e continuou a fazer um trabalho péssimo quando disse que rematei uma bola contra o banco do FC Porto.
Durante uma parte do jogo, eles estiveram mais perto de ganhar do que nós. Construíram uma equipa com uma ideia, aquilo que eles querem, o perfil de jogador que foram buscar é para aquilo. É muito difícil jogar contra o FC Porto e são muito superiores a nós na intensidade. Quando perdes muita bola contra o FC Porto, vais correr atrás deles, mas eles vão de mota e tu vais de bicicleta. Vieram para ganhar, apanharam-se em vantagem e depois são peritos na gestão do jogo, das faltas, dos protestos. Nós fizemos uma péssima primeira parte porque permitimos que fizessem o jogo deles. Ao intervalo, a prioridade foi equilibrar a equipa do ponto de vista psicológico. Dissemos que se fizéssemos o 2-1 o jogo podia mudar, como mudou. Foi coração, orgulho, desejo de ganhar, de não perder. Jogamos pela classificação e pelos adeptos, mas diria que, de acordo com o que eles queriam fazer e nós queríamos fazer, eles foram mais fortes do que nós.”
Sobre a continuidade no Benfica
“Não tive nenhuma conversa com Rui Costa nesse sentido de continuar no Benfica na próxima época. Quanto a ficar tudo na mesma na frente do campeonato, aconteceu o mesmo que na primeira volta.”
A classificação
“A classificação não se altera, a única coisa que muda é que já não jogamos com o FC Porto, faltam 27 pontos, mas considero difícil a recuperação de sete pontos. É muito difícil jogar contra eles e não me parece que seja fácil. Mas no futebol, matemática é matemática, tudo pode acontecer”.
Otamendi (jogador do Benfica):“Ainda acreditamos”

“Acho que obviamente o resultado não era o que queríamos, queríamos somar os três pontos. Os primeiros 45 minutos foram distrações nossas em que eles chegaram ao golo. Mesmo assim procurámos sempre a baliza contrária e não conseguimos finalizar. Fica um sabor amargo de perdermos dois pontos. Ainda acreditamos, ainda faltam nove jogos, que para nós são finais. Acredito que os que estão em cima de nós ainda vão perder pontos.”
A lesão
“Foi um golpe no nervo e fiquei sem sentir o pé, mas está a voltar ao normal. Recuperar esta semana para depois estar bem no próximo jogo”.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto):“Estivemos perto do nosso objetivo…”

“Viemos para ganhar, mas devido à falta de eficácia não conseguimos o que todos queríamos. Viemos com uma equipa muito jovem, com uma média de idades de 23 anos e pouco, e os dois golos foram marcados pela próxima geração, de jogadores nascidos em 2006 e 2008. São bons sinais, mas agora o importante é recuperar para os desafios que nos esperam em Estugarda.
A prestação foi muito positiva. Não devemos esquecer que há algumas semanas o nosso adversário marcou aqui quatro golos ao Real Madrid e estar a ganhar 2-0, aqui, ao intervalo, é notável. Estivemos perto do nosso objetivo, mas claro que estamos desiludidos porque tivemos oportunidades mais do que suficientes para matar o jogo.”
Possível penalti
“Pelas imagens que vi, para mim, é claro que a decisão do árbitro é correta.”
Futuro
“Há 27 pontos para jogar numa liga muito competitiva. Todos estamos muito motivados, vamos jogo a jogo, não devemos subestimar o facto de que os nossos adversários também não perdem nos últimos jogos”.
Diogo Costa (jogador do FC Porto):“Acho que merecíamos mais do que o empate.”

“Entrámos muito bem no jogo, com a energia certa, também de querer mudar o resultado do ano passado. Entrámos muito fortes nos duelos, a querer ganhar. Na segunda parte, não soubemos gerir o jogo, faltou um pouco mais de maturidade. Mesmo assim, com o empate, continua tudo igual. A confiança continua lá.
Continua tudo igual, temos de continuar a fazer o nosso trabalho. O FC Porto é uma equipa trabalhadora, que sempre procura esforçar-se mais do que o adversário. Um pouco frustrado pelo empate, acho que merecíamos muito mais”.
Ficha
Estádio da Luz, em Lisboa.
Benfica – FC Porto, 2-2.
Ao intervalo: 0-2.
Marcadores:
0-1, Froholdt, 10 minutos.
0-2, Pietuszewski, 40.
1-2, Schjelderup, 69.
2-2, Barreiro, 88.
Benfica: Trubin, Dedic (Bah, 82), Tomás Araújo, Otamendi (António Silva, 75), Dahl, Ríos, Barrenechea (Barreiro, 75), Prestianni (Lukebakio, 65), Rafa (Ivanovic, 65), Schjelderup e Pavlidis.
Suplentes: Samuel Soares, Bah, António Silva, Manu Silva, Barreiro, Sudakov, Lukebakio, Ivanovic e Anísio Cabral.
Treinador: José Mourinho.
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Martim Fernandes (Francisco Moura, 58), Alan Varela, Froholdt, Gabri Veiga (Séko Fofana, 46), Pepê (William Gomes, 46), Pietuszewski (Borja Sainz, 64) e Deniz Gül (Moffi, 78).
Suplentes: Cláudio Ramos, Thiago Silva, Francisco Moura, Pablo Rosario, Séko Fofana, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Moffi.
Treinador: Francesco Farioli.
Árbitro: João Pinheiro (AF Braga).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Pepê (26), Otamendi (35), Gabri Veiga (35), Diogo Costa (45+5), Martim Fernandes (58), Alberto Costa (78), William Gomes (81), António Silva (90+7) e Alan Varela (90+7). Cartão vermelho para o treinador José Mourinho (90).
Assistência: 66.366 espetadores.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Gonçalo Bravo (Fotos)
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