Liga Europa| FC Porto, 2 – Estugarda, 0 – Alemães esbarraram numa muralha de ferro

Com uma exibição segura, apoiada por uma defesa férrea, um guarda- redes que fez quatro ou cinco extraordinárias defesas e um "super Froholdt" na segunda parte, o FC Porto venceu, ontem, o Estugarda por 2-0 (agregado 4-1) e apurou-se na Liga Europa. Segue-se o confronto com o Nottingham Forest, treinado por Vítor Pereira, um conhecido campeão pelo FC Porto. E assim, após este jogo, o futebol "uefeiro"  português fez o pleno na eliminatória.

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Froholdt marcou o segundo golo do FC Porto. Pepê salta-lhe para os ombros a festejar. Foto de GONÇALO BRAVO

“Tenho toda a confiança de que vamos passar“, dizia o presidente do Estugarda. “É mais difícil para eles estarem com um golo de vantagem“, afirmava Hoeness, treinador da equipa alemã. Enfim, uma espécie de “mind games”, daqueles que apimentam de forma postiva os jogos – longe dos que, por cá,muitas vezes, deviam envergonhar quem os profere. E lá tiveram os homens de Estugarda de engolir tudo o que disseram. São uma boa equipa, mas o FC Porto foi superior nos dois jogos e passou com inteiro mérito.

William Gomes acaba de marcar o primeiro dos portistas. Foto de GONÇALO BRAVO

Muitas alterações

Pondo já na equação Vitor Pereira, o técnico do próximo adversário dos portistas, há quem tenha dito que conhece muito bem o clube e isso é mau para o FC Porto. Pois conhece. A filosofia desportiva, que é a mesma  há mais de 40 anos – vencer e vencer. Mas não conhece a equipa, porque Farioli, com as alterações que faz (fez), coloca em campo jogadores de características muito diferentes.

Para poupar jogadores – é com certeza essa a intenção – no jogo frente ao Estugarda trocou sete habituais titulares – Kiwior, Froholdt, Gabri Veiga, Gul, Pepê, Varela e Martim Fernandes. Estes jogadores transformam a equipa, que fica diferente com Zaidu, Thiago Silva, Mora, Moffi, Rosário e Fofana. São “roupagens”  diferentes que mudam a equipa, sem perda de qualidade técnica e competitiva.

O Estugarda foi uma equipa muito ofensiva. Foto de GONÇALO BRAVO

Dito e feito

Francesco Farioli tinha dito na antevisão da partida que a equipa tinha de entrar como se o jogo estivesse 0-0. E assim foi. Não se acobardou, não ficou na “retranca”, à sombra do resultado que trazia da Alemanha. Se o tivesse feito, dificiilmente conseguiria passar.

Porque o Estugarda é uma equipa forte, com grande andamento competitivo, rápida com bola, dura e que joga bem. Os seus jogadores sabem pressionar e ganham muitos duelos. Tem um defeito, a nosso ver. Insistem num ataque vertiginoso, mas deixam, nas costas dos avançados, muirto espaço. Que, neste jogo, o FC Porto aproveitou muito bem.

Partes iguais

O jogo não foi muito diferente nas duas partes. Os alemães com mais bola, mais ataques – afinal, cabia-lhes virar o resultado. E com muitas aproximações e lances perigosos. Porém, quando chegavam à defesa do FC Porto, batiam num autêntico muro, ou se quisermos, numa autêntica muralha de ferro, quase intransponível. E quando optavam pelo remate de meia-distância, Diogo Costa defendia. Fez meia dúzia de defesas só ao nível dos grandes guarda-redes mundiais. Uma exibição de mão cheia!

Moffi conduz ataque do FC Porto. Foto de GONÇALO BRAVO

Duas “facadas”

A meio da primeira parte, numa das saídas rápidas do FC Porto e que tanto perigo causaram (na Alemanha também), a força de Fofana, o génio de Rodrigo Mora e a qualidade de William Gomes deram a primeira “facada” nas ambições dos alemães. Aos 21 minutos os portista aumentavam a vantagem da eliminatória para 3-1, com o golo de William Gomes.

E o Estugarda foi à procura. Mostrou uma crença tremenda, uma capacidade mental e uma resposta a um resultado negativo própria dos grandes clubes das grande ligas. 

 

Na segunda parte foi o FC Porto que incomodou primeiro a baliza de Nubel, mas sem sucesso. A seguir, veio uma autêntica “cavalgada” da equipa do sudoeste da Alemanha. Obrigou os portistas a recuar e durante algum tempo sofreram.

Até chegar o minuto 72. Froholdt, que entrou ao intervalo para render Mora (tocado), marcou um golo espetacular! Um grande golo, numa grande partida de futebol. E por um grande jogador. Froholdt, quando está “fresco”, é imprevisível. Corre, corre, corre, farta-se de ganhar lances, joga bem de cabeça e tem uns pés que nasceram para jogar a bola.

Adeptos do FC Poto viveram uma noite feliz. Foto de GONÇALO BRAVO

A partir daqui, houve uma ligeira reação alemã, mas sentiu-se que a equipa, finalmente, deixou de acreditar.

E o FC Porto geriu, tranquilamente, o resto do tempo que faltava para jogar.

O maior destaque nos portistas vai para Diogo Costa. Depois, para os centrais (Bednarek e Thiago Silva) e para Froholdt. Sem esquecer Zaidu, que está em excelente forma e parece que “renasceu”, após um estranho “apagão” na época passada.

O árbitro esteve longe das exibições que o celebrizaram como um dos melhores do mundo do apito. Anthony Taylor exagerou no capítulo disciplinar e tomou decisões estranhas a julgar os lances a meio campo. Não teve influência no resultado – não existiram lances polémicos de VAR -, mas não fez um trabalho de grande nível.

Declarações

Francesco Farioli (Treinador do FC Porto) : “Esta noite foi um fantástico jogo do Diogo Costa” 

Francesco Farioli, treinador do FC Porto . Foto de FC PORTO

 “Acho que merecemos vencer no computo dos dois jogos.

Hoje, foi muito complicado, eles começaram bem, mas conseguimos defender, numa primeira parte em que durante alguns momentos não conseguimos ter a posse de bola.

Esta noite foi um fantástico jogo do Diogo Costa. Se calhar foi a melhor homenagem ao Silvino [antigo guarda-redes do FC Porto que morreu hoje].

O facto de termos ficado atrás não foi por nossa causa, mas sim deles. Apostámos no contra-ataque e nessa parte a equipa cumpriu.

Tivemos muita maturidade e grande espírito, numa grande atmosfera no Dragão, sem esquecer que jogámos contra uma equipa de uma das grandes ligas da Europa.

Agora vamos defrontar o Nottingham, que é treinado por um grande treinador ,Vítor Pereira, antigo treinador do FC Porto e que tem um histórico fantástico no clube, mas tudo a seu tempo. Agora, o foco é na I Liga e no jogo com o Sporting de Braga “.

 

 Jan Bednarek (jogador do FC Porto): “Fomos mais fortes”

Bednarek, Foto de GONÇALO BRAVO (Arquivo)

“Foi um jogo muito difícil, principalmente na primeira parte. Eles estiveram bem, mas defendemos bem e conseguimos vencer. Defender bem foi essencial hoje.

Eles tiveram as suas oportunidades, mas hoje fomos mais fortes. Nos momentos cruciais fomos mais fortes, principalmnente nos contra-ataques.

A final de Istambul ainda está longe, mas vamos passo a passo”.

 

 Viktor Froholdt (jogador do FC Porto e autor de um golo):“Estamos orgulhosos”

Froholdt foi uma das grandes figuras do jogo. Foto de GONÇALO BRAVO

Estou feliz por ter contribuído com um grande golo.

Defrontámos uma equipa de topo da Liga alemã, tivemos de lutar em alguns momentos, mas defendemos bem e conseguimos aproveitar as transições para passar. Estamos orgulhosos”.

 

Sebastian Hoeness (Treinador do Estugarda) :”FC Porto tem muitas hipóteses de vencer a Liga Europa”

“Estou desapontado, viemos cá com o objetivo de seguir em frente, mas não conseguimos.

Sebastian Hoeness, treinador do Estugarda..Foto de GONÇALO BRAVO

Olhando para os dois jogos, temos de felicitar o FC Porto, mas também temos de felicitar o guarda-redes deles, que esteve incrível nos dois jogos.

Tenho de felicitar a minha equipa pela atitude, mas não conseguiu marcar hoje. Tivemos muitas oportunidades, muitos remates, mas no final perdemos o jogo. Hoje, merecíamos marcar pelo menos um golo.

O FC Porto tem agora muitas hipóteses de vencer a Liga Europa”.

Tiago Tomás (Jogador do Estugarda) : “Eles avançaram e são agora grandes candidatos.”

Tiago Tomás (Estugarda). Arquivo/ Direitos Reservados

 “Nos computo dos dois jogos, o FC Porto foi mais forte do que nós.

Hoje, podíamos ter chegado ao intervalo em vantagem, mas o Diogo Costa esteve muito bem e evitou o nosso golo. Na segunda parte, tivemos menos discernimento e o FC Porto aproveitou bem.

A forma como abordámos o jogo levou o mesmo para o que eles são bons, defender bem e depois aproveitar os contra-ataques.

Nós e o FC Porto temos equipas muito fortes, eles avançaram e são agora grandes candidatos [a conquistar o troféu”.

 

Ficha do Jogo

 Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Estugarda, 2-0.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores:

1-0, William Gomes, 21 minutos.

2-0, Froholdt, 72.

 FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek, Zaidu (Kiwior, 57), Pablo Rosario, Rodrigo Mora (Froholdt, 46) , Fofana (Alan Varela, 73), William Gomes (Pepê, 57), Borja Sainz (Martim Fernandes, 65) e Moffi.

Suplentes: Cláudio Ramos, João Costa, Martim Fernandes, Kiwior, Prpic, Francisco Moura, Alan Varela, Gabri Veiga, Froholdt, Deniz Gül, Pepê, Gonçalo Sousa.

Treinador: Francesco Farioli.

Estugarda: Nübel, Luca Jaquez, Julian Chabot, Ramon Hendriks, Max Mittelstadt (Tiago Tomás, 61), Angelo Stiller (Chema Andrés, 78), Atakan Karazor (Nikolas Nartey, 61), Bilal El Khannouss, Deniz Undav (Badredine Bouanani, 78), Chris Fuhrich (Lorenz Assignon, 78) e Demirovic.

Suplentes: Bredlow, Florian Hellstern, Josha Vagnoman, Lorenz Assignon, Ameen Al-Dakhil, Chema Andrés, Nikolas Nartey, Mirza Catovic, Tiago Tomás, Badredine Bouanani.

Treinador: Sebastian Hoeness.

Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Pablo Rosario (07), Zaidu (23), Rodrigo Mora (25), Demirovic (35), Luca Jaquez (63), Nikolas Nartey (76 e 77) e Lorenz Assignon (89). Cartão vermelho por acumulação de amarelos para Nikolas Nartey (77).

Assistência: 40675 espetadores.

 

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Gonçalo Bravo (Fotos)

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