O Autódromo Internacional do Algarve recebeu este domingo a penúltima ronda do Campeonato do Mundo de Motociclismo, com corridas eletrizantes nas três categorias que definiram os contornos finais da época antes da última etapa em Valência.
MotoGP: Bezzecchi implacável no Algarve
Marco Bezzecchi (Aprilia) protagonizou uma exibição magistral em Portimão, dominando o Grande Prémio de Portugal do início ao fim. O piloto italiano, que partiu da pole position, liderou as 25 voltas e cruzou a meta isolado, conquistando a sua segunda vitória da temporada e a terceira da Aprilia em 2025 – um recorde histórico para a marca italiana numa única época.

Álex Márquez (Gresini Ducati) garantiu o segundo lugar, terminando a 2,583 segundos do vencedor, após resistir a um ataque tardio de Pedro Acosta (KTM), que completou o pódio em terceiro lugar. O jovem espanhol montou uma ofensiva nos momentos finais, aproximando-se a menos de um segundo de Márquez, mas ficou sem tempo para consumar a ultrapassagem, terminando a apenas 0,605 segundos do segundo classificado.

Fermín Aldeguer conseguiu uma recuperação notável, subindo da 11.ª posição na grelha até ao quarto lugar final. Brad Binder (KTM) foi quinto e Fabio Quartararo (Yamaha) fechou os seis primeiros.

A corrida ficou marcada pela queda de Francesco Bagnaia (Ducati) na volta 11, quando rodava em quarto lugar. Foi o quarto abandono consecutivo aos domingos para o italiano. Com este resultado, Bezzecchi abriu 35 pontos de vantagem sobre Bagnaia na luta pelo terceiro lugar do campeonato, restando apenas 37 pontos em disputa na última ronda em Valência, ficando praticamente assegurado da terceira posição final.

Celebração do Campeão Mundial
A corrida de domingo serviu também como celebração para Marc Márquez (Ducati Lenovo Team), que já havia conquistado matematicamente o título mundial de MotoGP no Grande Prémio do Japão, em setembro. O espanhol garantiu a sua sétima coroa na categoria rainha com cinco corridas de antecedência, igualando a lenda Valentino Rossi em número de títulos de MotoGP.
Este foi o primeiro título de Marc Márquez desde 2019, marcando um regresso triunfal após seis anos de luta contra lesões graves que incluíram quatro cirurgias ao braço direito e dois episódios de diplopia (visão dupla). O piloto de 32 anos protagonizou uma das épocas mais dominantes da história, vencendo 11 grandes prémios e 14 corridas sprint em 17 rondas, estabelecendo um novo recorde de 10 “doubles” (vitória na sprint e corrida principal no mesmo fim de semana) numa única temporada.
Marc Márquez não pôde estar presente no Algarve, já que decidiu encerrar a sua época de forma antecipada após sofrer uma fratura da clavícula direita e lesão nos ligamentos no GP da Indonésia, em outubro, optando por focar-se na recuperação para 2026. A ausência do campeão mundial não retirou brilho às corridas de domingo, que ofereceram espetáculo de alta qualidade aos adeptos presentes em Portimão.
Moto2: Moreira à beira do título mundial

O brasileiro Diogo Moreira deu um passo de gigante rumo ao título mundial da Moto2 ao vencer o Grande Prémio de Portugal, a sua quarta vitória da temporada. Numa corrida tensa, Moreira converteu a pole position em vitória, apesar da forte pressão do estreante Collin Veijer.

O holandês Collin Veijer (Red Bull KTM Ajo) conquistou o seu primeiro pódio na Moto2, terminando em segundo lugar a apenas 0,090 segundos de Moreira, numa das chegadas mais renhidas da época. David Alonso (CFMOTO Aspar) fechou o pódio em terceiro.
Veijer chegou mesmo a liderar a corrida após ultrapassar Moreira na volta 3, mas o brasileiro não desistiu. Nas últimas três voltas, com Veijer a sofrer de desgaste nos pneus, Moreira atacou e recuperou a liderança, controlando a corrida até ao final.

O principal rival de Moreira, Manuel González, teve um dia para esquecer e não foi além do sexto lugar. Com este resultado, Moreira lidera agora o campeonato com 281 pontos, 24 pontos à frente de González (257 pontos). Faltando apenas uma corrida, o brasileiro precisa de apenas dois pontos em Valência para garantir o título mundial da Moto2 e tornar-se no primeiro campeão brasileiro desta categoria.

Aron Canet e Barry Baltus, ambos da Fantic Racing, completaram os cinco primeiros em quarto e quinto lugares, respetivamente.
Moto3: Quiles volta às vitórias
Máximo Quiles conquistou a sua terceira vitória da temporada, a primeira desde o Grande Prémio da Hungria em agosto, numa corrida repleta de emoção. O piloto espanhol da equipa CFMOTO Gaviota Aspar, protegido de Marc Márquez, impôs-se por 1,663 segundos.
Ángel Piqueras (Frinsa – MT Helmets – MSI KTM) terminou em segundo lugar, com o japonês Taiyo Furusato (Honda Team Asia) a completar o pódio em terceiro, a 2,886 segundos do vencedor. Furusato havia conquistado a sua primeira vitória na categoria precisamente na ronda anterior, na Malásia.
Joel Esteban (Red Bull KTM Tech3) e Alvaro Carpe (Red Bull KTM Ajo) completaram os cinco primeiros. Joel Kelso, que havia partido da pole position, não conseguiu lutar pelo pódio e terminou apenas em sétimo lugar.
Com esta vitória, Quiles consolidou a terceira posição no campeonato mundial com 263 pontos e reduziu a diferença para Ángel Piqueras, que tem 271 pontos, na luta pelo segundo lugar. O título já está assegurado por José Antonio Rueda, que lidera com 365 pontos, mas o subcampeonato será decidido na última ronda em Valência.
A temporada de 2025 do Mundial de Motociclismo encerra-se no próximo fim de semana, entre 14 e 16 de novembro, com o Grande Prémio da Comunidade Valenciana, onde serão coroados os campeões da Moto2 e decidido o vice-campeão da Moto3. Marc Márquez, ausente das últimas rondas devido a lesão, receberá oficialmente o troféu de campeão mundial de MotoGP em Valência.
Miguel Oliveira despede-se do MotoGP
Miguel Oliveira foi alvo de uma emotiva homenagem antes da corrida de MotoGP no Autódromo Internacional do Algarve, marcando a sua despedida do público português na categoria rainha do motociclismo mundial. O piloto de Almada, de 30 anos, vai deixar o MotoGP no final da temporada para competir no Mundial de Superbikes em 2026 com a BMW, após sete épocas no topo da modalidade.
Um momento ímpar e emotivo
A cerimónia de homenagem começou de forma espectacular, com a descida de vários paraquedistas que envergaram a bandeira portuguesa, abrindo caminho para a entrada na pista de uma enorme Caravela Portuguesa. Este elemento simbólico representou a expansão marítima portuguesa e a forma como Miguel Oliveira levou o nome de Portugal ao mundo através do desporto motorizado.
A mulher e a filha de Miguel Oliveira, Alice, estiveram presentes na grelha de partida e entregaram uma bandeira de Portugal ao piloto. Com essa bandeira, Oliveira deu uma volta ao circuito, sendo aplaudido pelos comissários ao longo do percurso e pelo público presente nas bancadas, antes de regressar às boxes, onde tirou o capacete e agradeceu aos espetadores visivelmente emocionado.

Na conferência de imprensa após a corrida, Miguel Oliveira não conseguiu esconder a emoção ao falar sobre a homenagem que recebeu. “Ter o simbolismo daquilo que nos lançou para o mundo, como a caravela portuguesa, e equiparar a minha trajetória desportiva a isso, simbolicamente ter sido entregue por uma criança, a minha filha, uma bandeira de Portugal, foi um momento muito bonito, muito emotivo e acho que foi merecido também“, afirmou o piloto.
Oliveira revelou ainda que, apesar de saber que haveria uma homenagem, não imaginava a dimensão que esta teria: “Sabia que haveria uma homenagem pela minha carreira, que acredito que foi ímpar, mas longe de imaginar. Quando se tem uma criança, esta, a entregar a bandeira de Portugal, com tanto simbolismo não é fácil…“
O piloto português destacou também o reconhecimento dos colegas como um dos momentos mais marcantes da cerimónia: “O maior reconhecimento foi também o de ver todos os meus colegas a aplaudirem-me e a reconhecerem toda esta trajetória. O mais alto reconhecimento que procuramos é o dos nossos pares, e isso consegui ter“.
Um palmarés de respeito
Miguel Oliveira disputou 116 corridas em MotoGP, conquistando cinco triunfos em pistas tão diversas como Estíria, Algarve, Catalunha, Indonésia e Tailândia. Para além das vitórias, somou sete pódios e uma pole position, precisamente no ano da vitória em Portimão, em 2020, quando se tornou no primeiro piloto português a vencer uma corrida de MotoGP em solo nacional.

A mudança para o Mundial de Superbikes representa um novo capítulo na carreira do piloto português, que procurará conquistar títulos numa categoria diferente, mas igualmente competitiva e exigente.
Miguel Oliveira despede-se oficialmente do MotoGP no Grande Prémio da Comunidade Valenciana, que decorre no próximo fim de semana, entre 14 e 16 de novembro.
Texto: Vítor Lima | Fotos: António Proença
Repórter






