Pode vê-los na foto. Assim, da esquerda para a direita: Dinis Ribeiro, Rafael Inácio, Rafael Barreira, João Bernardo Pinto, Daniel Costa, Maria Paiva Sá, Sara Senra, João Passadiço, Flávia Ferreira, Guilherme Faria, Francisco Paiva, Diogo Almeida, Pedro Jorge, Pedro Coelho, Miguel Dias, António Rodrigues e Carolina Rocha.
A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou a lista de vencedores da edição 2025 das Bolsas Gulbenkian Novos Talentos, um programa que visa “detetar e apoiar o talento de estudantes excecionais no ensino superior português, promovendo o seu talento e estimulando a iniciação à investigação”. Entre os bolseiros selecionados destacam-se 17 estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, ligados às áreas de Biologia, Bioquímica, Física, Engenharia Física, Inteligência Artificial e Ciência de Dados e Matemática.
Biólogas que querem fazer a diferença
No domínio da Biologia, destacam-se três estudantes: Carolina Rocha e Sara Senra, da licenciatura em Biologia, e Flávia Ferreira, do mestrado em Biologia Celular e Molecular.
Apaixonada por conservação e bioacústica, Carolina frequentou, durante o mês de agosto, um curso na ilha de Bornéu, onde experimentou diversas técnicas como monitorização com armadilhas fotográficas e triangulação de gibões. Após esta experiência de campo, a futura bióloga quer agora passar mais tempo em laboratório e ganhar competências nas áreas de SIG (Sistemas de Informação Geográfica) e programação em R.
Por outro lado, Sara e Flávia querem seguir uma carreira de investigação na área da saúde. Sara está no i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto e dedica-se ao estudo da alopecia (calvície). “Tenho interesse em doenças humanas negligenciadas, sobretudo as que afetam de forma desproporcional as mulheres. Acredito que olhar para estas doenças com seriedade é dar voz a problemas invisíveis e contribuir para uma ciência mais justa e humana”, conta. A estudante de Biologia quer aplicar este prémio em oportunidades de formação em investigação biomédica, que lhe permitam “crescer como investigadora e integrar projetos que aproximem a ciência das necessidades reais da sociedade”.
O interesse de Flávia são também patologias ligadas à saúde, mas em concreto as de base genética. Para a estudante, esta bolsa será uma porta aberta para poder dar o seu “contributo para a ciência”.
Aposta na descoberta de potenciais fármacos neuroprotetores
Na área da Bioquímica, conquistaram esta bolsa os estudantes Maria Silva Paiva Sá e Rafael Barreira, do 3º e 2º ano, da licenciatura em Bioquímica, respetivamente .
Rafael tem especial interesse na área das doenças neurodegenerativas e integra, por isso, um projeto de investigação com os investigadores Ivo Dias e José Enrique Borges do Departamento de Química e Bioquímica. “O projeto de investigação que estou a desenvolver é sobre a descoberta de novos potenciais fármacos neuroprotetores capazes de modificar/atrasar a progressão de doenças neurodegenerativas como Parkinson. Alzheimer, entre outras. Gostaria de aprofundar os conhecimentos sobre cultura celular, como por exemplo, cursos de formação avançada nas áreas de Química Orgânica/Medicinal”, salienta.
Já Maria está prestes a realizar o seu projeto de estágio no i3S, uma oportunidade para aplicar os recursos da bolsa Gulbenkian e assim aprofundar o seu conhecimento na área das neurociências. “Estou muito orgulhosa de ter sido premiada com a Bolsa Gulbenkian Novos Talentos”, destaca a estudante que se sente motivada e fascinada pela “aplicabilidade da investigação” e pelo impacto que o seu trabalho poderá ter no mundo.
Uma mão cheia de Novos Talentos de matemática
É no domínio da Matemática que há mais talentos Gulbenkian da FCUP: Daniel Costa, Dinis Ribeiro, Diogo Almeida, João Passadiço e Rafael Inácio.
Para Daniel, o fascínio da Matemática está nas áreas de análise, sistemas dinâmicos e probabilidades. “Eu vejo, nestas áreas, uma parte abstrata que já acho incrível por si só e uma forte presença de aplicações reais. Para além disso, elas estão bastante interligadas”, justifica. Este jovem estudante acredita que, com esta bolsa agora atribuída, será possível explorar melhor estes tópicos. Pretende investir em competências e qualidades essenciais e úteis na investigação. “Ter conhecimento teórico é importante, mas há muitas outras qualidades importantes, como a capacidade de comunicar e de interagir com as pessoas que o rodeiam, que criam um bom investigador”, reforça.
Já Dinis pretende aplicar o prémio nas áreas de Análise e Geometria e João Passadiço, que já tinha conquistado uma bolsa Gulbenkian em 2023, quer focar-se na Geometria.
À semelhança de João, também Rafael Inácio – um dos vencedores do Prémio Incentivo da U.Porto 2025 – foi novamente contemplado com esta distinção. O estudante do 3º ano da licenciatura em Matemática aplicou a bolsa conquistada em 2024 à área de sistemas dinâmicos “com um toque de teoria de números” e está ansioso por uma nova proposta para explorar um tópico diferente da Matemática. “No ano letivo anterior, utilizei o prémio destinado às atividades de enriquecimento de talento de modo a participar numa escola de verão em Utrecht, cujo tema foi a Geometria. Foi uma experiência incrível e crucial na minha evolução enquanto académico. Este ano planeio fazer algo do mesmo género e, se o saldo ainda chegar, participar numa conferência internacional, algo que nunca fiz e anseio experienciar”, conta.
Diogo Almeida quer explorar a forma como as potencialidades da matemática como forma de resolver problemas reais. “É interessante ver como podemos passar de uma construção puramente teórica para uma descrição de alguma realidade”, explica.
Aposta na formação em física teórica e experimental e em “novas ideias”
A Gulbenkian reconheceu ainda o percurso de três estudantes no domínio da Física – Francisco Paiva, Miguel Dias e Guilherme Faria, todos eles finalistas da licenciatura em Física, e de Pedro Coelho e João Bernardo Pinto, da licenciatura em Engenharia Física (FCUP e Faculdade de Engenharia).
Francisco quer investir na física teórica e computacional. “Gostava de, com esta bolsa, poder contribuir para o conhecimento científico com novas ideias e soluções, originais e independentes”, frisa. Também Miguel Dias tem interesse na física teórica, mais concretamente a física de partículas e teoria quântica de campo. “Pretendo aplicar o prémio no desenvolvimento de um problema teórico numa destas áreas, com o intuito de aprofundar o meu conhecimento e ser introduzido à investigação científica”, adianta.
Para Guilherme Faria, esta bolsa da Gulbenkian é “uma oportunidade única para descobrir um novo mundo na investigação e, efetivamente, “fazer” física”. Com interesse nas áreas da mecânica quântica e as suas aplicações diretas, o estudante quer aplicar o prémio na continuação da sua formação académica, nomeadamente em cursos de línguas e em outras formações relacionadas com a área da física.
Numa vertente mais prática, Pedro Coelho está “particularmente motivado” para as áreas da computação ou instrumentação ótica e fotónica e João Pinto, para a física experimental com forte aplicação em simulações computacionais.
Deep Learning, Matemática e Engenharia Informática também nos horizontes
No domínio da Ciência de Computadores, destacam-se as conquistas de Pedro Jorge, da licenciatura em Inteligência Artificial e Ciência de Dados (FCUP e FEUP) e também de António Rodrigues, da licenciatura em Engenharia Informática e Computação da Faculdade de Engenharia (FEUP) [sede administrativa] e da FCUP. Pedro quer seguir uma carreira de investigação na área de Deep Learning, sustentada em bases teóricas sólidas. “A Análise Funcional constitui um dos meus principais focos de interesse, por oferecer o enquadramento matemático ideal para estudar redes neuronais enquanto aproximadores universais de funções”, destaca.
Já António quer apostar numa área de aplicação prática que articule a matemática com a engenharia informática, “especialmente em temas que exploram fundamentos teóricos”.
Entre os Novos Talentos selecionados este ano pela Gulbenkian, é de destacar a presença de dois bolseiros que ingressaram na FCUP com 20 valores como nota de candidatura ao Ensino Superior: João Passadiço, em 2022 e Daniel Costa, em 2023.
Os bolseiros Novos Talentos Gulbenkian da FCUP têm agora mais uma porta aberta para o futuro na investigação, com um incentivo que vai até aos 3500 euros para investimento na sua formação.
Sobre as bolsas
As Bolsas Gulbenkian Novos Talentos destinam-se a estudantes a frequentar o 2.º, 3.º ou 4.º anos de cursos de licenciatura ou de mestrado integrado, ou o 1.º ano de cursos de mestrado, em instituições de ensino superior portuguesas, e que registem uma média igual ou superior a 16,5 valores, até ao momento da candidatura
Com um valor que pode ascender aos 3.500 euros, a bolsa inclui um apoio – no valor de mil euros – que visa assegurar o prosseguimento de estudos dos bolseiros, nomeadamente para o pagamento de propinas e para estímulo à investigação.
O restante valor – 1.500 euros – destina-se a “atividades de enriquecimento de talento”, nomeadamente: cursos de formação avançada; participação em conferências e escolas de verão; estágios, cursos de línguas, aquisição de livros e material de laboratório, entre outros.
Os candidatos cujo agregado familiar apresente um rendimento per capita anual inferior a 12 mil euros terão igualmente direito a um apoio social complementar no valor de mil euros.
Todos os bolseiros Novos Talentos têm ainda oportunidade de participar num programa imersivo de enriquecimento de talento, com tutores de mérito reconhecido e acompanhamento por uma Comissão Científica dedicada a cada área do programa.
O programa inclui sessões de desenvolvimento pessoal em grupo, apostando assim na criação de um ambiente de networking e partilha entre os bolseiros que perdure mesmo após o período de bolsa.
OC/AJS/FCUP/Renata Siva






