Faleceu Nuno Portas, arquiteto e referência do urbanismo português

O arquiteto Nuno Portas morreu no domingo aos 90 anos. O velório realiza-se esta segunda-feira em Lisboa, com as cerimónias fúnebres marcadas para terça-feira, seguindo-se o cortejo para o cemitério de Vila Viçosa, sua terra natal.

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As exéquias de Nuno Portas decorrem na terça-feira em Lisboa, seguindo-se cortejo fúnebre para Vila Viçosa, onde será sepultado. A informação foi avançada pela agência funerária Servilusa, que indicou que o velório acontece esta segunda-feira, entre as 18:30 e as 22:00, no auditório do complexo paroquial da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.

O funeral está marcado para terça-feira, às 12:00, no mesmo local. No final das cerimónias, o corpo será transportado para o cemitério de Vila Viçosa, no distrito de Évora, onde decorrerá o sepultamento.

Nuno Rodrigo Martins Portas, nascido a 23 de setembro de 1934, em São Bartolomeu, no concelho de Vila Viçosa, teve uma carreira centrada na arquitetura, planeamento urbano, ensino superior e políticas públicas ligadas à habitação.

Licenciou-se em Arquitetura pelas Escolas de Belas Artes de Lisboa e do Porto, concluindo o curso em 1959. Iniciou a prática profissional dois anos antes, em 1957, no ateliê de Nuno Teotónio Pereira, com quem viria a receber o Prémio Valmor em 1975, pelo projeto da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.

Com atividade relevante na crítica e no pensamento arquitetónico, foi diretor da revista Arquitectura e vencedor do Prémio Gulbenkian de Crítica de Arte em 1963.

O arquiteto teve intervenção pública marcante após o 25 de Abril. Enquanto secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, nos três primeiros Governos Provisórios, criou o SAAL – Serviço de Apoio Ambulatório Local, promovendo modelos cooperativos de habitação e lançando as bases dos atuais planos diretores municipais.

Na academia, foi professor na Escola de Belas Artes de Lisboa, entre 1965 e 1971, e integrou depois o corpo docente da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, da qual foi cofundador e professor catedrático desde 1989. Estruturou ali o primeiro mestrado em Planeamento e Projeto do Ambiente Urbano.

Colaborou com as Nações Unidas e a União Europeia, participando em projetos para o Rio de Janeiro, como o Plano de Frente de Mar e o Plano de Recuperação da Zona Central da cidade, e em ações de ordenamento urbano em Cabo Verde.

Na política autárquica, foi vereador do urbanismo na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia em 1990. Entre as distinções recebidas contam-se a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e o Prémio Sir Patrick Abercrombie da União Internacional de Arquitetos.

OC/RPC/LUSA

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