F.C. Porto, 1- Sporting, 1 – Bom “clássico” com resultado justo

O empate (1-1) acaba por ser a solução lógica para um jogo bem disputado que teve todos os ingredientes habituais de um "clássico" - emoção até ao fim, picardias e "casos". O Sporting continua a poupar Gyokeres e os jogadores do FC do Porto parecem estar já a entender as ideias de Martin Anselmi, que ainda não perdeu desde que chegou ao Dragão. Um estádio com mais de 49 mil espetadores proporcionou um ambiente muito interessante para um jogo que se previa, e foi, "quente".

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 O FC Porto e o Sporting empataram ontem 1-1 no clássico da 21.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, no Porto, onde os anfitriões chegaram ao empate aos 90+4 minutos.

Namaso faz o golo do empate dos portistas. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

O avançado portista Danny Namaso assinou a igualdade para os “azuis e brancos” na parte final do encontro, depois de o defesa espanhol Iván Fresneda ter dado vantagem  aos “leões “, aos 42 minutos, na estreia do treinador argentino Martín Anselmi no Estádio do Dragão.

Gyokeres tenta passar por Tiago Djaló. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

O Sporting, que terminou o jogo com menos dois jogadores, devido às expulsões, já nos descontos, de Matheus Reis e Diomande, soma 51 pontos, mais sete do que o Benfica, que hoje  recebe o Moreirense, e mais oito do que o FC Porto  e que fica ao alcance do Braga, quarto, com 40, que defronta hoje o Gil Vicente.

Refira-se que o FC Porto está em evolução, notam-se claras melhorias na equipa e Martin Anselmí tem ideias bem claras e definidas que, paulatinamente, vão sendo compreendidas pelos jogadores.

DECLARAÇÕES

Martin Anselmi ( Treinador do FC Porto) : “Mais um ou dois minutos de jogo e podíamos vencer”.

Martín Anselmi, treinador do FC Porto. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

 “Obviamente, nós queríamos ganhar, queríamos ficar com os três pontos, mas acho que o selo da nossa equipa se conseguiu ver hoje no campo, por tudo o que lutámos até ao final. Então, nessa parte fico muito contente pela forma como competimos até ao final e acho que se ficássemos um ou dois minutos mais em campo talvez pudéssemos conseguir os três pontos.

Na primeira parte sentíamos que ficávamos longe, mas na segunda parte ajustámos e acho que isso permitiu que ficássemos com o controlo total do jogo.

Terminámos  com dois centrais, dois médios e seis no ataque, porque tentámos primeiro mudar o perfil do lateral. Depois, quando eles começaram a pressionar com três, nós começámos a construir com quatro.bTerminámos com muitos homens de ataque. É normal, temos de ir procurando variantes e experimentar diferentes coisas.

Fiquei feliz de experimentar o que se vive no Dragão, as pessoas a apoiar até ao final, e nós a demonstrarmos qual vai ser a nossa essência – lutar até ao final”.

 

Rui Borges ( Treinador do Sporting): “Merecíamos os 3 pontos”

Rui Borges, treinador do Sporting. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

 “Na primeira parte, fomos claramente melhores. Controlámos o jogo, com e sem bola. O único lance do FC Porto é uma perda de bola à entrada da nossa área. O FC Porto estava adormecido, não conseguia sequer chegar à nossa baliza.

Na segunda parte, realmente não entrámos muito bem. Nos primeiros 10, 15 minutos fomos baixando, fomos perdendo alguma confiança, principalmente no processo ofensivo e, depois, tentámos ajustar para defender a largura do FC Porto.

Sabíamos que íamos estar com um bloco mais baixo, mas, apesar de estarmos com o bloco mais baixo, as melhores oportunidades, se calhar, acabam por ser nossas. Temos dois lances claros do Harder e do Quenda, onde podíamos fazer o 2-0.

O FC Porto estava a perder, tentou ser mais audaz, mais forte no processo defensivo e pressionar mais alto. Nós fomos perdendo alguma confiança, alguma energia, algum fulgor físico, fomos baixando linhas mas fomos controlando, até perto do final.

É um jogo ingrato nesse sentido, podíamos na segunda parte termos sido mais inteligentes e perdemos o equilíbrio nos últimos cinco minutos e não o podíamos perder.

Podíamos, com bola, ter tido um pouco mais de calma, mas, como disse, se calhar os dois melhores momentos da segunda parte para fazer golo foram nossos. Acabámos por não conseguir e por ser penalizados. São contingências do jogo que às vezes não controlamos. O FC Porto a perder e a jogar na sua casa e nós, se calhar, agarrámo-nos ao resultado. São coisas do jogo contra as quais temos de lutar.

Já estamos algo condicionados com algumas lesões, ainda mais com castigos pelas expulsões de hoje… acaba por condicionar ainda mais. Mas continuaremos fortes, com toda a certeza. A equipa tem dado uma resposta fantástica. Demonstraram o porquê de serem campeões nacionais, fizeram um grande jogo no seu coletivo, foram corajosos e ambiciosos. É seguir o nosso caminho.

Queríamos ganhar, custa sair daqui com um ponto, mas merecíamos ganhar, por tudo o que fizemos. Esta equipa quer é ganhar e manter distâncias. Somos primeiros e queremos continuar a ser e os três pontos garantem-nos sempre isso”.

 Danny Namaso (jogador do FC Porto) – “Para nós, todos os jogos são finais”

 “Foi um jogo difícil, mas acho que nós não merecemos perder pontos. Tivemos mais posse de bola, mais remates, foi uma pena termos perdido pontos, mas temos que trabalhar e continuar a tentar ao nosso máximo.

Só me foi pedido para entrar, desfrutar e tentar marcar. Anselmi colocou dois jogadores na frente e era só bolas em profundidade, e tentei marcar e, graças a Deus, consegui.

Nós sabemos que jogamos pelo público também, e é sempre difícil quando vem um novo treinador e tem novas ideias, mas estamos a tentar tudo para dar a volta a este período.

 Nós temos consciência de que todos os jogos até ao final da época são finais para nós, então é só trabalhar e tentar reduzir as diferenças”.

Fresneda (jogador do Sporting) : “Acho que merecíamos ganhar o jogo”

 “Tivemos uma primeira parte em que controlámos o jogo, acho que tivemos mérito para chegar a ganhar ao intervalo. Na segunda parte, é normal haver uma quebra, estamos a jogar aqui no Estádio do Dragão, no seu estádio, com os seus adeptos, e acho que eles também tinham de ir à procura do empate.

Tínhamos aguentado muito bem, acho que merecíamos ganhar o jogo, mas não podemos conceder aquele golo no último minuto. O futebol é assim.

Nós só pensávamos em ganhar, não estávamos a ver a classificação, os pontos de vantagem ou desvantagem. Para nós, todos os jogos são difíceis, este era um jogo também muito importante e só queríamos ganhar.

Em relação à celebração do golo, foi euforia. Marcar um golo é sempre importante, é ajudar a equipa. Fico muito feliz pelo golo.

Acredito muita nesta equipa, no “staff” técnico, ajudaram-me muito neste processo, nestes meses  e fico feliz por eles e pela equipa

Gyökeres é um jogador muito importante para nós, acreditamos muito nele, e ele vem de uma paragem de dois jogos. Nós tentamos fazer o mesmo trabalho, com ele ou sem ele. Somos uma equipa, todos estão preparados para jogar.

E os três grandes têm hipóteses de ganhar o título. Nós já só pensamos no próximo jogo”.

Ficha do Jogo

Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Sporting, 1-1.

Ao intervalo: 0-1.

Marcadores:

0-1, Fresneda, 42 minutos.

1-1, Danny Namaso, 90+4.

 FC Porto: Diogo Costa, Tiago Djaló, Nehuén Pérez (Fábio Vieira, 62), Zé Pedro, João Mário (William Santos, 78), Alan Varela (Danny Namaso, 78), Stephen Eustáquio, Francisco Moura (Gonçalo Borges, 69), Pêpe, Rodrigo Mora e Samu.

Suplentes: Cláudio Ramos, William Santos, Fábio Vieira, Zaidu, Vasco Sousa, Danny Namaso, Tomás Pérez, Deniz Gul e Gonçalo Borges).

Treinador: Martín Anselmi.

Sporting: Rui Silva, Fresneda, Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Matheus Reis, 86), Hjulmand, João Simões (Debast, 23), Trincão, Daniel Bragança (Morita, 69), Geovany Quenda e Conrad Harder (Gyökeres, 69).

Suplentes: Franco Israel, Matheus Reis, St. Juste, Morita, Debast, Gyökeres, Gabriel Aragão, Ricardo Esgaio e Eduardo Quaresma).

Treinador: Rui Borges.

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Rodrigo Mora (18), Martín Anselmi (62), Maxi Araújo (71), Rui Silva (72), Matheus Reis (90+5 e 90+7), Hjulmand (90+6), Fábio Vieira (90+10) e Samu (após o final do jogo).

Cartão vermelho por acumulação a Matheus Reis (90+7) e cartão vermelho direto a Diomande (90+8).

Assistência: 49.193 espetadores.

ALBUM DE FOTOS

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos e Filipe Romariz (Texto) ; António Proença (Fotos)

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