Lisboa é uma das cidades europeias mais vulneráveis ao impacto das alterações climáticas, com ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, e temperaturas que poderão aumentar até 2,7°C até meados do século, segundo dados do IPMA e da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Neste contexto, e no âmbito da Archi Summit 2025, decorre desde quarta-feira o workshop “ReThink Lisbon: Climate & Regeneration Proposal 2030”, dinamizado pelo gabinete de arquitetura hori-zonte.
Ao longo de três dias, um grupo multidisciplinar de especialistas tem trabalhado na elaboração de um plano estratégico e técnico-científico, centrado na regeneração urbana da cidade de Lisboa e na mitigação dos efeitos extremos do calor em zonas urbanas densamente construídas. A proposta será apresentada esta sexta-feira, dia 11, às 14h30, no Hub Criativo do Beato, e será entregue à Câmara Municipal de Lisboa como contributo para o reforço das políticas públicas em curso.
Diogo Lopes Teixeira, cofundador do gabinete hori-zonte, afirma que o contributo técnico-científico será entregue à Câmara Municipal de Lisboa, numa perspetiva de integração e continuidade com as políticas urbanas já em curso. Sublinha ainda que Lisboa já vive as consequências do aumento das temperaturas e defende que é necessário pensar o território como um sistema vivo e adaptável.
Para o arquiteto, especialista em sustentabilidade, a proposta em curso representa um mapa para uma transformação concreta, que queremos útil para as políticas públicas em curso.
O workshop reúne nomes como Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável; os arquitetos Manuel Aires Mateus e Inês Lobo; o engenheiro Vasco Appleton (A2P Engenharia); o urbanista Daniel Casas Valle, autor da obra The Future Design of Streets; o arquiteto e investigador Adrian Krężlik (Dosta Tec); a arquiteta paisagista Catarina Viana (Topiaris); a especialista em sustentabilidade Vanessa Tavares (Built CoLab); o arquiteto paisagista Paulo Palha (Neoturf e EFB – European Federation of Green Roof and Green Wall Associations); e a especialista em saúde pública Teresa Leão, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
O próprio Diogo Lopes Teixeira participa enquanto coordenador e arquiteto, acompanhado de João Castelo-Branco, também membro do gabinete. A arquitetura Ana Neiva, professora e investigadora na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, assume o papel de moderadora e relatora da sessão. A iniciativa conta com o patrocínio da Egger.

Lisboa apresenta atualmente um mapa térmico urbano desigual, com zonas altamente expostas ao calor durante os meses de verão, o que acentua riscos para a saúde pública, qualidade de vida e vulnerabilidades sociais. A proposta pretende traduzir conhecimento técnico em soluções concretas e aplicáveis a curto e médio prazo, promovendo a adaptação da cidade aos cenários climáticos futuros.
O horizonte da neutralidade carbónica até 2030, objetivo partilhado por 100 cidades europeias, exige transformações substanciais. Outras cidades como Paris já aplicam estratégias urbanas de desasfaltamento, arborização urbana e criação de zonas de sombreamento natural, que servem de referência para o caso lisboeta.
Segundo Diogo Lopes Teixeira, estamos a repensar o modo como desenhamos e habitamos as cidades. Refere que este projeto faz parte do compromisso contínuo do hori-zonte com soluções arquitetónicas regenerativas e com o equilíbrio ecológico e social.
O workshop decorre num ambiente descrito como imersivo, cruzando perspetivas e experiências. Diogo Lopes Teixeira acrescenta que se espera que daqui surjam ideias relevantes e transformadoras, consubstanciadas numa proposta global que pode ajudar o município lisboeta.
O gabinete hori-zonte, fundado em 2021 no Porto por Diogo Teixeira, Frederico Roeber, João Castelo Branco e André Sanches Pinto, tem-se destacado por uma prática centrada na sustentabilidade, na regeneração urbana e na inovação técnica, com vários prémios nacionais e internacionais, incluindo duas nomeações para o “Europe 40 Under 40” e lugar entre os finalistas portugueses dos Prémios Building of the Year 2025 da ArchDaily.
Além da prática arquitetónica, o coletivo desenvolve um Departamento de Investigação, com o objetivo de promover colaborações entre arquitetura, indústria, meio académico e agentes públicos, num trabalho que alia rigor técnico, tecnologias digitais e abordagens bioclimáticas.
OC/RPC














