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Sábado, Dezembro 6, 2025

DGS prevê início precoce da gripe e apela a vacinação nas próximas duas semanas

Os casos estão a surgir, segundo o ECDC, "três a quatro semanas mais cedo”, impulsionados por uma nova estirpe de gripe A (H3N2), subtipo K, o que levou as autoridades portuguesas a reforçarem o apelo à vacinação

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Portugal começa a registar um aumento de casos de gripe e poderá enfrentar uma epidemia mais precoce, à semelhança do que já se verifica noutros países europeus. O alerta foi lançado pela Diretora-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, após o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) ter pedido aos Estados-membros que acelerem a vacinação devido ao surgimento antecipado da doença.

O ECDC avisou que os casos estão a surgir “três a quatro semanas mais cedo”, impulsionados por uma nova estirpe de gripe A (H3N2), subtipo K, o que levou as autoridades portuguesas a reforçarem o apelo à vacinação.

Comentando o alerta europeu, a diretora-geral disse à Lusa que “já começamos a ver que está a aumentar, mas de uma forma ainda não muito rápida”, sublinhando que é “expectável que a nossa epidemia da gripe também comece de uma forma mais precoce”.

Desde 23 de setembro, cerca de dois milhões de pessoas já receberam a vacina contra a gripe, um ritmo considerado semelhante ao dos anos anteriores. Ainda assim, segundo Rita Sá Machado, “ainda não é suficiente” para garantir uma boa cobertura entre os grupos elegíveis. Por isso, deixou um aviso claro: “As próximas duas semanas são essenciais para a vacinação daqueles que ainda não se vacinaram.”

A responsável salientou que, após esse período, o país deverá entrar em fase epidémica ou “a ver os indicadores a crescerem a um ritmo mais rápido”, aumentando a necessidade de proteção.

Eficácia da vacina e presença da nova estirpe

A nova estirpe H3N2 K não foi predominante na época passada nem no Hemisfério Sul, pelo que não está representada como dominante na vacina atual. Ainda assim, Rita Sá Machado ressalvou que a vacinação continua decisiva: “Claro que seria essencial se tivéssemos exatamente a estirpe que circula (…) mas vão circular outras estirpes e, por isso, é muito importante as pessoas se vacinarem.”

A diretora-geral destacou ainda que a proteção conferida pela vacina reduz complicações e a pressão sobre os serviços de saúde.

Acesso garantido à vacinação

Questionada sobre falhas pontuais no acesso às vacinas, garantiu que não há constrangimentos para os grupos prioritários — maiores de 60 anos, doentes crónicos, grávidas e crianças dos 6 meses aos 5 anos. Sublinhou que “existem 3.500 pontos de vacinação em todo o país”, acrescentando que pessoas fora dos grupos elegíveis podem ser vacinadas mediante prescrição médica.

Rita Sá Machado recomendou ainda a adoção das medidas de prevenção herdadas da pandemia, como “a lavagem das mãos, a etiqueta respiratória e a ventilação dos espaços”, bem como o uso de máscara por quem apresente sintomas.

Impacto da gripe em Portugal

Segundo dados do ECDC, a gripe causa todos os anos entre 50 milhões de casos sintomáticos e 15 mil a 70 mil mortes na Europa. Em Portugal, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, registaram-se 1.609 óbitos em excesso, coincidindo com a epidemia de gripe e temperaturas extremas, afetando sobretudo mulheres e pessoas com mais de 85 anos.

OC/MP

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