WWF apresentou um relatório inovador que propõe 10 princípios fundamentais para o restauro ecológico dos ecossistemas marinhos e costeiros da União Europeia. O documento surge no contexto da Lei do Restauro da Natureza, que visa reverter os danos causados por destruição de habitats, perda de biodiversidade, poluição e alterações climáticas, ameaças que afetam diretamente a qualidade de vida das comunidades costeiras. Com mais de 40% da população da UE vivendo em regiões costeiras, as ações de restauro ecológico tornam-se essenciais para proteger a biodiversidade e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
O relatório apresentado no dia 26 baseia-se em literatura científica e na análise de projetos em andamento, oferecendo estratégias claras e baseadas em ciência para garantir a eficácia das intervenções de restauro, afastando-se de abordagens superficiais. Jacob Armstrong, Gestor de Oceanos da WWF, salientou a importância do relatório: “A Lei do Restauro da Natureza oferece-nos uma oportunidade para reverter décadas de degradação dos nossos mares”.
O estudo também inclui uma lista de verificação útil para decisores políticos e gestores de projetos, especialmente em vista do prazo de submissão dos Planos Nacionais de Restauro à Comissão Europeia, estabelecido para 1 de setembro de 2026. A WWF insta os Estados Membros a agirem rapidamente, incorporando os 10 princípios no desenvolvimento dos seus planos e envolvendo todas as partes interessadas no processo de decisão.
O relatório também destaca o Projeto Gulbenkian Carbono Azul, uma colaboração entre a Fundação Calouste Gulbenkian, a WWF Portugal e o BlueZ C – Instituto para a Conservação Marinha e Economia do Carbono, que está a realizar um estudo no Estuário do Tejo para avaliar o potencial de restauro ecológico nos ecossistemas de carbono azul. Este projeto visa implementar um plano de restauro ecológico nas Salinas do Samouco, uma das zonas mais ameaçadas de Portugal.
“Este estudo irá planear intervenções eficazes e monitorizar o sucesso das ações de restauro, considerando também os co-benefícios para as comunidades locais e as questões socioeconómicas”, refere o projeto. Além disso, a iniciativa inclui ações de “advocacy”, envolvimento das partes interessadas e atividades de educação ambiental, visando promover o investimento na conservação e restauro ecológico.
OC©/Jornal “O Cidadão”
Foto/FELIX HAUMANN







