“Deixar andar” e “fuga para a frente” não são solução! – Por João Rodrigues

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Na minha última crónica, associei o sobre-endividamento a uma doença, abordando os seus sintomas para mais facilmente se identificar, as suas causas e as suas consequências.

Escrevia também, que a boa notícia, é que existem soluções!

Há comportamentos, infelizmente muito habituais, que de forma nenhuma se devem adotar. A denominada “fuga para a frente”, solicitando novo crédito, muitas vezes muito mais caro e “deixar andar”, na esperança que os credores desistam, são um péssimo caminho…

O que se deve então fazer?

Em primeiro lugar, é decisivo reconhecer que se está numa situação de sobre-endividamento, que é necessário enfrentar o problema e preparar uma abordagem/negociação com os credores, igualmente interessados, em encontrar soluções, ao contrário do que muitas vezes se pensa…

Dependendo da dimensão e gravidade da situação, pode haver necessidade de ajuda especializada. Existem associações, com redes dispersas pelo país, que prestam este apoio de forma confidencial e grátis.

É também crucial, um contacto rápido com os principais credores, para iniciar uma negociação séria. Decisivo será iniciar estes processos, antes de existir incumprimento (atrasos nos pagamentos). A existência de incumprimento, vai criar dificuldades e maiores custos. No entanto, estando já nesta fase, ainda mais necessária se torna a atuação sobre o problema.

As soluções existentes, naturalmente, terão de ser ajustadas a cada situação em concreto, mas para iniciar, é necessário ter uma identificação de todas as dívidas existentes, os seus prazos (maturidades), taxas de juro, outros encargos e garantias.

A partir daqui, tem de ser encontrado, com os credores, um plano de prestações, que se ajuste melhor à capacidade de pagamento. Parece simples, mas é um exercício muito importante, sobretudo a efetuar pelos devedores. Não fazer desta forma, fica-se mais dependente de uma proposta do credor, que apesar da boa intenção, pode não ser a mais ajustada.

Priorizar pagamentos de empréstimos com custos mais elevados, amortizar dívidas com vendas de ativos, alargar prazos de pagamento, concentrar os empréstimos, negociar carências (períodos em que não se liquidam total ou parcialmente capital e/ou juros) para situações específicas e pontuais de quebras de rendimentos, são algumas componentes da “medicação para a doença”.

A “medicação” existe, é muito diversa e como sempre, depende dum bom diagnóstico, que neste caso, como já referi, é muito importante ser construído com o contributo de quem deve, com ou sem ajuda especializada.

Caro leitor, podendo ser alguém a quem as minhas últimas crónicas não interessem muito, pela especificidade do assunto, sei que este é um tema, sobre o qual há muitos preconceitos e ideias erradas, que só prejudicam a sua resolução e daí este meu modesto contributo, na divulgação de uma mensagem, de que o sobre-endividamento, se é uma doença mais ou menos grave, tem solução!

Boas férias!

OC/JR

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