“Este ano estamos concentrados nas temáticas dos comportamentos, das narrativas e dos direitos humanos, particularmente pelo ecossistema mediático em que hoje vivemos”, destacou Fernanda Bonacho, presidente da Comissão Científica do congresso e professora-investigadora na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) do Politécnico de Lisboa/Laboratório de Investigação Aplicada em Comunicação e Media (LIACOM).
Promovido pelo Grupo Informal sobre Literacia Mediática (GILM), o CLMC é organizado, nesta edição, em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).
Segundo a responsável, tendo por base a intersecção entre os três pilares comuns a todas as edições do congresso – a literacia, os media e a cidadania – a edição deste ano propõe-se refletir e debater a relação com os media a partir dos comportamentos adotados nessa relação, de um olhar crítico em relação às narrativas (re)construídas e (re)criadas com e através dos media e do lugar que os direitos humanos ocupam no modo como a dinâmica do ecossistema mediático se desenvolve.
“A utilização intensiva das redes tem modelado os nossos comportamentos”, afirma a investigadora, notando que, “por outro lado, também há muita discussão à volta daquilo que é construído nas narrativas informacionais, quer sejam verdadeiras, quer sejam falsas”, e da “difícil distinção entre o que é verdade ou uma opinião”.
Em cima da mesa estará também “a falta de um denominador comum do que deveria ser a convenção dos direitos humanos, há muito já acordada, mas que a fragmentação e todas estas questões colocam, muitas vezes, em causa”.
“Preocupam-nos os comportamentos que temos nos jovens, nos adultos, nos mais seniores e nessas construções fictícias, que são agora tão fáceis de criar com a inteligência artificial e que nos abanam e aumentam o nosso cinismo, o que é muito perigoso”, enfatiza.
“Quando nos tornamos tão cínicos em relação àquilo que nos envolve, deixamos de acreditar até nas instituições e isso é muito perigoso para a democracia e para o próprio equilíbrio social”, acrescenta.
Salientando que o congresso não é um evento “académico no seu sentido ‘stricto sensu’”, Fernanda Bonacho diz que se pretende que seja “também muito aberto à comunidade, que seja um convite a todos, não só da academia, mas também das áreas da educação, da economia, e de todas as outras outras que coabitam o espaço público e, particularmente, o espaço mediático”.
“Todas essas áreas são convidadas a participar. O nosso grande objetivo é trazer essas discussões aos vários momentos que temos preparados no programa”, realça.
Entre os vários oradores já confirmados no congresso, destaque para Adeline Hulin, coordenadora da Unidade de Literacia Mediática e Competências Digitais da Unesco, Lee Edwards, professora de “Strategic Communications and Public Engagement” na London School of Economics, e Paul Mihailidis, reitor interino e professor de Jornalismo e Media Cívicos na Faculdade de Comunicação da Emerson College, em Boston, Massachusetts.
Fernanda Bonacho salienta a participação “inédita”, numa plenária dedicada às “Narrativas mediáticas ou discursos (des)informados”, de representantes da Google e do TikTok, duas plataformas “muito estudadas e, também, criticadas” pelos desafios que colocam na definição de fronteiras entre factos e opiniões e entre a informação jornalística e outros domínios da comunicação.
Considerando que “há muito ainda a fazer” em termos de literacia mediática, a responsável aponta a grande “fragmentação de projetos” nesta área, face aos “tantos desafios” que se colocam.
OC/AJS







