Liga Portugal| FC Porto, 2 – Tondela, 0 – Portistas em alta rotação atropelam beirões e reforçam liderança

Apesar de só ter marcado na segunda parte, o FC Porto fez, globalmente, um bom jogo , mereceu vencer e não ter conseguido um resultado mais volumoso, deve-se ao guarda-redes do Tondela, Bernardo Fontes, que realizou quatro defesas "impossíveis" e a uma grande penalidade falhada por Varela, à passagem dos 30 minutos.

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Gabri Veiga, o “desbloqueador”. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

José Maria Pedroto afirmava, no início dos anos 80, nos “duelos”  que travou com o Benfica, treinado por Mário Wilson (seu adjunto na Académica), que os “encarnados” não tinham “estofo de campeão”. Referia-se, entre outras coisas, à irregularidade dos lisboetas, aos seus triunfos por margem mínima frente a adversários inferiores, alegadamente, com alguma sorte, e à “tremideira” notória quando defrontavam o FC Porto.

Froholdt aponta o segundo golo do FC Porto. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Hoje, se estivesse entre nós, diria, com certeza, que “este” FC Porto, sim, tem  “estofo de campeão”. E tudo aponta para que venha a sê-lo.

No jogo de ontem, os portistas entraram com o intuito de resolver cedo o encontro. Até porque vinham de uma eliminatória frustrante da Liga Europa e quarta-feira há “jogo grande” e decisivo com o Sporting, para a Taça de Portugal.

Lance do penálti contra o Tondela que Varela falhou. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Mas o Tondela não chegou ao “Dragão” para “prestar vassalagem”. Veio disposto a lutar pelos 3 pontos. E fez, na primeira parte, um bom jogo. O FC Porto esteve sempre perto de marcar, inclusivamente desperdiçou uma grande penalidade ( Varela); mas os beirões, sempre que podiam, procuravam o contra-ataque por intermédio de Rony Lopes, Hodge e Rodrigo Conceição. E tinham na baliza um grande (em altura e em qualidade) guarda-redes – Bernardo Fontes.

Falhar muitas oportunidades tem sido o “fado” dos portistas. Hoje, não foi exceção. Principalmente na primeira parte.

Chegar ao intervalo com o marcador a zeros, era castigo pesado para os pupilos de Farioli. Mas só podiam queixar-se deles próprios. E do guarda-redes tondelense, Bernardo Fontes, que ia fazendo, e bem, o seu trabalho.

Bernardo Fontes, guarda-redes do Tondela defendeu a grande penalidade apontada por Varela. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Segunda parte demolidora

Farioli não arriscou e substituiu ao intervalo os “amarelados” Kiwior e Rodrigo Mora. Para os seus lugares, Pablo Rosário – começou a central e acabou a alteral esquerdo – e Gabri Veiga.

A equipa ficou com mais “músculo” e aumentou a velocidade com e sem bola.

Durava o período complementar apenas 3 minutos e Gabri Veiga, apontava o primeiro tento dos portistas. Foi Deniz Gul quem criou o espaço e assistiu o seu companheiro que, isolado, atirou a contar.

Deniz Gul fez um excelente jogo. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Na jogada imediatamente a seguir, Froholdt rematou forte, à entrada da área, e Bernando Fontes fez uma defesa espetacular.

O Tondela tentou responder, mas a pressão alta e a velocidade da equipa do FC Porto não permitia que passassem do meio campo. O FC Porto imprimiu um ritmo vertiginoso ao jogo e Gul, Pepê, Froholdt, Pietuszewski podiam ter aumentado o marcador.

E acabou por ser a formação forasteira a cometer um erro defensivo – devido à pressão a que estava a ser sujeita – que Froholdt aproveitou para fazer o 2-O. 

Gabri Veiga, isolado, não consegue passar Bernardo Fontes que assim evitou o terceiro contra a sua equipa. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Quase a terminar, Gabri Veiga teve outra oportunidade flgrante. Isolado, permitiu que os quase dois metros de altura do guarda-redes do Tondela, Bernando Fontes, impedissem de fazer a finta, afastando a bola com uma palmada,  evitando o terceiro para a sua equipa.

Alguns destaques

Quanto ao FC Porto, é uma equipa madura (apesar de idade de alguns dos seus jogadores), de grande qualidade, moralizada e totalmente focada na conquista do título.

Ontem, Deniz Gul, merece ser destacado. Apareceu mais solto, confiante e trabalhou até à exaustão. Procurou criar espaços e desestabilizar a defesa beirã, assistiu Gabri para o primeiro golo e defendeu. Num lance defensivo impediu que o Tondela marcasse. Gul, um jogador em nítido crescimento técnico e tático.

Outro que merece destaque é o “todo-o-terreno” Pablo Rosário. Entrou para o centro da defesa para render Kiwior e, quando saiu Zaidu ( lesionado), substituído por Thiago Silva, ocupou o lado esquerdo da defesa, sempre com competência. Esta época já vimos Rosário a jogar no ataque, no meio campo e em todos os lugares da linha defensiva. É daqules jogadores que os treinadores adoram; jogam no lugar que a equipa necessita  e sempre com acerto.

Com esta vitória e a derrota do Sporting, o FC Porto tem o caminho aberto para ser campeão, dependendo apenas de si.

Tondela resistiu durante 50 minutos. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Quanto ao Tondela, mostrou ambição, muita vontade, mas vai ter imensas dificuldades nesta última fase do campeonato, pois há diversos emblemas a lutar pela manutenção. Se a equipa jogar com os seus adversário diretos como jogou no “Dragão”, terá todas as chances de manter-se. Sabemos que não é assim. Defrontar o líder é sempre motivador. Porém, à medida que o campeonato vai escoando, as responsabilidades aumentam. Ter de defrontar o Casa Pia, Arouca, Moreirense e Nacional, parece uma vantagem, mas, não podemos esquecer de que, também alguns deles, lutam desesperadamente pela permanência. Tarefa árdua e muito trabalho para o novo treinador – Gonçalo Feio.

Minuto de Silêncio para Vicente Lucas

Minuto de silêncio em homenagem a Vicente Lucas. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Antes do encontro, fez-se um minuto de silêncio em homenagem ao antigo “internacional” do Belenenses, Vicente Lucas que faleceu há poucos dias. Tinha 90 anos e era irmão de Matateu, outra lenda do Belenenses, onde jogou 13 épocas seguidas.

Vicente, que fez parte da seleção nacional no “Mundial” de 1966, foi elogiado por Pélé. A “estrela” brasileira referiu que Vicente (era defesa central) fora o defesa que melhor o tinha marcado e, por isso,no jogo contra Portugal pouco fez. 

Depois, nos relatos radiofónicos da época – Romeu Correu, Fernando Correia, Amadeu José de Freitas, Artur Agostinho, entre outros – popularizou-se a expressão “corta Vicente na hora H”. Foi um dos melhores na sua posição. 

E o minuto de silêncio foi respeitado escrupulosamente pela assitência. O que é de notar, uma vez que é raro suceder. 

 

Declarações

Francesco Farioli (Treinador do FC Porto): “São apenas mais 3 pontos”

Francesco Farioli, treinador do FC Porto. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Na primeira parte, além do penálti, tivemos três ou quatro boas oportunidades para marcar. Na segunda parte abordámos o jogo da forma certa e desbloquear o jogo no início do segundo tempo foi essencial. Estou muito feliz com o resultado. A entrada do Rosario foi importante para ambos os golos. Não é apenas um jogador, é o trabalho de todos. Um esforço coletivo e um resultado coletivo.”

Na realidade são apenas três pontos a mais e um jogo a menos, nada mais do que isso. O nosso foco tem de passar para a Taça de Portugal, até porque vou olhar para o dérbi como forma de preparar da melhor forma o jogo da segunda mão das meias-finais. Tem de ser tudo igual, sabemos onde é a linha final e há muitos passos para lá chegar. Há que manter a mesma abordagem, com concentração e foco no máximo. Não há jogos fáceis.”

Na última quinta-feira, com um jogador a mesmo, o espírito e abordagem foram perfeitos. O desafio é repetir o nível das exibições. Agora vamos ter um grande jogo frente ao Sporting. Todos sabem o respeito que tenho pelo adversário, mas vai ser uma final aqui em casa e os adeptos vão dar-nos a motivação. Da nossa parte, temos de lutar por cada bola e, no fim, logo vemos se conseguimos dar a volta à eliminatória.”

 

 Gonçalo Feio (treinador do Tondela): “Vamos lutar e acreditamos”

Gonçalo Feio, treinador do Tondela. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Em primeiro lugar, dar os parabéns ao FC Porto, um justo vencedor. Mas também aos meus jogadores, pela atitude e pela coragem que tiveram em determinados momentos para serem protagonistas, mesmo contra uma equipa muito forte.

Assumindo o momento em que peguei na equipa, temos de pensar em ganhar todos os jogos. No entanto, estas três semanas não nos permitiram ganhar. Em três jogos fizemos apenas um ponto e sabíamos que iam ser muito difíceis. Ainda assim, permitiram-nos construir uma equipa que acredita nos nossos princípios e naquilo que queremos para o jogo.

Hoje tivemos indicadores de que estamos preparados para enfrentar o que temos pela frente. Agora vão chegar os jogos decisivos para nós e encaro-os com muito positivismo, sabendo que vai ser muito difícil, mas com muita convicção. Temos equipa e temos capacidade para, no fim, dizer missão cumprida.

Optámos por um sistema com três centrais. Queremos ser protagonistas com bola, mas hoje, pela qualidade do adversário, não fomos capazes durante muitos períodos. Sabíamos que o FC Porto ia pressionar alto e tentámos criar superioridade na primeira fase de construção, atraindo essa pressão.

Os golos sofridos doem porque podíamos ter feito melhor. Um golo raramente é um erro individual, é sempre um erro coletivo, e hoje podíamos ter fechado melhor os espaços, sobretudo no primeiro golo. No segundo, também podíamos ter reagido melhor.

Senti uma enorme vontade de competir e de rivalizar com uma grande equipa. Gosto destes jogos. Mesmo sendo um dia difícil, somos privilegiados por representar o Tondela e lutar pela manutenção. Estamos frustrados porque perdemos, mas vamos dar tudo até ao fim.

Demos mais um passo em direção aos nossos adeptos. Estamos aqui, vamos lutar e acreditamos que vai dar para o Tondela.”

Ficha

Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Tondela, 2-0.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores:

1-0, Gabri Veiga, 48 minutos.

2-0, Victor Froholdt, 65.

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Jakub Kiwior (Pablo Rosario, 46), Jan Bednarek, Zaidu Sanusi (Thiago Silva, 62), Alan Varela, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 46), Victor Froholdt, Pepê, Deniz Gül (Seko Fofana, 87) e Oskar Pietuszewski (William Gomes, 70).

Suplentes: Cláudio Ramos, Thiago Silva, William Gomes, Gabri Veiga, Pablo Rosario, Borja Sainz, Terem Moffi, Seko Fofana e Francisco Moura).

Treinador: Francesco Farioli.

Tondela: Bernardo Fontes, Tiago Manso, João Silva, Brayan Medina (Arjen Van der Heide, 70), Christian Marques, Rodrigo Conceição, Ouattara Moudjatovic (Yaya Sithole, 63), Juan Rodríguez, Joe Hodge (Makai Aiko, 63), Pedro Maranhão (João Afonso, 70) e Rony Lopes (Hugo Félix, 78).

Suplentes: Lucas Cañizares, Bebeto, João Afonso, Hélder Tavares, Yaya Sithole, Arjen Van der Heide, Nor Maviram, Hugo Félix, Makai Aiko).

Treinador: Gonçalo Feio.

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Jakub Kiwior (19), Rodrigo Mora (35), Joe Hodge (45+3), Christian Marques (50), Yaya Sithole (80), Alberto Costa (84), Hugo Félix (90), Gabri Veiga (90) e Rodrigo Conceição (90+2).

Assistência: 46.755 espetadores.

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e António Proença (Fotos)

 

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