Todos os dias morrem na estrada

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Na última Páscoa as mortes nas estradas de Portugal quadruplicaram relativamente ao ano passado. O número de acidentes provocou centenas de feridos graves. Os hospitais ou outra qualquer instituição nunca informa a comunicação social do número de feridos graves que vêm a falecer. A GNR a PSP bem levam a efeito campanhas de sensibilização e nestas quadras especiais estão em força nas estradas. Nada serve para sensibilizar os condutores. Por uma única razão. Não sabem guiar. Não cumprem as regras de trânsito. Não têm o civismo adequado para andar com as mãos num volante. Setenta e cinco por cento dos automobilistas portugueses nunca lhes deveria ter sido concedida uma carta de condução.

Tudo tem o seu início nas chamadas escolas de condução, onde se aprende o mínimo dos mínimos, normalmente nos trajectos onde se irá realizar o exame. Os regulamentos do ensino da condução automóvel deviam ser alterados radicalmente. Os condutores tinham de ter uma aprendizagem prática em pistas de autódromos ou de aeródromos que deixaram de ter movimento aéreo. Tinham de aprender a controlar um carro a mais de 100 km/h. Tinham de aprender a desmultiplicar a 120 km/h da sexta velocidade para a segunda, porque numa autoestrada em caso de uma anormalidade, a maioria dos condutores não sabe como reduzir e controlar o andamento do seu veículo. Com uma agravante: mais de cinquenta por cento dos condutores apenas só pega no carro ao Domingo e um outro grande número apenas guia nas férias de Verão.

Depois assistimos aos mais variados acidentes rodoviários por incumprimento do código, por excesso de velocidade e por condução ao telemóvel. Há dias, uma família alemã que se deslocava de Lisboa para o Algarve pela estrada nacional morreu toda. Pais e filhos menores, apenas porque no choque frontal alguém prevaricou passando por cima do risco contínuo e onde a estrada fazia uma lomba. Inconsciência total ao volante assiste-se todos os dias. Não é a caça à multa que resolve esta tragédia que atinge ano após ano os portugueses. É o ensino da condução e os exames. Quantos condutores sabem controlar um carro em piso molhado ou em water planning? Nem vinte por cento.

A situação mortífera nas estradas portuguesas não pode continuar e o Governo tem responsabilidades, porque não se compenetra que algo, e muito, tem de mudar. Todas as semanas temos famílias destroçadas por culpa de quem conduz e de quem superintende no regulamento de aprendizagem e exame de condução automóvel.

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