Liga Europa | FC Porto, 1- Nottingham Forest, 1- Portistas “oferecem” empate

O FC Porto empatou um jogo que merecia, claramente, vencer. O Nottingham igualou sem criar uma única situação iminente de golo. Um lance caricato de Martim Fernandes e Diogo Costa, aos 12 minutos, "destruiu" o futebol fluído, rápido e perigoso dos portistas. Mesmo assim, a equipa da casa foi sempre a melhor. Os ingleses pareciam satisfeitos com o empate. O futebol é caprichoso e ontem pregou uma grande "rasteira" à equipa de Farioli que parecia ser a única a querer ganhar.

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Terá sido confrangedor para os adeptos que lotaram o Estádio do Dragão, assistir a uma partida em que a sua equipa falhou oportunidades de golo em catadupa e “ofereceu” o empate ao adversário que não criou perigo para isso.

Inglês Abbott mais rápido do que Moffi. Foto de TIAGO PROENÇA

Podia ter sido uma noite memorável para os dragões. Começaram o encontro a jogar muito bem. E logo no primeioro minuto, uma das melhores oportunidades. Moffi , na cara de Ortega, não teve engenho ou arte para tocar a bola para o lado do guarda-redes e rematou à figura. No ressalto para trás, Borja Sainz fez o mesmo – atirou contra o guarda-redes.

Um dos muitos lances criados pelo FC Porto e que poderia ter acabado em golo. Foto de TIAGO PROENÇA

Decididamente, Moffi não faz esquecer Samu. Gull também não. Mas Moffi, que esteve mais tempo em campo, fez um jogo nulo. Nem pressão ofensiva, nem dominio de bola, passes defeituosos. Enfim, estar ou não estar pouca diferença terá feito.

Apesar desta perdida flagrante, o jogo continuava a carrilar, com precisão, entre Pablo Rosário, Gabri Veiga e Fofana a quebrarem a defesa do Nottingham e servirem muito bem, william Gomes na direita e Borja Sainz na esquerda. Não surpreende que aos 11 minutos o FC Porto tenha feito o golo, pois as oportunidades perdidas contavam-se pelos dedos – Moffi ( duas vezes), Borja ( duas vezes), William Gomes, Fofana e william Gomes –  podiam ter inaugurado o marcador.

Fê-lo William Gomes. Aproveitou um passe da esquerda de Borja, Moffi não chegou a tempo e apareceu William ao segundo poste, do lado direito do seu ataque, a encostar para o fundo da baliza inglesa.

E Vítor Pereira devia estar preocupado. A sua equipa não conseguia reagir.

Froholdt salta mais alto e ganha a bola a Yates. Foto de TIAGO PROENÇA

Desacerto

No minuto seguinte, o “ponto alto” do jogo e que o condicionou por completo. Martin subiu no terreno e, sem oposição, procurou a circulação por trás, passando para Diogo Costa, como habitualmente acontece. Só que, desta vez, o Diogo estava adiantado e Martin atrasou para o centro da baliza. E a bola rodou, lentamente, para o fundo das redes “azuis-e-brancas”.

Foi como se um balde cheio de cubos de gelo tivesse caído sobre a equipa e até sobre os adeptos, que reagiram muita mais rapidamente do queos jogadores. A partir daquele momento, os Dragões nunca mais foram os mesmos. Ofereceram o empate para surpresa dos ingleses que nem queriam acrediar no que estavam  a ver.

Ortega, guarda-redes dos britânicos trava investida de Pepê. Foto de TIAGO PROENÇA

Mas a tormenta de Martin não ficou por aqui. Piorou. Uma lesão no pé, após 7 minutos da “oferta”, obrigou Farioli a substitui-lo por Alberto Costa.

Fofana era o elemento que mais remava contra a maré, mas, por vezes, tomava decisões erráticas inexplicáveis.

Na segunda parte, Vitor Pereira mexeu na equipa, procurou dar-lhe mais “físico”, mais força defensiva, fazendo entrar Milenkovic, um central “rijo” e um avnçado móvel, Igor Jesus. Mas o seu futebol não melhorou. MacAtee e Bakwa continuavam a ser os melhores.

O 1-1 deixa tudo em aberto, é lógico. Mas o FC Porto podia ter “resolvido” a eliminatória ontem. Se tivesse marcado três ou quatro golos, não surpreenderia, face ao seu volume atacante.

Tentativas de ataque do Nottingham raramento criavam perigo na baliza de Diogo Costa. Foto de TIAGO PROENÇA

A dúvida

A dúvida que se coloca é a seguinte – estará o FC Porto a ressentir-se do esforço da época? Mostrará, no Estoril, que são, apenas, circunstâncias do futebol o que aconteceu frente ao Famalicão e ao Nottingham? Resta-nos aguardar pela resposta da equipa.

Quanto a nós, o FC Porto não tem plantel em quantidade (com qualidade) para discutir em simutâneo a Taça de Portugal, a Liga Europa e o Campeonato. No meio campo, por exemplo, contra o Famalicão, Farioli colocou Varela, Froholdt e Mora. E o rendimento foi o que se viu. Agora, frente aos ingleses, coube a Rosário, Fofana e Gabri Veiga alimentar a “máquina”. Começaram muito bem, mas não tiveram força mental para superar um erro. Não admira, pois, que os jogadores comecem a desconfiar, a questionar-se. O que só prejudica. É como uma bola de neve.

Borja Sainz a cruzar para o golo do FC Porto. Foto de TIAGO PROENÇA

No ataque, Moffi e Gull não fizeram mesquecer Samu e De Jong. Antes pelo contrário – Samu, mesmo nos jogos ( e foram muitos) em que não marcou, tinha presença para pressionar alto e ter dois defesas à sua volta. E é esta pressão que está a faltar à equipa.

Se os jogadores, agora, estão “sobre brasas”, é culpa deles, que sofreram golos do empate, em jogos decisivos, sempre depois dos 90 minutos.

Mas voltando à Liga Europa, a equipa portuguesa mostrou que é melhor em tudo. E tem todas as condições, em situação normal, para vencer em Nottingham. Se assim não for, não passa a melhor equipa. Mas isso, como dizem os entendidos, “é futebol”.

Zaidu travado em falta por Abbott. Foto de TIAGO PROENÇA

O árbitro italiano, apesar de não ter influência no resultado, falhou no aspeto disciplinar.

Declarações

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “A este nível temos de aproveitar as oportunidades”

Francesco Farioli. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“A única equipa que tentou fazer tudo para vencer foi a nossa. Criamos muitas oportunidades para uma vitoria robusta, mas isso não aconteceu.

O autogolo e a lesão de Martim Fernandes quebraram um pouco a dinâmica, tivemos que nos ligar outra vez e, por momentos, não estivemos ao mesmo nível do início do encontro.

Voltamos a criar várias oportunidades, três flagrantes na segunda parte, mas a este nível temos que aproveitar as ocasiões para matar o jogo e quando isso não acontece fica difícil.

Nos primeiros minutos tivemos bons momentos, criamos boas oportunidades e o jogo estava a ser muito bem jogado, talvez sem a nossa habitual intensidade. No entanto, não estávamos ao nível que devíamos.

É pena o empate, mas temos que voltar a página e pensar no Estoril, que é, agora, a nossa preocupação. Esta noite desperdiçamos uma boa oportunidade para ficar numa boa situação, mas daqui a uma semana vamos a Notthingham procurar a vitória”.

 William Gomes (jogador do FC Porto): “Acredito que vamos lá vencer.”

William Gomes Foto de GONÇALO BRAVO/Arquivo OC

“Estou feliz com mais um golo, trabalho muito para estes momentos. Sabíamos que ia ser uma partida muito difícil, infelizmente não saímos com a vitoria, mas acredito que podemos ir lá e vencer.

A escassez de golos não é um problema de eficácia, mas tem noites que a gente tenta e não consegue e outras cria poucas oportunidades e marca.

Sobre o autogolo, aão coisas que acontecem e temos que estar preparados para isso. Após o golo fomos abaixo um pouco, mas conseguimos recuperar e meter energia de novo no jogo”.

Jan Bednarek (jogador do FC Porto):“Resultado dececionante”

Bednarek, Foto de GONÇALO BRAVO/Arquivo OC

“Jogamos bem, mostramos bom futebol e criamos muitas oportunidades, mas, infelizmente, não conseguimos marcar mais golos.

Foi um bom espetáculo, os adeptos gostaram, mas o resultado foi um pouco dececionante, ainda por cima com a forma como o empate aconteceu. Sofrer um golo daquela forma.

Mesmo assim tivemos muitas oportunidades, mas falhámos muitos golos, Espero que na segunda mão a equipa consiga dar uma boa resposta e ganhar.

O autogolo foi um lance que nos abalou, mas acontece. Depois, recuperamos. Foi um lance infeliz para o Martim, mas estamos todos juntos, vamos dar-lhe apoio, e vamos superar este momento.

Mostramos que podemos jogar bom futebol, confiantes, sem medo e muito fortes, e acreditamos que podemos ir a Notthingham passar a eliminatória”.

 Pablo Rosário (jogador do FC Porto):“Acredito…”

Pablo Rosário ( FC Porto) Foto de EPA/EDUARDO COSTA/Arquivo OC

“Tivemos muitas oportunidades de golo, mas só conseguimos marcar um. Mostramos a nossa energia e a nossa cara, perante os nossos adeptos.

O autogolo acontece, é futebol, o importante é ficarmos juntos. Depois disso demos tudo para conseguir a vitória, mas não conseguimos marcar mais golos. Acredito que conseguimos ultrapassar este obstáculo e para isso temos que marcar mais golos do que eles”.

Vítor Pereira ( Treinador do Notttingham):“Levamos um bom resultado”

Direitos Reservados

 

“Tenho dúvidas de que se o golo anulado fosse ao contrário, a coisa teria sido decidida da mesma forma, mas estou sem óculos e eu sem óculos vejo mal. Não vi mão nenhuma, mas o resultado não seria justo, tenho de ser honesto. Levamos um bom resultado, a eliminatória está em aberto, estamos no intervalo, e vamos ver agora o resultado do jogo com o Villa e a equipa com que podemos jogar contra o FC Porto”

 “Muitas emoções no regressoi ao Dragão. Um clube que eu respeito muito, muita gratidão. O clube, os adeptos, o salto da minha carreira foi dado aqui. Os títulos, algum sofrimento, muitas alegrias também. Muito satisfeito, gostei muito do gesto do presidente, do André, de ouvir os adeptos a baterem palmas e foi bonito”

Ficha

Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Nottingham Forest, 1-1.

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores:

1-0, William Gomes, 11 minutos.

1-1, Martim Fernandes, 13 (própria baliza).

FC Porto: Diogo Costa, Martim Fernandes (Alberto Costa, 19), Thiago Silva, Jan Bednarek, Zaidu, Pablo Rosario, Seko Fofana (Alan Varela, 74), Gabri Veiga (Victor Froholdt, 59), William Gomes, Terem Moffi (Deniz Gül, 59) e Borja Sainz (Pepê, 58).

Suplentes: Cláudio Ramos, João Costa, Alberto Costa, Kiwior, Prpic, Francisco Moura, Alan Varela, Victor Froholdt, Tiago Silva, Rodrigo Mora, Pepê e Deniz Gül).

Treinador: Francesco Farioli.

Nottingham Forest: Stefan Ortega, Dilane Bakwa (Neco Williams, 61), Zach Abbott, Murillo, Morato, Dan Ndoye, Morgan Gibbs-White (Omari Hutchinson, 60), Nicolás Domínguez, Ryan Yates, James McAtee (Ibrahim Sangaré, 74) e Cris Wood (Igor Jesus, 46).

Suplentes: Matz Sels, Ola Aina, Neco Williams, Justin Hanks, Nikola Milenkovic, Ibrahim Sangaré, Archie Whiteall, Jimmy Sinclair, Callum Hudson-Odoi, Omari Hutchinson, Igor Jesus e Lorenzo Lucca).

Treinador: Vítor Pereira.

Árbitro: Marco Guida (Itália).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Gabri Veiga (15).

Assistência: 46.479 espetadores.

Singela, mas justa homenagem a um grande treinador europeu, o romeno MIrcea Lucescu, falecido esta semana. Foto de TIAGO PROENÇA

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Tiago Proença (Fotos)

 

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