UO pavilhão Dragão Arena foi, este sábado, palco de um dos capítulos mais conturbados da história recente do andebol nacional. O Sporting CP saiu vitorioso frente ao FC Porto (30-33), mas o resultado desportivo acabou quase eclipsado por uma nuvem de polémica que começou antes mesmo do apito inicial.
O incidente dos balneários
A partida registou um atraso de 15 minutos devido a uma denúncia da comitiva leonina. O Sporting alegou a presença de um “odor insuportável e substâncias estranhas” no balneário visitante, que teriam provocado mal-estar físico em vários elementos. O cenário agravou-se com o transporte hospitalar do treinador Ricardo Costa e do atleta Christian Moga, ambos impossibilitados de participar no encontro, ficando fora da ficha de jogo..
O Sporting avançou com um protesto formal junto da Federação de Andebol de Portugal, enquanto o FC Porto reagiu duramente em comunicado oficial, classificando as acusações como “graves e infundadas“, informando que a PSP foi chamada ao local, para garantir a conformidade das instalações, não tendo detetado anomalias. Os “dragões” acusam o Sporting de criar um cenário de vitimização deliberado.
A polémica nas bancadas: Martim Costa sob fogo
No rescaldo do encontro, o diretor-geral das modalidades do FC Porto, Mário Santos, lançou uma nova bomba: acusou o internacional português Martim Costa de ter agredido um adepto portista durante o aquecimento. Segundo o dirigente, existem imagens que mostram o jogador a “entrar pela bancada e a empurrar deliberadamente um espectador“. O caso já foi reportado aos delegados da Federação presentes no recinto.
O jogo: eficácia leonina vs. nervosismo azul e branco
Não obstante o ambiente hostil, o Sporting — orientado pelo treinador-adjunto Ricardo Candeias — mostrou uma frieza invulgar. Os “leões” lideraram quase sempre, beneficiando ainda da expulsão precoce de Daymaro Salina (FC Porto) aos 17 minutos por agressão a Kiko Costa, revista pelo sistema de vídeo-árbitro.
Apesar da ausência do seu treinador principal no banco, o Sporting demonstrou uma maturidade tática superior. Ao intervalo, os “leões” venciam por 16-19. Na segunda metade, o FC Porto ainda recuperou de uma desvantagem de três golos, chegando a liderar por 26-25, mas os erros não forçados, a eficácia de Orri Þhorkelsson e a exibição inspirada de Mohamed Aly na baliza leonina travaram a reviravolta e ditaram o 30-33 final. Com este resultado, o Sporting isola-se no topo com 36 pontos, deixando o Porto em situação crítica na luta pelo tricampeonato.
O ponta-esquerda islandês, Orri Þhorkelsson, foi o melhor marcador do encontro com 11 golos. Num jogo decidido nos detalhes e na resistência psicológica, Þhorkelsson foi infalível nos livres de sete metros e letal no contra-ataque. Enquanto o pavilhão fervia com protestos e incidentes, o camisola 17 manteve o foco, sendo a peça fundamental para garantir que os pontos viajassem para Alvalade.

Rumo ao título
Com este triunfo na 1.ª jornada do Grupo A da fase final, o Sporting CP aumenta a vantagem na tabela classificativa e dá um passo determinante rumo à revalidação do título. Para o FC Porto, resta agora a difícil tarefa de recuperar psicologicamente de uma derrota caseira que deixa pouca margem de erro para o resto da temporada.
As entidades disciplinares da Federação deverão agora analisar os relatórios de delegados e autoridades para apurar responsabilidades sobre os incidentes que marcaram a tarde no Porto.
Colaborador/Repórter Fotográfico
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