Estou prestes a entrar numa sala de aula para dar economia a jovens que se preparam para entrar no mundo da gestão e da restauração. Levo comigo anos de experiência, decisões certas e erradas, vitórias e derrotas.
Confesso que penso muitas vezes no impacto que posso ter, até porque não se trata de simplesmente ensinar conceitos, é sobre ajudar a formar mentalidades, estimular o pensamento crítico.
Portugal continua a ter uma taxa de mortalidade empresarial elevada. Demasiado elevada! Segundo a Informa D&B, mais de metade das empresas não sobrevive além dos primeiros cinco anos. No setor da restauração, onde as margens são muito curtas e os imprevistos constantes, a estatística é ainda mais dura.
Se há algo que quero passar desde o primeiro dia é que o sucesso não se mede em meses. Mede-se na constância de todos os pequenos atos, sobretudo aqueles que ninguém vê.
Vivemos numa cultura obcecada pelo imediato.
Abrir negócio à espera que dê logo frutos. Nas escolas também sinto isso. A ideia de que estudar economia é apenas decorar a teoria para os exames e não o que é na verdade. Aprender a tomar importantes decisões que verdadeiramente definem o destino.
Quero ser claro com os meus alunos. Um negócio não se constrói com pressa nem com lindas frases feitas, partilhadas nas redes sociais. Constrói-se com planeamento, muita paciência e ainda mais disciplina.
Nos relatórios europeus, vejo constantemente sinais contraditórios. Por um lado, o Global Entrepreneurship Monitor mostra que a taxa de atividade empreendedora em Portugal até cresceu nos últimos anos. Por outro, o Fórum Económico Mundial continua a colocar-nos muito atrás na valorização do talento e na igualdade de oportunidades. Sinais de que precisamos de mudar a forma como preparamos os jovens para empreender. Os exemplos que tenho partilhado nestes textos de opinião, são os que quero levar comigo para a sala de aula, mostrar que a liderança e o empreendedorismo não se confundem com a exibição, mas com resultados tangíveis.
Vou começar a ensinar economia num tempo em que o mercado exige constante adaptação. Num tempo em que os jovens são bombardeados com imagens de sucesso instantâneo. Resultados fáceis, à distância de um vídeo publicado no TikTok.
Quero que percebam que o verdadeiro sucesso raramente é visível no início. Que por trás de cada conquista que se torna pública houve um processo silencioso, muitas vezes árduo, que sustentou aquilo que mais tarde brilhou.
Não prometo receitas rápidas nem fórmulas mágicas.
O que prometo é falar-lhes da realidade tal como ela é!
Que no setor da restauração, tal como na vida empresarial em geral, não basta abrir portas. É preciso saber fechá-las no momento certo para não acumular prejuízos. Que na gestão não basta olhar para a faturação, é preciso perceber a liquidez, a rentabilidade, o planeamento. Que na economia o sonho não comanda a vida, é preciso agir com base em dados e ter disciplina. Muita!
E, sobretudo, quero que entendam o seguinte. O que não se vê também constrói. O esforço silencioso é tão importante como o resultado.
Se eles conseguirem aprender isso comigo, já terei o meu trabalho realizado.
Aprender, ensinando – Por Rui Rodrigues
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Doutorado em Administração de Empresas | Consultor e Formador | Fundador da MindsetSucesso | Investigador em Sucessão Empresarial, Liderança no Feminino e Desenvolvimento de Talento







