Ministério dos Seios – Por Miguel Correia

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Confesso que não tenho qualquer intenção maquiavélica ou desejo inconsciente de arranjar problemas, mas por algumas vezes admiti que o título é (mesmo) a melhor parte da crónica – e, lá no fundo, gostava de ver a expressão facial do director quando recebe estes meus devaneios.

Por outro lado, desculpem que vos diga, se ficam chocados com a palavra seios algo está errado, até porque não recordo ter leitores em conventos.

Tudo isto vem na sequência das declarações de alguém com responsabilidades governamentais mas, tal como parece ser norma, pretende atingir o estrelato com recurso à pura da estupidez e completa falta de bom senso. Os eleitores – que compareceram nas urnas – deveriam saber que a escolha na social-democracia implica que as regalias passem para a entidade patronal, uma vez que produzem riqueza para pagar os salários.

Ao mesmo tempo, é mais que conhecida a apetência para os trabalhadores ficarem doentes com alguma frequência em determinadas alturas festivas. A falta de produtividade contrasta com a constante exigência dos direitos do proletariado, principalmente quando começa o turno e meia hora depois ainda estão a tomar o pequeno-almoço…

Utilizar a comunicação social para “enviar recados” tem o mesmo efeito que gasolina numa fogueira. Até porque, tal como acontece com o uso do telemóvel enquanto se conduz, todos são inocentes – e não há pior que ofender as virgens! O pináculo do confronto laboral é quando a acusação está, digo eu, mal fundamentada. A Ministra do Trabalho garantiu o seu lugar no “corredor da memória” ao afirmar que as crianças com mais de dois anos não devem ser amamentadas durante o horário de trabalho da mãe. E, segundo ela, as progenitoras prolongam a dispensa da amamentação para conseguir horário reduzido.

Não vou discutir a veracidade destas afirmações – até porque o “chico-espertismo” está presente em todo o lado! A ironia (e foco da minha análise) incide na forma como se abordou o tema, quase culpabilizando as mães pelas queixas dos patrões, que nunca ficam satisfeitos com a margem de lucro.

Será necessário apurar o número de mulheres que tem capacidade de alimentar a criança baixando a alça do soutien e quem vai fazer é a questão que se impõe! A Ordem dos Médicos já recusou fazer parte deste circo mediático, de observação de seios. Ao contrário de alguns médicos que, em nome da ciência, até nem se importavam de tamanho sacrifício.

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