A cidade de Vila do Conde preparou-se para receber, mais uma vez, uma das mais prestigiadas mostras de artesanato do país, que está a decorrer desde 26 de julho até 10 de agosto.

A 47.ª edição da Feira Nacional de Artesanato prometeu manter viva a tradição secular das artes e ofícios portugueses, ao mesmo tempo que abraçou causas sociais importantes.

Tradição centenária em destaque
Com mais de quatro décadas de história, esta feira consolidou-se como uma montra privilegiada do saber fazer português. Artesãos de norte a sul do país convergiram para os jardins vilacondenses, trazendo consigo técnicas ancestrais que passaram de geração em geração. Das famosas rendas de bilros, património imaterial da região, até às cerâmicas alentejanas, passando pelos bordados de Viana e pela ourivesaria do Porto, cada peça conta uma história única.

Inovação na continuidade
Esta edição distinguiu-se pela integração de projetos sociais inovadores, nomeadamente através de parcerias com instituições de saúde mental. A iniciativa visa desconstruir preconceitos e mostrar como a arte pode ser um poderoso instrumento terapêutico e de inclusão social.

Mais que uma feira, um encontro cultural
Para além da componente comercial, o evento funcionou como um verdadeiro laboratório cultural a céu aberto. Visitantes puderam assistir ao trabalho dos artesãos em tempo real, participar em oficinas práticas e descobrir os segredos de técnicas milenares. A gastronomia regional completou a experiência sensorial, com sabores autênticos de cada canto do país.

O futuro do artesanato português
A presença de jovens artesãos demonstrou que estas tradições não são relíquias do passado, mas sim patrimónios vivos que se reinventam. A feira tornou-se, assim, uma ponte entre gerações, onde o conhecimento ancestral se transmite e adapta aos tempos modernos.

A 47.ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde confirmou, uma vez mais, ser muito mais que um evento comercial – é um momento de celebração da identidade cultural portuguesa e de promoção dos valores da inclusão e diversidade.

O Cidadão esteve em conversa com Isabel Carneiro, mentora de um projeto de rendas de bilros que está a ser frequentado por um grupo de meninas que querem aprender uma das mais belas e ancestrais artes manuais do país.

OC – Como surgiu este projeto de expandir o ensino de rendas de bilros para Bagunte?
Isabel Carneiro – O Museu de Rendas de Vila do Conde tem uma escola que já vem desde 1919. No sentido de alargarmos esta atividade, porque as rendas de bilros estavam essencialmente concentradas no centro da cidade e nas freguesias mais próximas, como Azurara ou Árvore, tivemos o pedido das meninas. Elas fizeram uma visita ao museu, gostaram de experimentar, falaram com o presidente da junta de freguesia e então decidimos ir duas vezes por semana – à quarta-feira à tarde e à sexta-feira à tarde – à União de Freguesias de Bagunte, Outeiro Maior, Ferreiró e Parada.
OC – Há quanto tempo existe este grupo?
Isabel Carneiro – Este grupo de crianças nasceu há dois anos. Curiosamente, no Dia Internacional da Mulher. Mas faz sentido, porque efetivamente a tradição é feminina. Mesmo quando aparece um rapaz, em Portugal este fenómeno é raro. No entanto, os homens têm uma grande importância na renda de bilros porque fazem os desenhos, que não podem ser desenhos quaisquer – eles também têm a sua importância.
OC – Como foi organizado o desfile de moda?
Isabel Carneiro – Curiosamente, este projeto nasceu no Dia Internacional da Mulher e este ano conseguimos fazer, com tão pouco tempo, um desfile de moda em que elas apresentaram as roupas que mais gostavam e as peças que tinham feito. Aquele vestido que está ali é o vestido da mordoma, que achámos por bem que toda a gente participasse na sua confeção. Foi feito pelos alunos.

TEXTO E FOTOS | VÍTOR LIMA/OCidadão
Repórter














