A propósito do 25 de Novembro de 2025, dia em que escrevi esta crónica, referindo-me, porém, ao 25 de Novembro de há 50 anos.
E porque se comemorou aquela data e, quanto a mim, que nem sou político, mas vivi o escaldante ano de 1975, considero absolutamente justa a comemoração.
Muito se falou , e ir-se-á continuar a falar sobre esta data. Uns dizem que não é comemorável; que o 25 de Abril sim, essa é que foi importante; outros dizem que ambas têm o mesmo valor e devem, obviamente, ser lembradas e festejadas.
Bom, claro que cada cabeça tem a sua sentença.
Quanto a mim, que como disse vivi, assisti à derrocada de alguns valores que existiam vindos do regime anterior, perderam-se em ideologias que nada tinham a ver com democracia.
Foi o pandemónio, no chamado Verão Quente. Passou a vigorar a arrogância, a mentalidade deformada por conceitos de civilidade que nada tinham a ver com o respeito e a dignidade das pessoas. Ofensas, provocações gratuitas, prisões arbitrárias, arruaças constantes, rebentamentos de carros e bens dos “supostos” ricos. Uma calamidade direi, e acrescento:
Nesta “gloriosa” época aconteceram coisas de bradar aos céus: invasões de empresas, expulsão dos seus legítimos proprietários, expondo-os ao ridículo de nem sequer permitirem a sua entrada no que era deles. Outra grande obra deste encantado ano, foi a fantástica reforma agrária, que espoliou os latifundiários (aqui, em alguns casos, temos de admitir que havia exploração dos trabalhadores) mas isso não lhes dava o direito de os expulsarem do que era deles.
Os latifundiários produziam centenas de milhares de toneladas de trigo anualmente com que abasteciam o país e exportavam. Das alfaias e máquinas agrícolas, com a posse enlouquecida dos trabalhadores (todos queriam mandar) de forma anárquica e de total
incompetência, tanto na organização, como na gestão das ditas propriedades, teve como consequência a destruição de máquinas, do património e, mais agravante, na quebra de produção, que praticamente deixou de existir, porque ninguém plantava, todos eram donos.
É por isso, que eu, que vi um copcon a prender aquele que fosse denunciado, por alguém que não gostava da tal pessoa, que ouvi na TV o chefe desse grupo militar, dizer que mandaria para o campo pequeno (aludindo a antiga Roma) todos os fascistas. Francamente nem sei quem era mais fascista.
Então, porque esta narrativa vai longa, resta-me dizer:
Viva o 25 de Abril
Viva o 25 de Novembro
Ambas efemérides foram libertadoras de jugos extremistas. As duas datas representam o fim de duas ditaduras!

Escritor






