Bertrand Bainvel, representante da UNICEF junto da União Europeia, afirmou que 2024 foi o pior ano para as crianças desde a II Guerra Mundial, devido a uma combinação de mais pobreza, menos escolas, menos vacinas e um número histórico de deslocados, metade dos quais crianças. Segundo Bainvel, trata-se de uma crise de solidariedade global e de “profunda incerteza” para os mais pequenos.
O subfinanciamento das agências das Nações Unidas agrava os desafios, tornando investir na ajuda não um ato de caridade, mas de responsabilidade, sublinhou o responsável. O próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE (2028-2034) será decisivo para definir o tipo e a dimensão da ajuda a organizações como a UNICEF.
Beatriz Imperatori, diretora executiva da UNICEF, destacou a necessidade de novas abordagens para proteger as crianças, apontando que em 2024 mais de 1,3 milhões de pessoas relataram terem sido vítimas de violência na infância, incluindo mais de mil casos de abuso sexual. A proposta do Comité Português para a UNICEF inclui a criação de uma Estratégia Nacional para a Erradicação da Pobreza Infantil e de uma entidade coordenadora para os direitos da criança.
Apesar dos desafios, a Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada por Portugal há 35 anos, permitiu progressos como redução do analfabetismo de 11% para 3%, aumento da escolaridade obrigatória para 12 anos, acesso universal a cuidados de saúde e vacinação de 98% das crianças no primeiro ano de vida, e a proibição do casamento infantil.
Para assinalar o aniversário da Convenção (20 de novembro) e da Declaração dos Direitos da Criança (1959), a UNICEF promove o movimento “Go Blue”, iluminando de azul edifícios e monumentos em 21 cidades portuguesas entre as 18h e a meia-noite de quinta-feira.
OC/MP
Jornalista free-lancer














