Yoga dentro ou fora da sala de aula

Acredito profundamente que não ensinamos nada aos nossos alunos que não estejamos, antes de mais, a tentar viver. O yoga não é um tapete, começa na forma como falamos, como escutamos, como lidamos com o conflito, com o erro, com o outro e connosco próprios.
Não vale a pena apregoar palavras bonitas, mudar o tom de voz, usar chavões, se depois eles não existem na nossa vida pessoal, ou na forma como somos professores, colegas ou seres humanos. O yoga não se mede pela eloquência do discurso, mas pela coerência entre o que dizemos e o que fazemos.
Ahimsa, satya, asteya, brahmacharya e aparigraha — falam-nos de não violência, verdade, integridade, moderação e não apego. Não são conceitos filosóficos distantes: manifestam-se na forma como tratamos os nossos alunos, como respeitamos limites, como lidamos com o ego, com a competição, com o sucesso e com o fracasso.

É fácil falar de ética, difícil é praticá-la quando somos contrariados, quando nos sentimos inseguros, quando o outro nos incomoda.
Começo este ano com a intenção de ser uma professora mais honesta do que perfeita, mais presente do que brilhante, mais humana do que espiritualizada.
Se o yoga não nos torna mais conscientes, mais responsáveis e mais íntegros uns com os outros, então acho que não serve para nada.
Que este ano possa:
– Ouvir mais e falar menos;
– Reconhecer quando erro;
– Continuar a estudar, e sobretudo observar-me;
– Ser coerente e mais humilde.
Esta mensagem não é para nenhum destinatário especifico e não pretende ser nenhum ensinamento. É apenas uma partilha do que penso, do que sinto, do que vivo e do que quero manifestar para 2026.
OC/IR