“Viver não custa, o que custa é saber viver…” (a minha auto-análise!) – Por António Ferro

Esta frase foi-me dita, quando tinha treze anos, pelo meu primo João Mantas.

Será preciso chegar aos sessenta e cinco anos, para, finalmente, pôr em prática esta frase? O que andei a fazer todos estes anos? Não me arrependo do passado, pois aprendi muito com ele…E é ele que me tem orientado para poder analisar e colocar em prática o meu presente. Cortar, com o que não quero MESMO para a minha vida! O passado já passou, o presente é o que temos de viver com a máxima força todos os dias do nosso curto tempo na terra…

Vocês perguntam: – Quais os melhores anos da tua vida?

– Dos nove meses aos seis anos, quando vivi com os meus queridos avós! O presente, desde 18 maio de 2025, e os próximos vinte anos!

Se pelo contrário, não conseguirmos entender o que se passou na nossa vida, se não tivermos aprendido nada com o nosso passado, com os erros que cometemos e quem não erra? Então a nossa vida não é uma vida! É uma vidinha de sobrevivência sem interesse nem motivação para evoluirmos…

Como diz Chico Xavier: “Ninguém pode voltar atrás e começar uma nova vida, mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

Por isso minhas amigas e meus amigos, mãos à obra! Tudo está por fazer e nada fica totalmente resolvido na nossa vida!

Imaginem o meu caso atual, os quatro pilares, que norteiam a nossa vida, ruíram completamente!

Familiar: O meu filho não me fala há mais de um ano e nem me deixa estar com os meus netos!

Conjugal: A minha sexta mulher, mostrou-me o cartão de vermelho, saí de casa em 18 de maio e, as primeiras noites, foram passadas no aeroporto…

A seguir, a minha querida assistente social, conseguiu o albergue de Campanhã, o que muito agradeço! As regras e os horários rigorosos é que me custam mais…

Profissional: Perdi os poucos projetos que tinha como músico. Inscrevi-me num curso de “Técnico de Cozinha e Pastelaria” e estou a gostar muito! Como finalmente recebi este mês o RSI, vou aproveitar para poupar dinheiro…

A GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas), forneceu-me um cartão “milagroso”
do Continente, com o qual eu tenho comprado algumas coisas que, de outro modo, não conseguiria comprar, como uma impressora, por exemplo…

Financeiro: Foram muitos meses com a conta reduzida a cêntimos…

Mas isso não voltará a acontecer. Palavra de Ferro!

Vou finalmente conseguir organizar as minhas finanças e ter dinheiro guardado de lado, para o que poder vir a acontecer no futuro…

Há quatro meses que vivo sozinho, sem filho, sem mulher e sem casa!

Há quatro meses que não recebo um telefonema de um amigo(a), nem para um simples café fui convidado. Confesso que no início, durante o primeiro mês, senti-me abandonado, mas agora vivo muito feliz! Eu que em tempos, tinha muita facilidade em conversar e conhecer mulheres, agora fiquei sem jeito…Apercebi-me disso em Sendim no festival folk e na Festa do Avante, onde acabei por ter que fazer direta, nos dois locais…

Penso que neste momento e depois de experienciar a vida a dois, durante quarenta e cinco anos da minha vida, com seis mulheres e quatro amantes, agora, além de necessitar de “férias matrimoniais”, necessito de experimentar uma vida a sós, de solteiro! E assim me quero manter, no presente e no futuro!

Este estado de solteiro, trouxe-me um bem muito precioso – a liberdade!

Eu é que decido onde vou, com quem vou, onde almoço ou janto, etc…

Curiosamente, inscrevi-me num ginásio. Tenho ido mais vezes à praia nestes últimos quatro meses, mais do que em sete anos a viver na Afurada, com a praia de rio e mar, a dez minutos a pé da minha casa.

Os domingos enfadonhos, que na altura considerava o pior dia da semana, agora são fantásticos! Cartão verde da CP e aí vou eu sem destino marcado, passar o dia, nesse Portugal que eu tão bem conheço!

Bem, chega de falar de mim, vamos voltar ao primo João Mantas!

O meu primo, mandou fazer um casaco com seis bolsos!

Num dos bolsos, tinha um cartão com fotografia de maquinista da CP, deixou de pagar nos comboios…No outro bolso, um cartão da ASAI e deixou de pagar refeições e assim, passou a comer nos restaurantes mais caros! O terceiro bolso, era destinado ao cartão da Ordem dos Advogados…O quarto era o cartão de militar na reserva e, sinceramente. os últimos dois já não me lembro bem…

Fazia gasolina em casa e o carro andava!

Agora entendem a razão da sua frase: “Viver não custa, o que custa, é saber viver!!!”