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Domingo, Maio 19, 2024

Viva a Liberdade, 25 de Abril Sempre!

Viva a Liberdade, Viva o 25 de Abril! Naquele dia 25, Portugal não ganhou apenas uma nova forma de governo, mas uma nova alma. Ganhou-se esperança e luz perante uma escuridão profunda, ganhou-se Vida.

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A liberdade trouxe consigo também a responsabilidade de olhar para as feridas do passado, de curar a repressão e o isolamento. O país abriu-se, e com ele abriram-se as portas para os direitos humanos, para a igualdade, para a solidariedade entre povos e nações.

Nada menos adequado do que salientar o lema já anteriormente defendido da Revolução Francesa: Liberté, Égalité, Fraternité – Liberdade, Igualdade, Fraternidade!

A descolonização, apressada e tumultuada, foi o preço a pagar por anos de uma política virada apenas para dentro, esquecida do mundo que mudava.

É verdade que nem todos os sonhos de Abril se realizaram.

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Capitães de Abril e companheiros de Salgueiro Maia, na escola Prática de cavalaria, em Santarém. Foto de José Peixe

Muitas vezes, tropeçamos na própria liberdade, confundimos democracia com desordem, igualdade com indiferença. Mas não podemos esquecer que cada passo, mesmo vacilante, é um passo em frente, é um movimento em direção à luz.

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Capitães de Abril em Santarém. Foto de José Peixe

E talvez, só talvez, tenhamos aprendido que a verdadeira segurança não está na vigilância ou no poder das armas, mas na certeza de que cada homem, cada mulher, é livre para escolher, para viver, para ser.

Neste longo caminho que ainda percorremos, o 25 de Abril é o nosso ponto de partida, o momento em que decidimos, coletivamente, que a liberdade é o ar que devemos respirar. Que o cravo vermelho não seja apenas uma flor de um dia, mas o símbolo de uma luta contínua, de uma conquista diária.

A revolução foi feita, sim, mas a construção da liberdade é obra de todos os dias, de todos nós.

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Capitães de Abril em Santarém. Foto de José Peixe

E essa mesma revolução foi feita, e serviu de modelo único aos demais países que igualmente viviam situações idênticas.

A originalidade da transição portuguesa foi, de imediato, assinalada pela imprensa internacional.

Por exemplo, quem não se lembra quando a 6 de maio de 1974, a Newsweek chama a atenção para o facto de os portugueses sempre terem revelado uma “maneira muito sua” de fazer “as coisas”.

Ou quando o jornalista do Le Monde, Dominique Pouchin, assinala a sua excecionalidade, ao referir tal momento como o “último teatro leninista”, uma “Cuba na Europa do Sul”.

Quanto ao nuestros humanos, tal passagem para a democracia foi posterior, mas neste caso os contornos e os moldes com que a mesma aconteceu foram diferentes.

E o sentimento vivido em terras de Cervantes foi bem mais pesado. Basta ir ao Valle de Los Caídos em San Lorenzo de El Escorial, em Madrid, e ainda se sente a brutalidade que é viver num cenário de ditadura.

No interior daquela montanha pensa-me no medo, na escuridão e tristeza que foi viver o nosso quotidiano em momentos de profundo atentado a tudo o que representa a dignidade humana.

É o abandono da nossa essência … é esse mesmo abandono que por exemplo Francisco Franco deveria ter valorizado em não fazer passar ao seu povo.

Aliás, o mesmo quando completou os 14 anos, o pai dele abandonou-o e ele acabou por abandonar a sua família. Ali se criou ódio que posteriormente, e inacreditavelmente o transpõe para toda uma sociedade.

Poderia não o referir diretamente, mas quem não se lembra do livro que escreveu, usando o pseudónimo de Jaime de Andrade. Foi um romance e representa aquilo que gostaria de ter visto no seu pai. Que ele tivesse sido como pai.

O ditador espanhol herdou da mãe a moderação, a austeridade, o autocontrolo, a solidariedade familiar e o respeito pelo catolicismo, todavia, o ADN do pai foi mais forte, herdou a dureza e a frieza de um ditador.

Quando assim analisado, pode-se questionar que António Oliveira Salazar foi um menino do coro comparado com Francisco Franco.

Contudo, não é isto que está em causa, e ambas as situações foram igualmente graves para um coletivo e sociedade que procura sim desenvolver-se pelo conhecimento, pela transparência e por tudo o que de mais elementar o alcance humano deve atingir, ou seja, a liberdade de pensamento e de agir.

E voltando ao contexto nacional, meia década se cumpre no preciso momento de democracia…

Deste modo, as celebrações do 50.º aniversário do 25 de Abril, que se estendem de 2022 a 2026, são um período crucial para ponderar sobre o legado indelével da Revolução dos Cravos em Portugal.

Estes eventos não são apenas cerimoniais; eles servem como uma plataforma vital para solidificar a memória coletiva do país, reafirmar a importância da democracia, liberdade e progresso que foram inaugurados em 1974, e inspirar as futuras gerações a valorizar e defender esses princípios.

O programa de celebrações foi cuidadosamente delineado sob três eixos temáticos, conhecidos como os três ‘D’: Descolonização, Democratização e Desenvolvimento. Cada um desses temas encapsula um componente essencial da metamorfose de Portugal no pós-25 de Abril.

A Descolonização aborda o processo de independência das colónias africanas, que redefiniu o papel internacional de Portugal.

A Democratização reflete sobre a transição de um regime autoritário para um sistema democrático robusto e resiliente.

O Desenvolvimento foca nos avanços económicos e sociais alcançados sob o novo regime, marcando uma era de modernização e crescimento sustentado.

O ano de 2024 ocupa um lugar de destaque nas comemorações, pois assinala não só o 50.º aniversário da Revolução dos Cravos, mas também o advento da democracia em Portugal.

A efeméride é celebrada através de uma série de eventos multifacetados, como exposições que documentam a trajetória histórica, seminários que promovem debates sobre os desafios contemporâneos da democracia, e atuações culturais que expressam as transformações sociais através da arte.

Estas atividades são desenhadas para destacar tanto o impacto histórico quanto o legado duradouro da revolução, sublinhando o papel da cultura e da educação na perpetuação dos valores democráticos.

Mais do que uma retrospeção, as comemorações aspiram a ser um catalisador para o envolvimento cívico e político.

Ao recordar o espírito do Movimento das Forças Armadas (MFA), que pugnava por paz, liberdade e progresso, estas celebrações reiteram a importância de tais valores na sociedade portuguesa contemporânea.

Assim, o 50.º aniversário do 25 de Abril transcende a mera celebração histórica, configurando-se como um convite à reflexão ativa e ao compromisso renovado com os princípios democráticos que continuam a definir e a guiar Portugal.

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Exposição de Viaturas em Santarém. Foto de José Peixe
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Exposição de Viaturas em Santarém. Foto de José Peixe

Viva os 50 anos de Liberdade. Vivam hoje e sempre o 25 de Abril!

Texto de Mário Gonçalves, Miguel Lopes e Pedro Nogueira Simões

Fotos de José Peixe

 

 

 

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