Vidas cruzadas… vidas duplas… – Por Rosa Maria Aranha

No decorrer dos dias, incompreensívelmente, deparo que há vidas duplas que com subtileza e ligeireza são encaradas de forma leviana, sem sentimento, rumo e razão de ser…
Existem uniões ou relações que permanecem num tempo e espaço indeterminado e bem contornado a cor cinzenta, que não existindo qualquer sentimento e/ou ligação amorosa procuram numa outra relação paralela aquilo que não têm naquela relação para a qual não tiveram, não têm como nem sequer terão força nem coragem para dizerem Basta!
Aumentam, atroz e incessantemente, uniões ou relações em que quatro pessoas são e estão infelizes e presas a uma neblina vida em comum, que há muito terminou e que poderiam ser felizes e libertas de um casulo, inserto e camuflado na mera aparência e simples ilusão … fingem não à sociedade, mas para si mesmo… uma mentira dupla…
Por vezes, alguns relacionamentos permanecem porque estão envoltos em mentalidades tradicionais, outros aguentam e suportam determinados flagelos pelos filhos, ainda menores – um gigantesco e gravíssimo erro – outros, por simples comodidade e ainda outros e mais insólito são os que têm prazer e apetência para a vivência em zona de perigo, de “esconde esconde”, pela fugaz sede de aventura, que nada mais é do que uma vida de engodo, de mentira e de simples aparência que levam para caminhos catastróficos, cujas consequências são, lamentavelmente, irreparáveis, incontroláveis e insuportáveis…
Acontece que, este tipo de relacionamentos existem e tendem a aumentar cada vez mais, por vezes, dada a permissibilisade de parte a parte para uma relação aberta, compatuada e aliada à falta de amor próprio e de se permitirem a encontrar a paz e felicidade numa verdadeira relação a dois … à qual a outra em que insistem viver e permanecer, há muito, perdera qualquer sentido e hipótese de renascer das cinzas…
Na verdade, cada vez mais, existe uma enorme dificuldade em encontrar a paz interior, a emoção de viver, o aproveitar o segundo como se fosse o último e acima de tudo obstam o amor próprio…
Indubitavelmente que existe, nas uniões ou relações, uma acomodação plena e repleta de falta de sentido, um viver por viver, uma revolta interior, uma escassez de sentimento que, por vezes, pretendem encontrar e obter a falta de tudo isso num outro parceiro bem diferente do que têm “em mãos” e que julgam ser a sua “tábua de salvação” – um mero lapso de imagem e de percepção no que miram … uma surreal e triste realidade!
Acontece que, é aqui que a procura incontrolável e avassaladora de um parceiro(a) ofusca a visão e o discernimento do bem e do mal … e tendem em embarcam em caminhos sinuosos, tumultuosos e tempestuosos que levam à falta de autoestima, à depressão, ao isolamento e muitas vezes ao suicídio, por pensarem e se sentirem rejeitadas, negadas e não amadas por alguém…
… vidas cruzadas repletas de ócio, sem sentimento ou valência e sem quaisquer expetativas de resposta…
A refletir …