Universidade do Porto cria primeiro doutoramento em Física Médica

Este novo ciclo de estudos resulta de uma colaboração inédita entre a Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto (FCUP), a Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto (FMUP), o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
(ICBAS) e o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto).
O que faz, afinal, um físico médico? Na prática, é o cientista que garante que a
tecnologia de ponta usada nos hospitais funciona em perfeita harmonia. Esta profissão,
pouco conhecida do grande público, é uma peça fundamental no funcionamento de
qualquer serviço de oncologia, radiologia ou medicina nuclear.
“O físico médico deve aplicar conceitos físicos extremamente avançados para assegurar
que a radiação é uma ferramenta de cura e não um risco acrescido. É ele que equilibra
a proteção do doente com a eficácia do tratamento»”, explica Pedro Teles, docente da
FCUP e diretor deste novo programa doutoral.
Parceria com o maior núcleo de física médica em Portugal
Este doutoramento, com aplicação direta em investigação ligada ao cancro, surge em
parceria com o IPO Porto, onde está localizado o maior núcleo de física médica em
Portugal. Nesta instituição, será construído, em breve, um novo centro de protonterapia, uma forma avançada de radioterapia que utiliza feixes de protões para destruir células cancerígenas.
Nos últimos anos, a medicina transformou-se. Os tratamentos contra o cancro são hoje
mais eficazes, mais personalizados e menos agressivos do que há uma década. Por
trás desta evolução está, em grande parte, a Física Médica — a disciplina que assegura
que cada dose de radiação é calculada ao pormenor, que cada imagem de diagnóstico
é otimizada, e que os novos equipamentos funcionam com a máxima segurança.
Entre as saídas profissionais deste ciclo de estudos estão a carreira académica e de
investigação em universidades e centros de I&D, a investigação clínica em hospitais e
instituições do SNS, indústria de equipamentos médicos e farmacêutica, e a consultoria
técnica e regulamentar em proteção radiológica.
Um curso personalizável e a pensar em quem já está a trabalhar
O programa tem a duração de três anos e combina uma componente curricular
avançada no primeiro semestre com uma tese de investigação original. “A estrutura é
modular: cada estudante pode escolher os módulos que melhor se ajustam ao seu perfil
e à sua área de investigação, em domínios que vão da física das radiações e da
imagiologia à nanomedicina e à fotónica biomédica”, detalha Pedro Teles.
Este curso irá funcionar em regime misto — diurno e/ou pós-laboral — permitindo
que profissionais já a trabalhar em hospitais e clínicas possam frequentar o
doutoramento sem interromper a sua atividade.
Uma resposta concreta a uma necessidade antiga da comunidade de física médica em Portugal.
O programa admite até 20 estudantes por ano e está aberto a titulares de 2.º ciclo em
Física Médica, Física, Engenharia Física ou áreas afins, com um mínimo de 36 ECTS
em Física e Matemática.
A criação deste doutoramento dá continuidade a um percurso pioneiro da Universidade
do Porto: em 2008, a primeira universidade portuguesa a lançar um Mestrado em Física
Médica, com sede na FCUP, antecipando em mais de uma década as exigências que a
legislação europeia viria a impor na formação destes profissionais.
A Física Médica é uma das áreas com maior crescimento a nível global. As novas
terapias contra o cancro, a personalização dos tratamentos e a integração de novas
tecnologias na prática clínica criam uma procura crescente de investigadores altamente
qualificados.
Antes, quem se queria especializar nesta área tinha de sair do país e geralmente não
voltava. Agora, este novo doutoramento, com uma primeira fase de candidaturas
aberta até 2 de abril, vai mudar esta realidade e fixar talento nacional para assegurar
mais e melhor saúde em Portugal.
OC/Renata Silva