Uma visita especial no Dia de Natal

A Nikita sugeriu aos pais uma visita para o dia de Natal.
Mas não era uma visita qualquer… era uma visita especial, dizia a poétita catita:

— Papá e mamã, este ano quero pedir um presente diferente. Por favor, podem levar-me a visitar as crianças que estão no hospital?

Os pais, espantados com a sugestão, ficaram de coração cheio com um pedido tão bonito. Entreolharam-se e pensaram:
A nossa menina está a crescer… Quer rever o local onde esteve quando era pequenina, e talvez queira levar também sorrisos às crianças que lá continuam.

Então perguntaram:
— Nikita querida, porque queres visitar o hospital neste dia tão especial?

Nikita respondeu com um sorriso tranquilo:
— Como já estive no hospital quando era mais pequena e agora estou curada, quero mostrar aos meninos e meninas que lá estão que é possível ficarem bons. Quero que saibam que, mesmo entre exames e tratamentos, há alegria e esperança. No hospital há sempre “anjos” que cuidam de nós e nos fazem sentir amparados e aconchegados.

— Também quero levar poemas para declamar, histórias engraçadas para contar, cantar e dançar. No fundo, levar-lhes alegria!

Os pais perguntaram:
— E que presente vais levar para todas as crianças?

— Levo o meu amor, o meu carinho e a minha alegria — respondeu Nikita. — O melhor presente é estar presente na vida de alguém e fazer-lhe bem. Quero que cada momento vivido se transforme numa boa memória, uma história para contarem quando crescerem.

Fez uma pausa e acrescentou:
— Quando eu estive internada, era pequenina, mas lembro-me bem de uma freira chamada irmã Estrela, que me levava brinquedos para brincar. Havia também uma menina mais velha que me dava bolachas com desenhos de animais. Eu adorava e sorria tanto!
Naquela altura, os pais não podiam ficar com os filhos, mas eu nunca me senti sozinha. Tinha uma amiguinha que dormia no mesmo quarto e que me ensinou esta oração antes de dormir:
“Anjo da guarda, minha companhia, guarda a minha alma de noite e de dia.”

Os pais ficaram comovidos, pois Nikita nunca lhes tinha contado sobre essa lembrança.

Naquela tarde natalícia, lá foram eles ao hospital, com o coração cheio de emoção. Pediram autorização e a Nikita entrou, pronta para espalhar alegria.

Cantou a sua canção:
“Nikita, Nikita, as crianças espevita!”
Contou a sua própria história de superação — lembrando o tempo em que lá esteve internada com o sarampo, aos seis anos (agora já tem onze).

As crianças sorriram, cantaram com ela e encheram o espaço de risadas e esperança.

Antes de se despedir, Nikita deixou uma mensagem colada na parede da enfermaria, junto da letra da sua música:

“Vamos transformar cada momento de dor em amor,
e que em todos os dias haja um sorriso a despontar
para a vida alegrar.”