Uma Rua de Cada Vez – peça mostra as contradições da crise da habitação

 

Direitos Reservados

Inspirado numa história real sobre a crise da habitação em Portugal, oferece uma visão aprofundada dos bastidores, com entrevistas e imagens inéditas, revelando o trabalho que culminou nesta peça.

É uma peça de teatro, escrita por Mariana Correia Pinto e encenada por António Durães e Luísa Pinto e é uma coprodução da Narrativensaio-AC com a Casa das Artes de Famalicão. Interpretada pelos atores: Luisa Pinto, Gabriela Amaro e Cláudio Henriques, conta com música original que se adapta perfeitamente a este trabalho, de Cristina Bacelar e com sonoplastia de Carlos Azevedo.

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Mexe em algumas “feridas” da nossa atual sociedade, como: o direito à habitação, a resistência silenciosa, o envelhecimento e no que se transformaram as atuais cidades contemporâneas. Não deixa de fazer uma referência a Abril, algumas das contradições humanas, assim como a empatia que aí se gerou.

A base ou se quiserem, a inspiração para esta peça, foi a D. Fátima, proprietária de uma ilha (um tipo de habitação operária tradicional do Porto), o que ajudou a tornar este argumento ainda mais original!

Queremos pontuar que a D. Fátima esteve presente e fez algumas humoradas intervenções.

História

A trama apresenta três personagens principais: Amélia (interpretada por Luísa Pinto), Paulo Jorge (interpretado por Cláudio Henriques) e Vera (interpretada por Gabriela Amaro), que se encontram num conflito sobre a venda ou não de um bairro operário.

A história gira em torno de uma mulher (D. Fátima) que herda do seu pai, uma ilha.

No Porto, uma “ilha” é um tipo de habitação operária muito específico e característico da cidade, que surgiu em grande escala no final do século XIX. São bem diferentes dos pátios de Lisboa.

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Foram construídas em quarteirões, nos quintais traseiros das casas burguesas ou pequeno-burguesas que tinham frente para a rua. São geralmente filas de casas pequenas, térreas, com uma única fachada e uma única saída para a rua (um corredor estreito, muitas vezes chamado de “travessa” ou “viela”). Embora as propostas para a venda da “Ilha” a D. Fátima tivessem sido muito tentadoras, quer por parte da autarquia quer por empresários particulares, D. Fátima sempre se recusou a vendê-la. Preferiu em vez disso, reabilitar o espaço e, assim, garantir uma habitação digna para quem não consiga alugar residência no atual insano mercado imobiliário.

A autora busca criar um debate sem vilões, convidando o público a refletir sobre os dilemas humanos e sociais que a crise da habitação provoca.