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Segunda-feira, Junho 17, 2024

Transformar o norte em região amiga dos mais idosos discutiu-se na Fundação AEP

Esta foi a conclusão do debate que juntou Fernando Paulo, Ana Sepúlveda, Gabriela Queiróz e Helena Gonçalves, na Fundação AEP.

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Fernado Paulo, vereador da Câmara Municipal do Porto, diz-se preocupado com os constrangimentos que sofrem os mais idosos . Direitos Reservados

Decorreu, na passada sexta-feira, na Fundação AEP, um debate sobre o impacto da longevidade no Porto e em Portugal. O painel foi composto por Fernando Paulo, Vereador da Câmara Municipal do Porto com o pelouro da Educação e o da Coesão Social; Ana Sepúlveda, Presidente da Associação Age Friendly Portugal e CEO da 40+ Lab; Gabriela Queiróz, associada sénior da JPAB – José Pedro Aguiar-Branco Advogados e Helena Gonçalves, coordenadora do Fórum de Ética da Católica Business School.

O encontro aconteceu por ocasião da instalação, no Norte, da Age Friendly Portugal, associação empresarial da qual a Fundação AEP faz parte, e abordou temas como: a longevidade como eixo estratégico para o desenvolvimento da economia e da sociedade portuguesa, o papel das empresas, da academia e do Estado numa necessária mudança de perspetiva em relação ao futuro de Portugal, e a longevidade como caminho de sustentabilidade para as sociedades.

A crescente valorização do segmento sénior aliado a um ecossistema de apoio ao empreendedorismo, contribuirá para o crescimento da economia. O Porto International Ecosystem for Longevity está a nascer da visão estratégica da 40+LAB, que como entidade especializada na longevidade, viu na Fundação AEP o parceiro fundamental para liderar esta iniciativa de grande relevo para Portugal. A estas duas entidades, juntou-se a Universidade Católica Portuguesa-Centro Regional do Porto.

A moderação do debate esteve a cargo de Sofia Salgado, administradora da Fundação AEP, que destacou a atualidade e a pertinência do tema: ‘já em 2021 se sabia que mais de 50% da população portuguesa tinha mais de 45 anos. Estima-se que em 2050 a proporção esteja perto dos 60%. Se passarmos a outro indicador, o da despesa do consumo doméstico, sabemos que em 2050, 70% das compras serão feitas por pessoas com mais de 50 anos’. Começa-se assim a perceber o impacto desta realidade na sociedade com um consumo naturalmente diferente. Será por isso fundamental ‘promover uma mudança de mentalidade no combate àquilo que se chama idadismo, e passar a ver a idade de uma forma diferente, com a valorização da pessoa mais velha’.

Sofia Salgado recordou o trabalho desenvolvido pela Fundação AEP, que, no âmbito da sua missão ‘tem diligenciado de forma consistente o apoio ao empreendedorismo nacional e empreendedorismo sénior. Tem trabalho com empreendedores de elevado valor pessoal e profissional que demonstram, de forma inequívoca, a opção de estimular o empreendedorismo sénior em Portugal.’

Com o Projeto Empreender 45-60, inscrito no Plano de Atividades, a Fundação AEP está atenta a esta franja da população. Sofia Salgado acredita ‘‘que é imperativo que as organizações e os governos criem estruturas e iniciativas que permitam reunir recursos, catalisar o pensamento estratégico e desenvolver novas políticas que ajudem a estimular o apoio a este empreendedorismo sénior. Representa um enorme potencial porque vai suscitar prosperidade económica, criando mais emprego, facilitando a relação entre gerações e apoiando jovens no seu empreendedorismo através da experiência dos mais velhos’.

O Turismo gera constrangimentos aos mais idosos

O vereador da Câmara Municipal do Porto, Fernando Paulo valorizou a complementaridade entre as várias instituições envolvidas neste novo ecossistema, ‘com finalidades diferentes, mas um propósito comum: acrescentar anos à vida, a uma maior longevidade, mas com qualidade e que crie a oportunidade de desenvolvimento de novos negócios e serviços’.
Defensor de políticas que criem comunidades para todas as pessoas e todas as idades, Fernando Paulo destacou: ‘globalmente, a população com mais de 60 anos está a crescer mais do que os grupos etários mais jovens. E o Porto não é exceção. O envelhecimento da população está a acontecer a passos largos. Cerca de um quarto da população do Porto tem mais de 65 anos. Desde 2001 a população está a envelhecer mais no Porto do que em Portugal e mais em Portugal do que na Europa. Portugal é o quarto país mais envelhecido do mundo’.

Segundo dados da Câmara Municipal do Porto, são mais de 35 mil as pessoas com mais de 65 anos a viver na cidade. E o diagnóstico aponta para um aumento nos últimos anos, assim como para uma diminuição das redes de suporte e das relações informais.
Para o Vereador com o pelouro da Coesão Social, ‘a cidade é grande e as pessoas vivem sozinhas no meio da multidão. Uma invisibilidade que vai aumentando em alguns grupos mais vulneráveis.’ E deixa o alerta: ‘O turismo gera oportunidades, mas também constrangimentos. Os idosos vão relatando as alterações do espaço onde habitam. A loja tradicional, a mercearia a frutaria deu origem a outras espaços, eliminando os espaços de socialização, de encontro e partilha, capazes de manter laços de vizinhança’.

O Plano ‘Porto cidade amiga das pessoas idosas – 2023-25’, está em fase de implementação e inclui 80 ações com o envolvimento de entidades municipais, públicas e privadas. Fernando Paulo destaca: ‘Acreditamos que a implicação de todos enquanto sociedade deve convergir e encontrar novas oportunidades para corresponder a estas necessidades. A expansão do envelhecer não é um problema, é sim umas das maiores conquistas da Humanidade e o que é necessário é traçar políticas ajustadas para envelhecer de forma sã, autónoma, ativa e plenamente integrado. Esta é uma área de futuro. Estamos de certa forma a fazer história. ‘

Porto é pioneiro

A entrada oficial da Fundação AEP na Age Friendly, que surgiu em 2019, é um marco histórico para Ana Sepúlveda: ‘Fomos a primeira associação empresarial a nível mundial a nascer com esta missão de promover a economia ligada à longevidade e ao envelhecimento. É isto que nos move. Somos um conjunto de empresas cuja direção inclui a JPAB, 40+lab e a Cluster Advisor. A passagem para o Porto é o reconhecimento do pioneirismo que a cidade tem tido nesta área. É um facto histórico. O Porto é a segunda cidade que tem o Porto4aging, uma estrutura para o desenvolvimento da investigação ligada às questões do investimento. Foi uma das primeiras cidades a integrar a Liga das cidades Amigas de Pessoas Idosas e a primeira a ter um plano para o envelhecimento’.

O PORTO LONGEVITY pretende ser um agregador de empresas que olhem para as questões do envelhecimento e da longevidade como o eixo de desenvolvimento da economia que de facto é.

Ana Sepúlveda destacou na sua intervenção, ‘o papel que a Fundação AEP tem tido na área do empreendedorismo sénior, mas também na capacidade de internacionalização, através da Rede Diáspora e a ligação aos portugueses espalhados pelo mundo. Somos o quarto país mais envelhecido do mundo, mas estamos aqui a marcar passo e queremos ser os líderes’.

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Direitos Reservados

Família ascendente 

O debate contou ainda com a intervenção de Helena Gonçalves, coordenadora do Fórum de Ética da Católica Business School, um espaço de encontro que tem como objetivo promover a ética empresarial, através da troca de experiências, da reflexão conjunta e da criação e partilha de conhecimento. ‘O trabalho que desenvolvemos é feito com empresas e para empresas. O tema do estudo realizado em 2023 é a Diversidade Intergeracional no trabalho. Os inquéritos que fazemos dão-nos sobretudo resultados qualitativos, ou a voz do que as pessoas sentem. São as narrativas individuais sobre o trabalho de equipas diversas, verdadeiras fontes de reflexão para as empresas e com as empresas.’ referiu.
Segundo a investigadora, ‘há cada vez mais uma dissonância entre os mais novos e os mais velhos, e o desafio é como manter essa partilha do conhecimento organizacional que se vai perdendo. Há muito idadismo nas organizações.’

Helena Gonçalves abordou ainda a relação do trabalho e família. ‘Fala-se da família descendente, mas não existe o tema da família ascendente e esse vai ser o verdadeiro tema nas empresas. Todos nós vamos ter de ser cuidadores informais das nossas famílias, pois não vamos ter instituições que acolham as pessoas idosas.’ Assim como também não se aborda o tema das doenças crónicas. ‘As empresas não falam muito de doenças crónicas. E com o avançar da idade os trabalhadores começam a tê-las e isso tem a ver com equidade. Não existindo, leva os trabalhadores a esconder essas doenças crónicas’.


Para Gabriela Queiróz, associada sénior da JPAB – José Pedro Aguiar-Branco Advogados, o envolvimento de uma sociedade de advogados ‘prende-se precisamente com os números do impacto do envelhecimento na sociedade, e, por isso, é impensável que o Direito não dê a devida importância a esta realidade social. Se queremos que avance num determinado sentido, o direito pode e deve promover essa alteração de paradigma de mudança de mentalidades.’




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